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Leah Remini entra para ‘The Real Housewives of Beverly Hills’: a contratação mais explosiva da Bravo em anos

Liv Altman

Existe um tipo específico de artista de televisão que passa uma carreira aprendendo a acertar a marca, e a seguinte se recusando a fazer isso. Leah Remini é essa artista, e a notícia de que ela está entrando para The Real Housewives of Beverly Hills chega com mais barulho do que a troca de elenco habitual — porque ela está entrando, de propósito, no formato mais rigidamente coreografado da televisão americana, uma máquina feita para fazer artifício parecer sinceridade.

A versão óbvia dessa história se escreve sozinha, e todo mundo já está escrevendo: a estrela de The King of Queens vai “mandar geral para aquele lugar”, Carrie Heffernan está chegando na Bravo, segura que vem chumbo. É uma leitura divertida, mas erra o alvo. Remini não é uma veterana de sitcom trocando um cheque da realidade. Ela é o único nome neste elenco cujo segundo ato inteiro foi construído sobre se recusar a dizer a fala aprovada — e Beverly Hills é um programa sobre quase nada além de falas aprovadas.

Pense na trajetória, porque a trajetória é a história. Remini começou como a esposa debochada, a escudeira que se afiou até virar protagonista, uma mulher muito boa em entregar o roteiro dos outros. Depois, saiu da Igreja da Cientologia e transformou a segunda metade da carreira em um ato de investigação institucional, apresentando uma série documental que tratou uma narrativa controlada como algo a ser aberto na câmera. Ganhou um Emmy por isso, duas vezes. Esse não é um currículo que sugira reverência a um produtor sussurrando no ponto eletrônico.

A franquia, por sua vez, poderia usar exatamente esse atrito. Um reality show tão avançado na sua trajetória sobrevive importando periodicamente uma figura de fora que ainda não conhece as regras — a recém-chegada que faz a pergunta errada no jantar errado e racha o verniz. A Bravo já jogou essa carta muitas vezes. Raramente contratou uma recruta tão constitucionalmente alérgica ao próprio verniz.

Essa é a verdadeira aposta, e ela tem dois gumes. Ou a máquina faz o que sempre faz — absorve a perturbadora, a lixa até virar uma “personalidade”, converte o ceticismo dela em um bordão recorrente — ou Remini faz com o formato o que fez com um alvo muito maior: tratar a própria produção como assunto, se recusar a fingir que as lágrimas não são produzidas, narrar o artifício de dentro dele. Um resultado é conteúdo. O outro é a coisa mais interessante a acontecer com esse programa em muito tempo. A Bravo tem que saber qual dos dois contratou.

Ela entra como integrante fixa do elenco, e chega atrasada — a produção já estava em andamento quando o nome dela veio à tona, e ela estava programada para começar a gravar.

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