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Cidade de Sangue estreia no Disney+: em Berlim, o sangue virou moeda e os vampiros mandam

Camille Lefèvre

Duas irmãs, separadas quando crianças, se reencontram em uma Berlim que aprendeu a precificar a vida humana por litro. Essa é a aposta de Philipp Kadelbach em City of Blood, um thriller distópico de oito episódios em que os vampiros não se escondem mais na escuridão. Eles comandam o crime organizado que mantém a cidade em movimento, e estão atrás da única coisa que o crime não pode simplesmente comprar: poder político.

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A premissa soa como horror gótico, mas a série é construída como economia política com presas. City of Blood é adaptada de Berlinoir, a graphic novel alemã do ilustrador Reinhard Kleist e do escritor Tobias O. Meissner, e estreia no Disney+ internacionalmente e no Hulu nos Estados Unidos. Lea Drinda interpreta Bea Hoffmann e Soma Pysall interpreta sua irmã Phoebe Kaya; a reunião delas é o pavio que acende a trama.

Kadelbach não é um diretor de gênero por ofício, e é isso que torna a escolha interessante. Ele se destacou com Generation War, o drama histórico que discutiu como alemães comuns se comportavam dentro de uma máquina projetada para consumi-los, e depois dirigiu a versão alemã de Perfume. A distopia vampiresca parece uma guinada, mas seu verdadeiro assunto não mudou: o que as pessoas se tornam quando o sistema ao redor funciona à base de apetite.

O mundo que ele e a cocriadora Elena Lyubarskaya constroem é estratificado por design. Uma minoria privilegiada vive sob uma cúpula totalmente climatizada enquanto o resto da cidade, destruída pelo colapso climático, fica entregue à corrupção e à violência. Nesse arranjo, o vampirismo deixa de ser uma maldição e vira um modelo de negócios. Sangue é dinheiro, a escassez é fabricada, e os predadores ficam no topo do mercado, não à espreita nas margens. A pergunta que o trailer não para de rondar é a que o título sugere: quem é o maior perigo aqui, os humanos ou os vampiros?

Essa premissa soa como alegoria antes mesmo de uma presa ser mostrada. Uma cúpula climatizada para poucos enquanto muitos ficam no calor é adaptação climática organizada por riqueza, desenhada em uma imagem limpa. Transformar sangue em moeda converte um motivo familiar de horror em uma declaração sobre extração: o valor flui para cima, o corpo é a matéria-prima, e as pessoas no topo arranjaram as regras para que seu apetite pareça governança. O vampiro, nessa leitura, é menos uma criatura do que uma classe.

Há também uma memória mais longa em jogo. O vampiro foi, em certo sentido, ganhando sua gramática cinematográfica nas telas alemãs, em Nosferatu, de Murnau, filmado na Berlim ansiosa dos anos de Weimar. Um século depois, City of Blood devolve a figura à mesma cidade e drena o romantismo dela. A série pertence menos à tradição do sedutor forasteiro do que à distópica que Dark e 1899 transformaram no gênero mais exportável da Alemanha, onde o horror é uma estrutura da qual você não pode sair, e não uma criatura da qual você pode fugir.

A fonte em graphic novel dá à série uma espinha dorsal que conceitos de sala de roteiristas muitas vezes não têm. Berlinoir chega com uma imaginação política específica já anexada, e a adaptação mantém sua ideia central intacta: uma metrópole onde o poder tem apetite e a cidadania é uma questão de quanto vale o seu sangue. Esse é o alicerce que impede a série de virar um monstro da semana e a aponta para a alegoria. Também se encaixa em um padrão europeu mais amplo, em que os quadrinhos e as graphic novels se tornaram a rota mais confiável do continente para propriedade intelectual de gênero que um estúdio pode construir em escala.

O elenco sinaliza ambição de prestígio, não de pulp. Ao lado de Drinda e Pysall, o time reúne uma bancada profunda de atores alemães de tela, incluindo Lars Eidinger, Jördis Triebel, Dagmar Manzel e Melika Foroutan, com Franz Hartwig como Johan Moderson. Essa profundidade de elenco importa: diz que a produção quer ser lida como drama sério que por acaso tem vampiros, não o contrário. Eidinger, em particular, carrega certa autoridade de cinema de arte de seu trabalho no palco e na tela que uma simples história de criatura não teria utilidade.

A escala é incomum para a televisão alemã. City of Blood foi produzida pela Amusement Park Film, o estúdio de Berlim por trás de All Quiet on the Western Front, a adaptação de 2022 que venceu quatro Oscars, e foi filmada em cerca de 110 dias, com Praga e outras cidades tchecas fazendo as vezes da capital arruinada. Isso é musculatura de filme de longa-metragem aplicada a um gênero que o prestígio alemão raramente abraça com esse orçamento, e está sendo gasta em uma história deliberadamente enraizada em uma cidade alemã, não em uma distopia sem lugar.

Para o Disney+, a aposta é igualmente precisa. Um tentpole de gênero em alemão, com oito episódios, colocado em uma plataforma global é um sinal de onde os streamers agora esperam que venha a próxima onda de drama exportável: talento local, com circulação em festivais, fazendo trabalho em escala de franquia. Dark provou que uma série alemã podia viajar em sua própria língua; City of Blood testa se uma distopia vampiresca caseira pode fazer o mesmo na maior prateleira possível.

O que a série se propõe não é a questão de se as irmãs sobrevivem, mas o que uma reunião pode restaurar em uma cidade que já separou seu povo entre os protegidos e os descartáveis. Se sangue é moeda, o parentesco é a única coisa que o mercado ainda não descobriu como precificar. City of Blood parece mais interessada em saber se isso continua verdade quando as irmãs são puxadas para o centro de uma guerra que nenhuma delas escolheu.

City of Blood estreia em 16 de setembro de 2026, com streaming no Disney+ nos mercados internacionais e no Hulu nos Estados Unidos. A série limitada em alemão tem oito episódios, dirigida por Philipp Kadelbach e criada com Elena Lyubarskaya, adaptada da graphic novel Berlinoir, de Reinhard Kleist e Tobias O. Meissner.

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