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Uma conspiração de devaneios transforma Kamen Rider Zeztz em um thriller de fugitivo

Molly Se-kyung

Uma série de super-heróis costuma se despedir com a vitória do protagonista. Esta se despede com ele em fuga. A despedida nos cinemas de Kamen Rider Zeztz começa com seu herói mascarado acusado de explodir um prédio do governo em que nunca tocou, o rosto em todas as telas do país e o público já convencido do veredito.

A aposta da narrativa é simples e cruel. O filme não esconde nada do espectador, que sabe que o herói é inocente, e ainda assim faz uma nação inteira agir como se ele não fosse. A caçada não é conduzida por uma célula nas sombras. É conduzida por um agente de segurança com distintivo e um plano, um homem que percebeu que o caminho mais curto para o poder é entregar um culpado à multidão e deixar a raiva dela fazer o trabalho.

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Ryutaro Imai sustenta essa virada como Baku Yorozu, o recruta sonhador que se transforma em Kamen Rider Zeztz. Mas o elenco que mais pesa está do outro lado. Shunta Sono vive Shuma Kumon, o funcionário que comanda a perseguição e que também é Kamen Rider Mugen, um rival cujo poder se alimenta de devaneios em vez da tecnologia de espionagem da série. O Nox de Yuki Furukawa, o aliado a quem Baku recorre quando o Estado para de ouvir, fecha um triângulo em que as únicas testemunhas do herói são as duas pessoas que o sistema já descartou.

Para quem chega de fora do mercado japonês, vale situar. Kamen Rider é a longeva linha tokusatsu da Toei, uma instituição televisiva no Japão em que um herói mascarado com estética de inseto enfrenta monstros e, cada vez mais, discute ética. Zeztz é a entrega atual, uma releitura de ficção de espionagem em que as missões têm tanto de engano quanto de combate. Kazuya Kamihoriuchi, presença frequente nos filmes recentes da franquia, dirige a perseguição, e Yuya Takahashi, roteirista-chefe da série, mantém a história dentro de sua ideia de origem: o sonho como infraestrutura. Se um sonho pode armar um herói, um devaneio também pode ser produzido em massa e mirado em alguém.

É aí que o filme vai além do monstro da semana. O plano de Kumon não busca a destruição por si só. Busca fabricar consenso. Ele não precisa derrotar Zeztz numa luta, e sim convencer um país de que já o derrotou. O adeus do título funciona em dois sentidos, como despedida da série e como expulsão forçada do herói da confiança pública, e o drama depende de a verdade conseguir correr mais que a história que a multidão prefere acreditar.

Até onde um longa de verão de 63 minutos consegue levar essa ideia é a pergunta justa. Os filmes de Rider feitos para as férias escolares costumam se resolver com limpeza e funcionar como ponte para a próxima série, e este não é exceção: semeia a chegada do novo Rider antes da troca de geração da franquia. O enquadramento paranoico pode acabar como uma fantasia vestida de leve, com a conspiração arrumada a tempo de o cinturão se acender. Ainda assim, eleger a raiva coletiva como arma dá ao desfecho uma carga surpreendentemente atual: o vilão vence pela narrativa, não pela força, e o problema do herói é menos uma luta do que um consenso que ele não consegue quebrar.

The ensemble cast of Kamen Rider Zeztz Farewell Mission in 2026
The titular hero of Kamen Rider Zeztz: Farewell Mission (2026)

O filme é exibido como uma das duas metades de uma sessão dupla, ao lado de Super Space Sheriff Gavan Infinity: The Day the Sun Cried, dentro da programação de verão da Toei, o hábito do estúdio de reunir duas de suas franquias de heróis em um único ingresso para o período de férias. Entre o elenco que retorna estão Kosei Amano e Maho Horiguchi, enquanto os protagonistas da próxima série aparecem cedo para preparar a passagem de bastão. Yuta canta o tema, «Dreams Never Sleep».

Kamen Rider Zeztz: Farewell Mission estreia nos cinemas japoneses em 24 de julho de 2026, com 63 minutos de duração dentro do programa duplo de verão. Não há estreia confirmada no Brasil, e o mais provável é que o público fã da franquia o encontre pelas janelas posteriores de vídeo doméstico e streaming, e não nos cinemas.

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