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iOS 27.3 leva Apple Intelligence à China com Qwen no lugar do ChatGPT

Adrian Kessler
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Quem tem um iPhone na China continental está prestes a receber o Apple Intelligence, mas o chatbot externo integrado ao sistema não será o ChatGPT. A redação chinesa da Apple informa que a primeira leva de recursos de IA — da tradução ao vivo à limpeza de fotos e aos resumos de e-mails — chegará aos iPhones compatíveis, com a Siri, as Ferramentas de Escrita e a Inteligência Visual encaminhando algumas solicitações ao Qwen, da Alibaba. A Siri com IA reformulada, que a Apple vem lançando em outros mercados, não faz parte do pacote.

Isso fecha a maior lacuna no lançamento da IA da Apple. Os iPhones vendidos na China são comercializados sem o Apple Intelligence desde que os recursos estrearam em outros mercados, enquanto os aparelhos da Huawei e da Xiaomi já chegavam com assistentes próprios. Para quem compra um celular em Xangai ou Shenzhen, isso significa que o mesmo iPhone finalmente faz a maior parte do que faz em Londres ou Madri, com uma empresa chinesa de IA ocupando o lugar que uma americana ocupa em outros países.

A lista é extensa. A Tradução ao Vivo funciona no Mensagens, no FaceTime e no app Telefone, além de permitir conversas presenciais com os AirPods 4 com cancelamento ativo de ruído ou os AirPods Pro 2 e modelos posteriores. As Ferramentas de Escrita reescrevem, revisam e resumem textos. A Inteligência Visual identifica objetos e lugares usando a câmera do iPhone. O app Fotos ganha o recurso Limpeza, que apaga elementos indesejados, busca em linguagem natural e filmes de Memórias criados a partir de uma descrição digitada. O Mail passa a oferecer Mensagens Prioritárias, resumos de e-mails e Resposta Inteligente; já a tela bloqueada ganha resumos de notificações, notificações prioritárias e o modo de foco Reduzir Interrupções. O app Notas e o app Telefone podem resumir áudios e transcrições de chamadas, e o Genmoji transforma uma descrição escrita em um emoji personalizado.

É com o Qwen que a versão chinesa se diferencia do resto do mundo. A Siri pode encaminhar determinadas solicitações ao modelo da Alibaba para aproveitar seu conhecimento mais amplo; os usuários podem perguntar ao Qwen sobre fotos e documentos, incluindo PDFs e apresentações; e uma opção de Compor nas Ferramentas de Escrita permite criar textos originais do zero. Para acessar o recurso, é preciso entrar com uma conta Qwen ou usar o recurso Iniciar sessão com a Apple. O The Verge observou que a configuração reproduz a integração com o ChatGPT que a Apple adicionou em outros mercados em 2024. Todo o restante funciona com modelos generativos desenvolvidos pela própria Apple, e a Reuters informou em agosto que a empresa havia treinado um modelo especificamente para a China.

As limitações são igualmente claras. A Siri com IA e os demais recursos de próxima geração do Apple Intelligence anunciados na WWDC 2026 ficaram de fora, e o MacRumors informa que o Image Playground também não está disponível. O lançamento contempla apenas o iPhone: o iPad, o Mac e outros dispositivos terão de esperar até que a Apple receba as aprovações necessárias, e a empresa não divulgou um prazo para isso. Os aparelhos compatíveis são o iPhone 15 Pro e o Pro Max, o iPhone 16 e modelos posteriores, o iPhone Air e o iPhone Duo; portanto, quem tem um iPhone 15 padrão fica de fora. Tanto o aparelho quanto a Siri precisam estar configurados em inglês ou chinês simplificado. O comunicado da Apple também não esclarece o que a Alibaba mantém das solicitações que a Siri encaminha ao Qwen — um ponto que a Apple detalhou quando integrou o ChatGPT à Siri.

Foram necessários mais de dois anos para chegar até aqui. A Apple apresentou o Apple Intelligence pela primeira vez no verão de 2024, mas o lançamento na China foi adiado durante várias rodadas de negociações com os órgãos reguladores. A Reuters informou em meados de julho que os recursos haviam superado um importante obstáculo regulatório, e a Bloomberg noticiou, algumas semanas atrás, que a Apple planejava lançá-los em dezembro, com o iOS 27.3 e sem a Siri com IA. Foi exatamente isso que a Apple confirmou agora.

Os testes começam em 4 de novembro, no horário de Pequim, com a próxima versão beta para desenvolvedores do iOS — que, segundo o MacRumors, deve chegar aos desenvolvedores nos Estados Unidos em 3 de novembro, por causa da diferença de fuso horário. O 9to5Mac observou que anunciar antecipadamente a data de uma versão beta é algo incomum para a Apple. Os recursos chegam ao público em dezembro, com o lançamento da versão completa do iOS 27.3, mas a Apple ainda não informou o dia. Fora da China continental, nada muda: o Apple Intelligence e a opção de usar o ChatGPT continuam como estão, e a Apple afirma que o chinês tradicional, usado em Taiwan e Hong Kong, está entre os quatro idiomas adicionais que a Siri com IA passará a oferecer até o fim do ano.

Assim, o iPhone chega ao último grande mercado que ainda faltava com uma versão reduzida da IA da Apple. Os consumidores chineses terão resumos, traduções e uma Siri que encaminha suas perguntas mais difíceis à Alibaba, enquanto a nova Siri, peça central do iOS deste ano, é o único recurso que a Apple deixou de fora.

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