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Hot Seat: um thriller que perde força

Martha Lucas
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O plano de abertura de Hot Seat mostra em close uma cadeira de escritório, com as rodinhas travadas e uma bomba-relógio presa à base. É uma imagem impactante, que promete tensão e perigo. Infelizmente, o filme não corresponde a esse começo promissor.

Dirigido por James Cullen Bressack, Hot Seat é um thriller de ação de 2022 estrelado por Kevin Dillon como Orlando Friar, um ex-hacker obrigado a invadir instituições bancárias de alto escalão, e Mel Gibson como Wallace Reed, o mentor que o coage. A premissa tem tudo para render suspense, mas a execução não empolga.

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A ideia central do filme — um ex-hacker preso à cadeira do escritório — é, na melhor das hipóteses, de gosto duvidoso, bem distante dos thrillers cibernéticos de alto risco que pretende ser. Bressack, conhecido por seu trabalho em filmes de terror e ação de baixo orçamento, parece não estar à altura do desafio. Sua direção não tem a precisão nem o ritmo necessários para sustentar um thriller. As cenas se prolongam demais, e as transições entre elas parecem bruscas e desconexas.

Kevin Dillon entrega uma atuação competente, mas sem brilho, como Orlando Friar. Há certo charme em sua interpretação do ex-hacker, mas não o suficiente para elevar o material. O personagem de Dillon deveria ser o coração do filme, mas parece mais um enigma do que uma pessoa bem construída. Suas motivações não ficam claras, e suas decisões muitas vezes parecem arbitrárias.

Mel Gibson, por sua vez, confere certa imponência ao papel de Wallace Reed. Gibson tem uma presença que chama a atenção e sabe tirar proveito disso aqui. Ainda assim, nem mesmo o peso de sua estrela consegue salvar o roteiro fraco do filme. O elenco de apoio, que inclui Shannen Doherty como a chefe Pam Connelly e Sam Asghari como o sargento Tobias, não se sai muito melhor. Suas atuações dão a impressão de que estão apenas cumprindo tabela, em vez de realmente se envolverem com o material.

O maior problema do filme é a falta de ação e suspense de verdade. Apesar da premissa promissora, Hot Seat decepciona na execução. O prédio cheio de armadilhas, que deveria ser uma fonte constante de tensão, parece mais uma sucessão de cenas desconexas do que uma sequência coesa e empolgante.

O ritmo é irregular, com longos trechos de diálogos e exposição que freiam a narrativa. Até o clímax do filme, que deveria ser um crescendo de ação e suspense, soa anticlimático. O desenho de som e a trilha sonora deixam a desejar, sem conseguir intensificar a tensão nem envolver o público na ação.

A fotografia é competente, mas pouco marcante, com raros planos que se destacam ou composições criativas. Os valores de produção do filme são razoáveis, mas não compensam os problemas do roteiro. Os diálogos muitas vezes são artificiais e expositivos, e as motivações dos personagens não ficam claras.

Em termos temáticos, Hot Seat aborda os perigos da tecnologia e a ética do hacking, mas de maneira superficial. O filme não se aprofunda nessas questões e prefere tratá-las apenas por alto. É uma oportunidade perdida, já que o tema tem potencial para provocar reflexão.

Em comparação com outros filmes do gênero, Hot Seat fica aquém. Falta a tensão de The Girl with the Dragon Tattoo, a sofisticação de Sneakers e a ação eletrizante de Die Hard. Mesmo quando comparado à própria filmografia de Bressack, Hot Seat parece um passo atrás em relação aos trabalhos anteriores do diretor.

Quanto ao apelo junto ao público, Hot Seat provavelmente vai decepcionar os fãs de thrillers cibernéticos e filmes de ação. Quem procura uma experiência tensa e cheia de suspense vai sentir falta de muita coisa. Já os espectadores que gostam de thrillers cafonas e de baixo risco talvez encontrem algum divertimento no enredo previsível e nas atuações competentes.

A duração do filme é outro problema. Com 90 minutos, Hot Seat parece arrastado e esticado além da conta. O ritmo irregular se agrava com a falta de ação ou suspense envolventes, fazendo o filme parecer mais longo do que realmente é.

Um dos poucos pontos positivos de Hot Seat é a abordagem da paternidade. A relação de Orlando Friar com a filha, Zoey (Anna Harr), acrescenta uma camada de profundidade emocional ao filme. No entanto, o tema é pouco desenvolvido e parece ter sido incluído à força, em vez de ser parte essencial da história.

O final do filme é outra decepção. Depois de preparar o terreno para um confronto decisivo, Hot Seat perde força e chega a uma resolução apressada e insatisfatória. O embate final entre Orlando e Wallace não tem a tensão nem os riscos necessários para causar impacto.

Em termos de estilo visual, Hot Seat é, em grande parte, pouco memorável. A fotografia é funcional, mas não tem personalidade nem criatividade. As cores usadas no filme são apagadas, e a iluminação costuma ser chapada e sem inspiração. A direção de arte também não impressiona, com cenários genéricos e fáceis de esquecer.

O desenho de som é outra área em que o filme fica devendo. A trilha sonora é esquecível e não reforça a tensão nem os momentos emocionais. Os efeitos sonoros são igualmente pouco marcantes, e as explosões e os tiros não têm impacto.

Do ponto de vista histórico, Hot Seat parece deslocado em relação aos thrillers cibernéticos contemporâneos. Filmes como The Girl with the Dragon Tattoo e Sneakers elevaram o nível do gênero, e Hot Seat não consegue acompanhá-los. Falta ao filme a sofisticação técnica e a profundidade narrativa dessas produções, o que o faz parecer datado e irrelevante.

Em termos de impacto cultural, é pouco provável que Hot Seat deixe uma impressão duradoura. É um título esquecível no gênero dos thrillers cibernéticos, que provavelmente será ofuscado por filmes mais marcantes.

Em resumo, Hot Seat é um thriller cibernético mediano, que não faz jus à sua premissa promissora. É previsível, cafona e não tem o suspense nem a ação necessários para envolver o público. Kevin Dillon e Mel Gibson entregam atuações competentes, mas não conseguem elevar o material.

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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