A calmaria que desceu sobre as montanhas de Dovre provou ser tão efêmera quanto enganosa. Anos depois de Oslo testemunhar a fúria da natureza encarnada, a narrativa nos arrasta de volta para um mundo que tentou, sem sucesso, enterrar seus traumas sob um verniz de normalidade. O Troll da Montanha 2 (Troll 2) começa com uma série de anomalias geológicas descartadas por especialistas, que logo se revelam o prelúdio de uma nova catástrofe. Desta vez, a ameaça não é um gigante solitário e confuso, mas uma força antiga e malévola que desperta com uma agenda muito mais sombria. A trama evolui para uma corrida contra o tempo, das profundezas da terra aos picos congelados, onde a sobrevivência da nação está por um fio.
Direção e Produção
Roar Uthaug (A Onda, Tomb Raider: A Origem) assume o comando mais uma vez, reafirmando seu status como o preeminente arquiteto visual do cinema de gênero no Norte da Europa. Sua abordagem em O Troll da Montanha 2 é muscular e técnica, equilibrando CGI de ponta com uma textura visual terrosa que distingue esta franquia de suas contrapartes americanas. Em colaboração com a produtora Motion Blur, Uthaug orquestrou a produção mais ambiciosa da história da região. A cinematografia aproveita a beleza crua e ameaçadora das paisagens norueguesas, transformando-as em um personagem por si só, enquanto o design da nova criatura promete ser um triunfo técnico: uma montanha viva que respira e ruge com presença visceral.
Elenco
O elenco original retorna para fornecer a gravidade emocional necessária em meio ao caos digital. Ine Marie Wilmann reprisa seu papel como Nora Tidemann, injetando em sua personagem uma mistura de vulnerabilidade e determinação de aço; ela não é mais apenas uma cientista, mas uma veterana do impossível. Kim Falck, como Andreas Isaksen, permanece como a âncora humana da história, oferecendo o contraponto necessário à grandiosidade dos eventos. Enquanto isso, Mads Sjøgård Pettersen dota o Capitão Kris de um heroísmo estoico. A dinâmica é alterada pela adição de Sara Khorami, cuja personagem introduz uma nova camada de intriga, servindo como catalisadora para explorar as facetas mais místicas e desconhecidas da trama.
Avaliação Crítica
O Troll da Montanha 2 se posiciona no mercado não apenas como entretenimento, mas como um estudo de caso na evolução das franquias internacionais. A produção evita a armadilha do “maior é melhor”, garantindo que a escala sirva à narrativa. Uthaug escureceu o tom, afastando-se da aventura familiar para roçar o território do thriller mitológico — uma decisão ousada que busca amadurecer a saga. O filme não apenas entrega destruição em larga escala, mas tece uma narrativa sobre nossa relação fraturada com a natureza. É uma peça de engenharia cinematográfica projetada para competir de igual para igual com os pesos-pesados de Hollywood, provando que o monstro da Netflix tem a capacidade de rugir com sotaque norueguês e ser ouvido em todo o mundo.
Data de Lançamento
A besta desperta bem a tempo de dominar o pico da temporada de streaming. O Troll da Montanha 2 terá sua estreia mundial exclusiva na Netflix em 1º de dezembro de 2025.

