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Ali G invade Wimbledon e, para Sacha Baron Cohen, a pegadinha é toda a campanha de marketing

Cohen resgata um personagem que havia engavetado em 2002 e transforma uma ponta na quadra central no primeiro gesto público de um filme rodado em total segredo
Camille Lefèvre

Sacha Baron Cohen nunca realmente traçou uma linha entre a promoção e a pegadinha — seu método, refinado em dois filmes do Borat, é que o marketing é o filme, encenado em lugares reais com pessoas que não sabem que a câmera é uma brincadeira. Então, quando Ali G apareceu à beira da quadra de Wimbledon esta semana, de agasalho e tudo, pareceu menos uma aparição de celebridade e mais um movimento de abertura: a primeira batida pública de um retorno que o comediante manteve completamente oculto até agora.

Como o Deadline noticiou primeiro, a aparição — documentada em uma série de posts nas redes sociais a partir do local — chega diretamente na esteira da notícia de que Cohen concluiu silenciosamente um novo filme do Ali G, rodado sub rosa sem anúncio, sem título e sem data de lançamento. O truque e o filme secreto são claramente a mesma campanha: reviver o personagem na natureza, deixar as imagens circularem e deixar a curiosidade fazer o trabalho da distribuidora.

A aposta é o próprio personagem. Ali G, o entrevistador falso-descolado que Cohen criou no The 11 O’Clock Show da Channel 4 antes de transformá-lo em Da Ali G Show e no filme de 2002 Ali G Indahouse, é a persona que Cohen largou há duas décadas para perseguir Borat e Brüno. Trazê-lo de volta significa testar se uma esquete de entrevista de rua ainda funciona em uma era em que todos reconhecem o rosto de Cohen e as redes sociais transformaram a entrevista emboscada em um gênero que qualquer um pode filmar no celular.

Revivê-lo em Wimbledon — um torneio repleto de câmeras, realeza e celebridades nas arquibancadas — é uma leitura astuta desse problema. A piada não depende mais de um alvo ser enganado; depende de uma multidão reconhecer o personagem e entrar na brincadeira, transformando um evento público real em um set não pago. Essa é a mesma lógica que permitiu a Cohen contrabandear ambos os filmes do Borat para além de seus alvos, mantendo a piada intacta até o filme já estar finalizado.

Os detalhes sobre o longa permanecem deliberadamente escassos. As filmagens passaram por Oxfordshire e pelos Estados Unidos durante 2025, e ainda não há distribuidor confirmado registrado; representantes de Cohen se recusaram a comentar. Para um indicado três vezes ao Oscar que poderia lançar um filme pela porta da frente de qualquer estúdio, o sigilo é o ponto — a mesma retenção que fez os lançamentos do Borat funcionarem.

Há uma ironia sutil no timing: um personagem que fez seu nome abordando estranhos que não faziam ideia de quem ele era agora tem que conquistar uma plateia da Quadra Central que sabe exatamente quem ele é. Wimbledon acabou de sugerir que eles ainda vão entrar na brincadeira.

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