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Madoka Magica volta para encarar Walpurgisnacht e o preço do mundo que Homura reescreveu

Veronica Loop

Homura Akemi já quebrou uma vez as regras do próprio universo. Para manter uma única garota viva e livre de fardos, ela rasgou a ordem que governava as magical girls e a reconstruiu com ela mesma como guardiã. «Puella Magi Madoka Magica the Movie -Walpurgisnacht: Rising-» abre sobre a paz frágil que essa decisão comprou e sobre a ameaça que chega para cobrar a diferença.

O filme não conta um resgate, e sim um acerto de contas. Uma nova ameaça ligada a Walpurgisnacht, a bruxa-tempestade que assombra a série desde o começo, surge dentro do mundo que Homura refez e a obriga a medir uma segunda vez até onde está disposta a ir. A SHAFT arma o retorno como uma questão de consequência, não de espetáculo: o que se deve por uma paz imposta aos outros sem lhes perguntar. Homura fechou o capítulo anterior assumindo o controle de todo o arranjo, e o filme começa a partir da posição desconfortável que essa vitória lhe deixou.

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O sinal mais claro é quem voltou. Akiyuki Shinbo retorna como diretor-geral, com Yukihiro Miyamoto na direção, Gen Urobuchi no roteiro, Yuki Kajiura na música e o design de personagens de Ume Aoki intacto. Chiwa Saito dá voz a Homura outra vez, diante da Madoka de Aoi Yuuki, enquanto Kaori Mizuhashi, Eri Kitamura e Ai Nonaka retomam o restante do quinteto. É a equipe canônica reunida, não uma franquia entregue a substitutos: o estúdio quer que isso seja lido como continuação, não como ressurreição.

Madoka Magica surgiu como uma desconstrução que virou o gênero magical girl do avesso e depois se prolongou num longa que reescreveu o próprio final e dividiu o público. A série de televisão virou referência justamente porque recusava os confortos do gênero, e o filme seguinte empurrou essa recusa para um lugar que muitos acharam revelador ou imperdoável. Este filme herda esse debate em aberto. Ele se apoia na continuidade de «Rebellion», o episódio que deixou Homura no comando e Madoka diminuída, e precisa decidir se honra aquele final ou o complica ainda mais. Poucas sequências carregam uma dívida filosófica tão específica.

O que a série sempre discutiu foi o custo, as letras miúdas embaixo de cada desejo. A música de Kajiura e a linguagem visual de colagem da SHAFT existem para tornar esse custo legível, para transformar a abstração em pavor. Os trailers se apoiam nas imagens que deram prestígio à série: interiores-labirinto, bruxas de papel recortado, o motivo recorrente de uma promessa que não se cumpre sem mancha. A aposta do filme é que essa maquinaria ainda pode significar algo depois de anos de silêncio.

A lógica comercial é incomum. A maioria dos grandes títulos do anime se apoia numa série no ar; este pede que o público volte a uma história cujo último capítulo se fechou há tempos, só na força da lembrança. Que o filme tenha vendido sessões IMAX no Japão antes de estrear mostra que o público continua lá, e o apetite internacional nunca se apagou de todo. Mas essa paciência também eleva a cobrança. Uma franquia sobrevive a uma ausência longa; ao que ela não sobrevive com facilidade é a um retorno que confirme que já não tinha mais nada a dizer.

O reencontro da equipe original não garante que o filme alcance a régua que ele mesmo estabeleceu. A sequência de uma história que já entregou um final definitivo e divisivo corre o risco de desfazer o que dava carga àquele final ou de repeti-lo por extenso. Os adiamentos sucessivos, depois de o filme abandonar mais de uma janela anunciada antes de se fixar, parecem uma produção resolvendo algo, não uma volta olímpica. E para o público fora do Japão ainda não há um plano de estreia com data: o momento internacional do filme segue sem data mesmo com os trailers circulando por toda parte.

Homura Akemi and Madoka Kaname in Puella Magi Madoka Magica the Movie -Walpurgisnacht: Rising- (2026)
Homura Akemi and Madoka Kaname in Puella Magi Madoka Magica the Movie -Walpurgisnacht: Rising- (2026)

A SHAFT produz, com Shinbo como diretor-geral e Miyamoto dirigindo a partir do roteiro de Urobuchi; Junichiro Taniguchi se junta a Aoki no design de personagens e Kajiura assina a trilha. O elenco de vozes volta completo: Aoi Yuuki (Madoka Kaname), Chiwa Saito (Homura Akemi), Kaori Mizuhashi (Mami Tomoe), Eri Kitamura (Sayaka Miki), Ai Nonaka (Kyoko Sakura), Kana Asumi (Nagisa Momoe) e Emiri Kato (Kyubey). O filme tem 120 minutos.

«Puella Magi Madoka Magica the Movie -Walpurgisnacht: Rising-» estreia nos cinemas japoneses em 28 de agosto de 2026, com sessões IMAX incluídas, depois de escapar mais de uma vez das janelas iniciais. Seguem Taiwan em 4 de setembro e Hong Kong em 8 de outubro. Não há estreia com data nos Estados Unidos nem na Europa, e nenhuma estreia brasileira está confirmada por enquanto, embora os trailers legendados da Aniplex apontem para um lançamento internacional. Para uma franquia que construiu seu prestígio sobre o preço de um desejo, a longa caminhada do filme até as telas soa apropriada.

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

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