Tecnologia

Seguro residencial para robôs humanoides estreia no Reino Unido antes dos próprios robôs

Susan Hill
Adicione-nos no Google

Proprietários de imóveis no Reino Unido já podem fazer seguro contra as duas coisas que todo mundo meio que espera de um robô humanoide: que ele quebre e que quebre alguma outra coisa. A corretora especializada Adrian Flux incluiu cobertura para robôs humanoides domésticos em seu seguro residencial, com subscrição da Tokio Marine HCC International. As duas empresas afirmam que essa é a primeira apólice do tipo no Reino Unido. O detalhe é o momento em que ela chega: os robôs cobertos mal começaram a entrar nas salas de estar das pessoas.

A cobertura funciona nos dois sentidos. Ela paga por danos ao robô ou pelo roubo dele, além de cobrir danos repentinos que a máquina cause à casa ou aos objetos dentro dela. Também inclui responsabilidade civil pessoal caso o robô machuque alguém ou danifique a propriedade de outra pessoa. E cobre o resgate emergencial ou o desligamento seguro após uma falha repentina ou imprevista — uma cláusula que trata o ajudante doméstico menos como um eletrodoméstico e mais como um carro. As seguradoras dizem que essa parece ser a primeira apólice em qualquer lugar a proteger tanto a casa quanto o robô.

É essa combinação que importa. Um seguro residencial padrão para bens e pertences é pensado para objetos que ficam onde você os coloca, como uma televisão ou um laptop. Já uma máquina que anda e foi feita para arrumar, buscar e carregar coisas circula perto de crianças, animais de estimação e escadas — e pode causar danos por conta própria. “Um robô que custa milhares de libras não é algo que você queira deixar fora da sua apólice de seguro”, disse Stuart Heath, chefe de distribuição internacional da Tokio Marine HCC International. Ele acrescentou que o setor de seguros “tradicionalmente reagiu a novos mercados e produtos, em vez de viabilizá-los”.

O que o anúncio deixa de fora é igualmente revelador. Nenhuma das empresas divulgou o preço, a franquia ou as condições da apólice. Portanto, ainda não há como saber quanto um robô acrescentaria ao prêmio do seguro nem em que ponto uma falha “repentina ou imprevista” deixa de ser isso e passa a ser desgaste, uso indevido ou uma atualização de software malfeita. A descrição publicada também não diz nada sobre o risco que mais preocupa os especialistas em segurança: uma máquina conectada, com câmeras e microfones, circulando pela casa — e o que acontece se alguém a invadir. Os humanoides já foram descritos como possíveis “botnets em forma física”.

A responsabilidade civil é a questão mais difícil. Se um robô derrubar um visitante escada abaixo, a culpa pode ser do proprietário, do fabricante, da empresa que escreveu o software ou de todos eles. O seguro residencial cobre a responsabilidade legal do próprio segurado e, quando a culpa é de um defeito de projeto ou de software, a pessoa ferida ou a seguradora pode recorrer ao fabricante com base na legislação de responsabilidade pelo produto, como apontou a publicação especializada Insurance Business. Os primeiros robôs domésticos trazem mais uma variável: a 1X, fabricante do humanoide NEO, afirmou que operadores humanos remotos podem assumir o controle em tarefas que o robô ainda não aprendeu a executar.

A Adrian Flux já fez esse tipo de aposta antecipada. A corretora lançou, em 2016, o que chamou de primeira apólice do Reino Unido para carros sem motorista, muito antes de os compradores britânicos poderem ter um carro autônomo. O gerente-geral Gerry Bucke diz que a cobertura para robôs seguirá o mesmo caminho. “À medida que os robôs começarem a chegar às casas das pessoas, quisemos trabalhar com a TMHCCI para esclarecer quem é responsável se algo der errado”, disse. Assim como a apólice para carros, ela “será atualizada conforme a tecnologia e os riscos evoluírem”.

Os robôs, porém, estão chegando primeiro pelos Estados Unidos. Por lá, humanoides domésticos já podem ser encomendados em pré-venda aberta por cerca de US$ 20 mil, o equivalente a aproximadamente £ 14.900. O NEO, o mais conhecido, custa esse valor na compra ou US$ 499 por mês na assinatura, e a 1X promete fazer as primeiras entregas nos Estados Unidos ainda este ano. As duas seguradoras esperam que robôs domésticos cheguem às casas do Reino Unido a partir de 2027, e a nova cobertura está disponível apenas para clientes britânicos que contratarem seguro residencial pela Adrian Flux.

Assim, a primeira apólice britânica criada para um robô doméstico segura um hóspede que ainda não chegou. O verdadeiro teste virá na primeira vez que um deles derrubar algo caro e alguém tiver de decidir de quem foi a culpa.

Tags: , , , , ,

Adicione-nos no Google

Discussão

Há 0 comentários.