Tecnologia

Gemini Spark segue trabalhando com o notebook fechado — beta paga chega na semana de 26 de maio

Susan Hill

O Gemini Spark é a primeira versão do assistente consumidor do Google que não precisa da tela ligada para continuar trabalhando. Apresentado no Google I/O 2026, o Spark roda numa máquina virtual dedicada dentro do Google Cloud e segue a tarefa atribuída mesmo depois que o usuário fecha o notebook, bloqueia o celular ou desliga pela noite. Quando ele volta, o trabalho avançou em segundo plano sob as mesmas instruções, com os resultados parciais esperando no Gmail, no Docs ou no Drive.

Para quem passou dois anos pedindo a um chatbot que escrevesse um e-mail e depois copiando o resultado na mão, é essa a mudança. O Spark é o momento em que o Google deixa de tratar o seu assistente como uma conversa e passa a tratá-lo como uma profissional contratada que mantém a própria sessão, gerencia a própria fila de tarefas e avisa quando algo está pronto. O agente é construído sobre os modelos base do Gemini plugados num arnês agêntico vindo do Google Antigravity, a camada de execução que o Google apresentou no ano passado para que os modelos chamem ferramentas, naveguem e cumpram encargos sem que um humano precise apertar enviar a cada passo.

O Spark chega com ganchos profundos nos apps em que a maioria das pessoas já trabalha. Dentro do ecossistema Google ele lê Sheets e Docs, redige e envia Gmail, arquiva resultados no Drive e atua pelo Workspace. Fora dele, a primeira leva de integrações cobre Canva, OpenTable e Instacart — design, restaurantes e supermercado — com mais parceiros prometidos para as semanas seguintes. O exemplo com que o Google abriu a keynote foi modesto e revelador: pedir ao Spark para revisar a fatura do cartão de crédito todo mês e marcar tarifas escondidas. Não é uma demo de produtividade. É o assistente fazendo a tarefa que o usuário sempre adia.

A novidade comercial veio no mesmo fôlego. O Google AI Ultra, o plano consumidor de topo, caiu de US$ 250 para US$ 100 por mês, e o antigo preço de US$ 250 virou um plano de US$ 200 com as mesmas capacidades. Os dois níveis incluem acesso beta ao Spark nos Estados Unidos. O plano de US$ 100 traz ainda cinco vezes o uso de Gemini do AI Pro de US$ 20, vinte terabytes de armazenamento no Drive e YouTube Premium. Num único movimento, o Google se colocou abaixo do plano Max da Anthropic, que opera na mesma faixa mensal, e jogou um assistente agêntico pessoal no mesmo orçamento de um combo de streaming.

O Spark roda em Android, iPhone e no app Gemini para Mac, e o Google diz que dá para atribuir tarefas recorrentes em vez de só pedidos pontuais — o mesmo resumo de e-mail toda segunda, a mesma checagem da fatura do fornecedor todo mês, o mesmo monitoramento de um voo até a tarifa cair. Cada tarefa em andamento aparece num painel em que o usuário pode pausar ou cancelar. Esse painel é a segunda razão pela qual esse lançamento pesa mais do que os anúncios de modelos do último ano: oferece uma única tela onde está listado o trabalho em aberto da IA, do jeito que uma caixa de entrada lista os e-mails. A assimetria de dar uma instrução ao assistente e não ver o que ele está fazendo é onde a IA agêntica continua falhando, e o Spark é a primeira tentativa de um grande fornecedor de resolver isso como produto.

Há ressalvas concretas. O Spark sai só nos Estados Unidos, tanto na fase de testadores de confiança quanto na beta para assinantes Ultra. A disponibilidade internacional não está no roteiro público do Google e os preços fora dos Estados Unidos não foram confirmados. O alcance do agente em apps de terceiros é ainda estreito — três parceiros na largada — e as tarefas cruzadas que o Google mostrou só funcionam se o usuário tiver as contas certas ligadas na ordem certa. O primeiro mês de qualquer produto agêntico é também o mês em que as alucinações pesam mais: um chatbot que inventa um dado é chato, mas um agente que inventa uma reserva no OpenTable manda alguém para uma mesa que não existe. A promessa do Google é que o controle fica sempre com o usuário, que pode revogar uma ação no meio do caminho; essa promessa se sustenta ou cai pelo que a beta fizer sem ninguém olhando.

Na camada de plataforma, o passo é mais difícil de desfazer. O Spark transforma o Google AI Ultra, que sai de um plano para um Gemini melhor para o preço de entrada de um agente que mora ao lado do Gmail. Também muda a pergunta a que cada rival agora precisa responder: não qual modelo escreveu o melhor parágrafo, mas qual assistente continuou trabalhando depois que o usuário saiu para jantar. Anthropic, OpenAI e xAI têm produtos agênticos em formatos variados, mas nenhum mora de fábrica dentro do Gmail, do Docs e do Drive.

O acesso para testadores de confiança abriu nesta semana e os assinantes do Google AI Ultra nos Estados Unidos recebem a beta na semana de 26 de maio. O próximo grande palco do Gemini vai ser o Samsung Unpacked de julho — os óculos inteligentes que o Google antecipou no I/O rodam no mesmo motor do Spark — e o Google avisou que novas integrações do Spark vão chegar em ondas pelo verão norte-americano.

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