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Saoirse Ronan quer ser a vilã de James Bond enquanto o marido desponta como o próximo 007

Liv Altman

A vilania tornou-se, discretamente, o posto mais cobiçado no reboot de James Bond. Enquanto a Amazon MGM desmonta a franquia até suas fundações sob o comando de Denis Villeneuve, a caça por um novo 007 transformou cada papel adjacente em um bem de prestígio — e nenhum mais do que o antagonista, a parte que historicamente cunhou carreiras e roubou a cena dos homens de smoking. Saoirse Ronan entende essa matemática. A quatro vezes indicada ao Oscar passou uma década provando que pode carregar ternura na tela; agora ela quer uma licença para ser cruel.

Em entrevista à Empire durante a divulgação de Bad Apples — o suspense em que interpreta uma professora que sequestra um aluno problemático — Ronan reforçou uma ambição que expressou pela primeira vez em 2024. “Eu disse que queria ser uma vilã de Bond e estou falando sério”, declarou à revista. “Quero mergulhar no lado sombrio.” Sua proposta é precisa: não outra femme fatale, mas “uma jovem vilã”, uma figura que, “especialmente para garotas e mulheres”, pudesse “pegar toda essa raiva reprimida e direcioná-la para algum lugar”. Soa menos como um pedido de elenco e mais como uma tese sobre quem pode ser perigoso na tela.

A ideia é menos absurda do que uma declaração de divulgação pode sugerir. Ronan já interpretou uma adolescente letal em Hanna, a história de uma assassina em conto de fadas de Joe Wright de 2011, e suas escolhas recentes — o drama sobre vício The Outrun, o perigo em tempos de guerra de Blitz de Steve McQueen — têm se afastado constantemente dos papéis de ingênua luminosa que a tornaram conhecida. Uma vilã de Bond seria o ponto final lógico dessa deriva, e uma franquia reconstruída para um público da era do streaming tem todo motivo comercial para querer uma mulher bancável e com currículo de prêmios como rosto da ameaça.

Há uma ironia adicional que a indústria não deixou passar. O próximo Bond ainda não foi escalado — Villeneuve dirige a partir de um roteiro de Steven Knight para as produtoras Amy Pascal e David Heyman, com os testes ainda em fase de seleção — e o atual favorito das casas de apostas para vestir o smoking é Jack Lowden, astro de Slow Horses que, por acaso, é marido de Ronan. Suas chances se consolidaram depois que o apresentador Richard Osman disse em seu podcast que Lowden estava sendo “fortemente considerado”, embora nenhuma oferta tenha sido confirmada.

Isso deixa um cenário literalmente incomum sobre a mesa: uma única casa potencialmente fornecendo tanto o 007 quanto a mulher que arquiteta sua queda. A Amazon MGM passou o último ano insistindo que reconstruirá Bond com “cuidado e profundo respeito”. Ronan, por sua vez, já decidiu de que lado da arma prefere estar.

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