Tecnologia

Instagram testa um selo de ‘criador AI’ e deixa a decisão a critério dos criadores

Susan Hill

O Instagram está colocando no ar o sinal mais direto até agora de que uma conta funciona com inteligência artificial: um selo no nível de perfil que diz “Este perfil publica conteúdo que foi gerado ou modificado com AI”. Tem uma ressalva que define a função inteira — ligar o selo fica totalmente nas mãos do criador.

O novo selo de “criador AI” aparece em dois lugares. Ele fica em destaque na página de perfil do criador e acompanha os posts e Reels dele quando esses conteúdos aparecem em outras áreas do app — no feed, no Explorar, dentro do Reels. A redação é bem mais explícita do que as etiquetas “AI info” atuais da Meta, que só sugerem que um post “pode” ter sido criado ou editado com uma ferramenta AI. O novo selo não fica em cima do muro.

Para os usuários, o efeito prático quando uma conta opt-in está na frente é real. Saber que tudo o que sai de um perfil é gerado por AI muda como aquele perfil é lido — o que as fotos pretendem, o que as histórias afirmam, o que as cenas de estilo de vida insinuam. A mensagem interna do Instagram para o criador apresenta isso como benefício: “Este selo gera confiança ao ajudar o seu público a entender o que está vendo no Instagram.” A Meta descreve o esforço mais amplo como elevar o nível de transparência sobre AI.

O desenho opt-in é onde a imagem perde força. As contas com mais chance de enganar o espectador sobre o conteúdo ser real são as mesmas com menos chance de declarar voluntariamente que funcionam com AI. Compare as opções que a Meta poderia ter escolhido. A plataforma poderia ter ligado o selo por padrão, torná-lo obrigatório ou reduzir o alcance das contas que se recusam a se rotular. Nenhuma dessas opções está em jogo. O próprio Comitê de Supervisão da Meta já observou separadamente que as divulgações de AI existentes são aplicadas de forma desigual, porque a Meta não tem um jeito confiável de detectar o conteúdo gerado por AI que passa pelos seus apps.

O resultado é um sistema que depende da boa vontade da categoria de usuário mais investida do Instagram. Qualquer um que opere um personagem AI rentável — influenciadores fictícios, contas de estilo de vida geradas por AI, páginas de moda com modelos AI — tem um incentivo financeiro direto para não anunciar que o conteúdo é sintético. O selo é mais útil como ferramenta para criadores estabelecidos que usam AI ocasionalmente e querem jogar limpo, menos útil como defesa contra as partes da enxurrada de AI que a empresa, ao que tudo indica, está justamente tentando enfrentar.

Tem ainda a pergunta do que o selo significa para criadores que usam AI como uma ferramenta entre várias. Um fotógrafo que faz upscaling, um editor de vídeo que usa redução de ruído por AI, um criador de estilo de vida que de vez em quando passa uma imagem em uma ferramenta generativa — todos cairiam tecnicamente em “gerado ou modificado com AI”. A Meta não detalhou onde fica a linha entre assistência AI que dispara o selo e assistência AI que não dispara.

O teste está sendo liberado de forma gradual. Não há data anunciada para uma expansão maior, nenhum compromisso de tornar o selo obrigatório e, por enquanto, nenhum sinal de que a rotulagem AI vai se conectar aos algoritmos de distribuição do Instagram. O verdadeiro teste da função não vai ser o rollout — vai ser se as contas que mais mereceriam o selo chegam a ativá-lo algum dia.

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