Negócios e finanças

AMD dobrou receita em data centers para US$ 6,7 bilhões — ação caiu 9%

Victor Maslow

A AMD registrou o trimestre mais forte em seus cinquenta anos de existência e foi punida por isso. A divisão de data centers da empresa — a unidade que vende chips aceleradores de IA e processadores para servidores para gigantes da nuvem operando em escala — mais que dobrou sua receita em um ano, atingindo US$ 6,7 bilhões no segundo trimestre. A receita total chegou a US$ 11,54 bilhões, alta de 50% na comparação anual. A ação caiu 8,94% no after-hours.

O paradoxo revela algo específico sobre onde o ciclo de investimento em IA chegou. A AMD não errou. A empresa superou todas as estimativas publicadas — projeção de receita de US$ 11,25 bilhões, lucro por ação de US$ 1,61, ambos batidos — e orientou o terceiro trimestre para aproximadamente US$ 13 bilhões. A liquidação não teve nada a ver com os números e tudo a ver com o teto. As ações da AMD já haviam subido 140% em 2026 antes da divulgação do balanço, uma valorização que precificava resultados mais dramáticos do que os que se materializaram. Os investidores se posicionaram para o que vários analistas descreveram como uma projeção “estrondosa” ancorada no Helios, a nova plataforma de IA em escala de rack da AMD. Essa projeção não veio.

Para as empresas que estão comprando os chips da AMD — hyperscalers e operadores corporativos construindo infraestrutura de IA — o quadro diverge fortemente do cenário visto pelos investidores. Os data centers agora representam 58% da receita total da AMD, ante menos de 30% dois anos atrás. Os processadores para servidores EPYC e os aceleradores gráficos Instinct estão ambos com demanda aquecida. Isso torna a AMD uma concorrente genuína da Nvidia em um dos ciclos de compra mais intensivos em capital da história da tecnologia empresarial — e significa que a oferta de aceleradores de IA, e não a demanda, continua sendo a restrição determinante para organizações que orçam capacidade de computação em 2027.

O roadmap da AMD é onde a narrativa se tensiona. O mercado queria detalhes sobre compromissos de implantação do Helios por hyperscalers nomeados. Em vez disso, a empresa ofereceu números de guidance e uma direção geral. As vantagens competitivas da Nvidia — sua pilha de software CUDA, ecossistema de desenvolvedores e relacionamentos plurianuais de pedidos — permanecem estruturalmente intactas. A AMD está demonstrando que pode ganhar participação; ainda não mostrou que consegue sustentar o ritmo quando o ciclo atual de pedidos se encerrar e a expansão da IA amadurecer para uma fase de racionalização.

Um número do trimestre que não dominou as manchetes: a AMD emprega cerca de 26 mil pessoas e não anunciou demissões significativas enquanto crescia 50%. Em um ano em que o setor de tecnologia dos EUA ultrapassou 205 mil cortes de empregos acumulados — superando o total de 2025 com quatro meses ainda no calendário — essa trajetória é um ponto fora da curva que vale a pena acompanhar.

A AMD divulga os resultados do terceiro trimestre no início de novembro. Espera-se que a plataforma Helios comece a ser implantada comercialmente no quarto trimestre de 2026. Esse marco de implantação, mais do que qualquer guidance, é o que o mercado agora espera para confirmar.

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