Filmes

Escape Room 2: Tensão Máxima, a sequência que transforma a sobrevivência num jogo mais polido e mais vazio

Martha Lucas

Um bom filme de armadilhas mortais é, na verdade, um número de mágica disfarçado de pista de obstáculos: precisa fazer você acreditar que uma sala consegue pensar. Escape Room 2: Tensão Máxima entende isso melhor do que quase qualquer rival e, por longos trechos, funciona como puro mecanismo — um vagão de metrô que eletrifica o chão, uma praia onde chove ácido, um cofre de banco que vira gelo. O problema é que um mecanismo só assusta tanto quanto as pessoas presas dentro dele, e esta sequência não para de erguer salas cada vez mais elaboradas em torno de personagens com quem se importa cada vez menos.

Retomando a história após o original de 2019, o filme manda os sobreviventes Zoey e Ben a Nova York para expor a Minos, a corporação sem rosto que organiza os jogos para uma plateia de espectadores ricos. Como era de se esperar, a própria cidade é a armadilha. Eles embarcam no trem errado e se veem trancados com um vagão de desconhecidos que, um a um, revelam que também saíram vivos de uma sala da Minos. São os campeões do título, e a empresa os reuniu para uma última provação em escalada.

YouTube video

Uma sequência montada como a fila de um parque de diversões

O diretor Adam Robitel, de volta ao comando, trata as salas como as verdadeiras estrelas da franquia, e está certo. O design de produção é o melhor daqui: cada cenário é uma caixa de quebra-cabeças autônoma, com suas próprias regras, sua própria luz, seu próprio jeito de matar você. A praia de chuva ácida é de fato inventiva, e a sequência do banco com grades de laser tem a lógica limpa e crescente de uma grande fase de videogame. Robitel mantém a câmera legível em meio ao caos, de modo que você sempre entende a geometria da ameaça — uma disciplina que boa parte do terror moderno perdeu.

O que o filme não consegue resolver é a repetição. O primeiro Escape Room tinha o frisson da descoberta; aqui a forma já é conhecida desde os primeiros minutos, e o roteiro — assinado por um pequeno comitê de autores — se apoia na velocidade para disfarçar o pouco que tem a acrescentar. Com seus ágeis oitenta e oito minutos, nunca entedia, mas também quase nunca surpreende. Cada sala é uma set piece lindamente projetada em busca de um motivo para existir além da próxima sala.

Taylor Russell segura a cena

Taylor Russell segue sendo a arma secreta da franquia. Como Zoey, ela interpreta o trauma como competência: uma sobrevivente que aprendeu a ler uma sala exatamente como os filmes querem que a gente leia, atenta e silenciosamente apavorada ao mesmo tempo. Ela dá à carnificina um centro de gravidade e, sempre que o roteiro ameaça virar uma lista de armadilhas, o rosto dela recoloca o que está em jogo. Logan Miller é um contraponto simpático e mais contido como Ben, e os campeões coadjuvantes — vividos por Indya Moore, Holland Roden, Thomas Cocquerel e outros — são vívidos no instante, ainda que a trama os trate sobretudo como relógios em contagem regressiva.

Escape Room 2: Tensão Máxima (2021)
Escape Room 2: Tensão Máxima (2021)

O problema dos dois finais

Nenhuma conversa sobre este filme sobrevive sem o seu final — ou melhor, os seus finais. O lançamento nos cinemas foi refeito no fim da pós-produção, e uma Extended Cut posterior, lançada no home video, restitui um enquadramento diferente e mais coerente sobre quem puxa os cordões e por quê. O desfecho dos cinemas parece exatamente o que é: um arranjo às pressas, a preparação de uma sequência que prefere manter as opções em aberto a fechar a própria história. É o sintoma mais claro de um filme projetado por comitê, em que a mecânica foi travada muito antes de alguém decidir para que servia.

Veredito

Escape Room 2: Tensão Máxima é uma versão mais polida, mais veloz e mais vazia do filme que o gerou — uma montanha-russa de verão que entrega exatamente as sensações que promete e quase nada além. É bem feito o bastante para recomendar a quem curtiu o primeiro, e raso o bastante para você ter dificuldade de lembrar de um único personagem uma semana depois. Como engenharia de gênero, é admirável; como história, é um espaço reservado. Uma armadilha elegante sem ninguém realmente morando dentro.

Ele se inscreve na linhagem moderna do terror de caixa de quebra-cabeças — a linhagem de Jogos Mortais e Cubo —, mais esperto do que sua fama sugere na hora de montar uma set piece, e bem menos interessado do que seus antecessores no que tudo isso poderia significar.

Direção

Adam Robitel

Adam Robitel

Elenco

Tags: , , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.