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Os Jonas Brothers voltam a Camp Rock e a Disney testa sua fábrica de estrelas

A franquia que lançou Demi Lovato e os Jonas Brothers volta para descobrir se a máquina de estrelas da Disney ainda funciona.
Veronica Loop

Uma banda que há muito superou o acampamento que a revelou volta para garimpar ali o seu próprio substituto. Esse é o ponto de partida de Camp Rock 3 e, quase sem disfarce, também o plano de negócios da Disney. O Connect 3 ficou sem atração de abertura para uma grande turnê de reencontro e retorna ao acampamento para achar a próxima grande promessa; o estúdio, por sua vez, precisa de uma nova geração de músicos jovens e rentáveis. O filme funde as duas buscas numa só e mal finge que sejam coisas diferentes.

É uma daquelas raras continuações cujo verdadeiro tema é a própria função comercial. Os primeiros filmes transformaram um grupo de desconhecidos do Disney Channel em um fenômeno de estádios e em uma estrela solo, e este terceiro chega para perguntar se essa linha de montagem ainda pode ser reconstruída agora que o próprio canal foi absorvido por um serviço de streaming e que a cultura de massa que fabricava ídolos adolescentes se fragmentou. O acampamento é uma metáfora que o filme nunca se dá ao trabalho de esconder.

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O elenco é a estratégia. Liamani Segura, como a determinada novata Sage, ocupa o lugar da descoberta: o filme deposita nela seu peso emocional e ela o sustenta, o que era o mais importante a provar. Ao redor dela, a Disney reúne um conjunto deliberadamente variado — Malachi Barton como o rebelde Fletch, Lumi Pollack como uma prodígio do violoncelo, e Hudson Stone, Casey Trotter, Brooklynn Pitts e Ava Jean completando um plantel pensado menos como personagens do que como uma carteira de candidatos que o estúdio poderá desenvolver separadamente.

Veronica Rodriguez dirige a partir de um roteiro de Eydie Faye, e os nomes que retornam carregam o trabalho de nostalgia. Joe, Nick e Kevin Jonas retomam Shane, Nate e Jason Gray, agora no papel de veteranos e não de galãs: os que definem o horário de chamada em vez de obedecê-lo. Maria Canals-Barrera volta como Connie e Demi Lovato aparece rapidamente como Mitchie Torres em uma ponta encenada abertamente como uma passagem de bastão. O talento original da saga hoje se senta do lado da produção — os Jonas Brothers estão entre os produtores executivos —, o que é ao mesmo tempo o motor sentimental do filme e sua confissão honesta do que está fazendo.

A escolha do momento é mais estratégica do que sentimental. Por anos o Disney Channel funcionou como um departamento interno de desenvolvimento de talento, um lugar para testar barato jovens intérpretes e levar os que engatavam para a música, as turnês e o cinema. O streaming quebrou essa economia. O canal linear que antes garantia a um filme como este uma plateia cativa no fim de semana esvaziou-se, e a atenção que ele concentrava está agora espalhada por plataformas que a Disney não controla. Reviver Camp Rock é uma forma de reconstruir essa função dentro do Disney+, usando um título comprovado e o gancho de uma turnê para fazer a divulgação que o lançamento de puros desconhecidos jamais conseguiria.

O que faz o filme funcionar melhor do que precisaria é levar a sério o próprio artifício. A estrutura de competição é o andaime clássico do cinema de acampamento, mas a narrativa tem curiosidade genuína pela mecânica de ser empacotado: como um jovem artista é moldado, classificado e vendido. As canções são variadas, a energia é sincera e o carinho pela saga soa real, não contratual. Quando simplesmente deixa Segura se apresentar, defende a aposta nela com mais força do que qualquer reviravolta de roteiro.

Também é, com toda a honestidade, pouco original. Os efeitos da competição são previsíveis, os conflitos se resolvem na hora certa e uma duração de cerca de uma hora e meia luta para dar espaço a um elenco tão numeroso; vários campistas ficam como tipos, não como pessoas. E, principalmente, o filme não consegue responder à pergunta que levanta. Pode apresentar uma protagonista promissora, mas não pode fabricar as condições culturais que um dia transformaram um elenco de Camp Rock em atrações principais. Se algum desses intérpretes será a próxima Lovato, quem decide é o mercado, e o mercado já não funciona como quando a franquia começou.

The new campers perform in Camp Rock 3, the 2026 Disney musical
The young cast of Camp Rock 3

Camp Rock 3 é dirigido por Veronica Rodriguez, escrito por Eydie Faye e produzido pela Disney Branded Television. O elenco principal une os Jonas Brothers, Maria Canals-Barrera e Demi Lovato às novatas e novatos Liamani Segura, Malachi Barton, Lumi Pollack, Hudson Stone, Casey Trotter, Brooklynn Pitts e Ava Jean. Tem cerca de noventa e três minutos e chega com uma trilha sonora nova voltada, como tudo aqui, a dois públicos ao mesmo tempo: os fãs adultos que cresceram com o acampamento e as crianças que o estúdio espera recrutar agora.

No Brasil, Camp Rock 3 está disponível no Disney+ desde 14 de agosto, onde já pode ser visto. Como filme, é um retorno competente e de bom humor. Como jogada estratégica, é algo mais revelador: a Disney conferindo, em público, se ainda consegue construir uma estrela do zero.

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

  • Lumi Pollack — Rosie
  • Hudson Stone — Desi
  • Brooklynn Pitts — Callie

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