Filmes

Apple dá a Adèle Exarchopoulos seu primeiro papel principal em um estúdio dos EUA, ao lado de Zoë Kravitz

A revelação de Cannes de «Azul é a Cor Mais Quente» assume seu primeiro papel principal em um estúdio americano, ao lado de Zoë Kravitz, na comédia dramática de Megan Park para a Apple
Martha Lucas

Para uma geração de atores europeus do cinema de arte, o sistema de estúdios americano era uma porta de mão única que só se abria para espetáculos de gênero ou para o prestígio da temporada de premiações. A Apple propõe discretamente uma terceira via: a comédia dramática de orçamento médio, movida por estrelas, financiada como um filme independente, mas vendida como uma produção de estúdio. Escalar Adèle Exarchopoulos — uma intérprete definida pela vertente mais crua do cinema de autor francês — como coprotagonista de uma ampla comédia da Apple é menos um papel do que uma tese sobre para onde o talento de prestígio está migrando agora.

Como o Deadline noticiou primeiro, Exarchopoulos entrou para o projeto sem título da Apple da roteirista e diretora de My Old Ass, Megan Park, contracenando com Zoë Kravitz. Seu papel está sendo mantido em sigilo, e a Apple se recusou a comentar, mas a escalação é a notícia: este é o primeiro papel protagonista da premiada atriz francesa em um filme de estúdio americano.

Exarchopoulos chegou plenamente formada com Blue Is the Warmest Color, o drama de Abdellatif Kechiche que venceu a Palma de Ouro em Cannes e fez dela, aos 19 anos, uma das atrizes mais observadas do cinema mundial. O que se seguiu foi uma filmografia resolutamente europeia — comédias de Quentin Dupieux, experimentos de gênero, títulos de festivais — que nunca lhe entregou de fato o veículo hollywoodiano que seu perfil sugeria. Um papel principal da Apple construído em torno dela, em vez de em torno de um nome americano que ela coadjuva, fecha essa lacuna em seus próprios termos.

Para Park, o filme é a continuação que meio Hollywood queria. My Old Ass estreou em Sundance, tornou-se um sucesso do Prime Video e lhe rendeu indicações ao DGA, ao WGA e ao Indie Spirit, transformando seu roteiro especulativo no objeto de uma disputa que Warner Bros., Sony, Universal, Amazon e Netflix perseguiram, antes de a Apple levar a melhor. Park dirige a partir de seu próprio roteiro, com a LuckyChap, de Margot Robbie, e a FilmNation na produção; a história, descrita como uma comédia dramática na linha de Stepmom, acompanha uma mulher cuja vida vira de cabeça para baixo ao descobrir que seu namorado tem uma esposa e filhos secretos.

Kravitz, recém-saída da direção de Blink Twice, sustenta o filme como a estrela americana já estabelecida, enquanto Exarchopoulos fornece o peso internacional que a Apple claramente busca. O projeto, identificado pelo título de trabalho Die Alive em reportagens anteriores da imprensa especializada, é financiado de forma independente pela FilmNation e deve iniciar as filmagens ainda este ano.

É uma equação de estúdio familiar, com uma variável incomum em seu centro: a atriz que Cannes consagrou aos 19 anos, fazendo sua estreia em um estúdio americano mais de uma década depois — não como uma revelação, mas como o prestígio que o sistema finalmente decidiu comprar.

Tags: , , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.