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Táticas do Amor 2 sobrevive pela química do casal, não pelo roteiro

A sequência de Recai Karagöz para a Netflix repete a fórmula de 2022 com ritmo irregular.
Martha O'Hara
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Aslı, vivida por Demet Özdemir em Táticas do Amor 2, não acredita em casamento — e diz isso alto e em bom som. Aí o namorado, Kerem, concorda com ela sem pestanejar. É o suficiente para virar a mecânica do filme: ela passa o resto da trama tentando manobrá-lo até o pedido que jurou não querer. Dirigido por Recai Karagöz e escrito por Pelin Karamehmetoğlu, o longa turco é a sequência direta da comédia de 2022, com o mesmo trio no centro: Özdemir, Şükrü Özyıldız e Atakan Çelik.

A ideia de partida tem graça. Uma mulher que odeia a instituição do casamento, empenhada em ser pedida por puro orgulho, é material de sobra para uma comédia de erros bem construída. O problema é que o filme não confia nessa premissa o bastante para deixá-la respirar. Aslı ganha boas tiradas, mas a personagem nunca sai do primeiro rascunho. Kerem, por sua vez, fica de coadjuvante na própria história — reage, mais do que age —, e essa passividade nunca vira conflito de verdade; só serve de ponte para a próxima cena de gags.

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Ao redor deles gira o mesmo grupo de amigos do primeiro filme: Tuna (Atakan Çelik), Emir (Bora Akkaş), Cansu (Deniz Baydar), Ezgi (Hande Yılmaz) e Feride (Melisa Döngel), com Ceyhun Mengiroğlu completando o time. É gente de sobra para armar confusão, mas a maioria fica reduzida a plateia das peripécias de Aslı — presença no quadro, sem função na trama.

A direção de Karagöz não arrisca: seguir a cartilha da comédia romântica de streaming basta para entregar o filme, sem um traço visual que o distinga do lote de produções parecidas que a Netflix vem lançando na região. A fotografia de Istambul, cidade que concentrou as filmagens de 2023, tem seus méritos, mas funciona como pano de fundo bonito, não como escolha narrativa.

O roteiro de Karamehmetoğlu tem lampejos de humor certeiro, principalmente nas trocas mais rápidas entre os dois protagonistas. O problema está na arquitetura da história: cada obstáculo que Aslı inventa para forçar o pedido segue o mesmo compasso, e depois de meia hora já dá para prever a piada antes de ela acontecer. Faltou variar o mecanismo cômico, não só repeti-lo com roupagens diferentes.

Özdemir carrega o filme nas costas com uma energia que disfarça, por alguns minutos, a rasteza do texto; é ela quem faz a plateia torcer por Aslı mesmo quando o roteiro não dá motivo. Özyıldız cumpre com solidez o papel de quem apanha da história sem nunca revidar. Çelik e o restante do elenco de apoio arrancam risadas pontuais — não o bastante para inclinar a balança.

Falta originalidade, e é o problema central do filme: a fórmula é reconhecível demais, os arcos secundários somem sem resolução, e a trama principal nunca surpreende quem já viu uma comédia romântica turca antes. Ainda assim, como comédia romântica leve — o gênero a que se propõe — cumpre o combinado: entretém sem exigir muito da audiência, sem tentar ser mais do que isso.

A recepção fora da Turquia também não empolgou. Barbara Shulgasser-Parker, da Common Sense Media, deu 2 de 5 estrelas. Anweshak Tejendra, do The Envoy Web, foi um pouco mais generoso, com 2,5 de 5. Liz Kocan, da Decider, e Amanda Guarragi, do Ready Steady Cut, também cobriram o lançamento — sinal de que o filme, ainda que modesto, teve alcance suficiente para render nota em veículos fora do mercado turco.

Produzido pela Lanistar Media para a Netflix, com filmagens concentradas em Istambul ao longo de 2023, Táticas do Amor 2 estreou em 14 de julho daquele ano repetindo a aposta do primeiro filme na química entre Özdemir e Özyıldız. É essa parceria, mais do que o roteiro, que mantém o filme de pé.

No fim, sobra uma comédia romântica que faz o mínimo sem errar feio: diverte na medida certa, esquece-se rápido, e não convence ninguém de que precisava virar franquia.

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

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