Música

Carol Biazin entrega tudo nas seis faixas de ‘assumo os riscos’

Alice Lange

O novo EP de Carol Biazin já começa com o título empenhado. “assumo os riscos” — em português, “I assume the risks” — são seis faixas que se recusam a se explicar; chegam prontas, carregando o peso de uma decisão que claramente antecede a gravação.

O EP marca uma mudança na forma como Biazin enquadra seu trabalho. As escolhas de produção favorecem a exposição em vez do conforto: enquanto seus lançamentos anteriores construíam uma camada de calor como proteção entre a cantora e o ouvinte, “assumo os riscos” encurta essa distância. O risco nomeado no título não é retórico.

Seis faixas e mais de 108 mil reproduções no Last.fm — o público está crescendo, e segue um padrão reconhecível: ouvintes que localizam o catálogo de Biazin tendem a permanecer nele. Os 3.385 ouvintes dedicados na plataforma representam um núcleo já formado, não ainda em formação.

Biazin se posiciona numa tradição da canção brasileira em que a franqueza é ofício, não acidente — a borda confessional da MPB refinada através de estruturas de pop acústico que encontraram audiências internacionais nos últimos anos. “assumo os riscos” cai exatamente nessa corrente, sem persegui-la.

Seis faixas é um limite deliberado. Carol Biazin batizou este EP com precisão: cada decisão ali parece algo que ela concordou em suportar, e “assumo os riscos” sai ganhando com isso.

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