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Margulies entra em ‘Sister Senators’, a resistência ao aborto que custou a cadeira de três republicanas

A vencedora do Emmy se junta ao documentário de Emily Harrold sobre as cinco mulheres da Carolina do Sul que cruzaram as linhas partidárias após Dobbs
Liv Altman

O financiamento de documentários depende cada vez mais do produtor executivo de peso — um nome reconhecível associado ao projeto para dizer ao público e aos compradores que um filme pequeno, movido por uma causa, merece uma atenção que de outro modo não conseguiria. E o nome que faz esse aceno importa. Julianna Margulies passou a fase definidora de sua carreira, de ‘ER’ a ‘The Good Wife’, interpretando mulheres que aprendem a se mover por instituições construídas por e para homens. Sua decisão de produzir ‘Sister Senators’ soa menos como o apoio beneficente de uma estrela e mais como um casting temático.

Como o Deadline revelou primeiro, a vencedora do Emmy embarcou no documentário de Emily Harrold sobre as únicas cinco mulheres do Senado estadual da Carolina do Sul, de 46 cadeiras — as republicanas Katrina Shealy, Sandy Senn e Penry Gustafson, a democrata Margie Bright Matthews e a independente Mia McLeod — que deixaram de lado seus partidos para enfrentar a supermaioria masculina da casa.

A aliança entre elas se fortaleceu depois da decisão Dobbs da Suprema Corte. Em 2023, as cinco encabeçaram uma maratona de obstrução contra uma proibição quase total do aborto, um gesto de desafio suprapartidário tão incomum que a John F. Kennedy Library lhes concedeu o Profile in Courage Award. Harrold, cineasta formada pela NYU que divide seu tempo entre Orangeburg e Nova York, trabalha num registro de observação discreta, usando a rotina exaustiva do parlamento estadual como pano de fundo de uma sororidade improvável.

O que dá força ao projeto é a conta que essas mulheres tiveram de pagar depois. As três republicanas foram censuradas pelo próprio partido e, nas primárias de 2024, perderam seus cargos — Shealy, Senn e Gustafson foram derrotadas por adversários que fizeram campanha contra aquele voto. ‘Sister Senators’ herda esse desfecho e se torna um registro de coragem política que as urnas, no curto prazo, puniram.

‘Num momento em que os direitos das mulheres estão sendo pisoteados, precisamos de exemplos de mulheres poderosas dispostas a colocar as pessoas acima da política partidária’, disse Margulies sobre seu envolvimento. Ela integra uma equipe liderada por Harrold e pela produtora Robin Hessman, ao lado das produtoras executivas Ruth Ann Harnisch, Grace Cowan, Monika Parekh e Kelly Keenan Trumpbour. O filme está em fase inicial de pós-produção, sem data de estreia definida.

A coalizão que o documentário preserva já não existe na sala onde foi construída. Três de suas cinco integrantes deixaram o Senado — o bloco bipartidário que por um breve período conteve uma proibição do aborto na Carolina do Sul agora sobrevive, por enquanto, apenas nas telas.

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