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MOURINHO na Netflix: os jogadores finalmente respondem ao homem que ergueu um muro ao seu redor

Jack T. Taylor

José Mourinho passa um quarto de século garantindo que a câmera enquadre ele, e não o jogo. A corrida pela lateral de Old Trafford na noite em que seu Porto eliminou o Manchester United. O sprint pelo gramado do Camp Nou depois que sua Inter sufocou o Barcelona. As entrevistas que pegavam a vantagem do rival e a devolviam como ofensa. Nada disso era temperamento. Era decisão: um treinador erguendo um muro em volta dos seus jogadores e desafiando o resto do mundo a se estatelar nele.

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Um documentário em três partes vai agora atrás do homem por trás dessas decisões, e chega com uma quantidade incomum dele diante da câmera. Filmado ao longo de dois anos, entrega seu protagonista às únicas pessoas capazes de dizer se o Special One era um personagem ou uma pessoa: os jogadores que o seguiram e os rivais que o queriam fora.

A série vem do time que fez Beckham. Produz John Battsek, duas vezes vencedor do Oscar, e dirige Joe Pearlman. Essa linhagem importa, porque o estilo da casa não é a compilação de gols: é a espera paciente pelo instante em que um homem que controla a própria imagem esquece de atuar.

No lugar de uma confissão, o filme tem uma lista de testemunhas que parece uma escalação de duas décadas. Sir Alex Ferguson, o rival que o venceu e ainda assim o respeitou. John Terry, Frank Lampard e Didier Drogba do Chelsea que virou fortaleza. Iker Casillas e Marcelo dos anos de Real Madrid que racharam um vestiário. Zlatan Ibrahimović, Samuel Eto’o e Javier Zanetti da Inter que ganhou tudo em uma só temporada.

O método

O método aparece melhor num dado: aquele primeiro Chelsea sofreu quinze gols numa temporada inteira de liga, um recorde que ninguém superou. Terry, Ricardo Carvalho, Claude Makélélé e Petr Čech viraram uma unidade que defendia a própria área como território disputado. Drogba disse que aquele grupo atravessaria uma parede por ele. O truque de Mourinho foi fazer a parede parecer necessária.

A história começa onde nasceu a lenda: um ex-tradutor leva um Porto sem glamour à frente de clubes muito mais ricos até a Copa dos Campeões, e dispara. Dali saíram títulos em quatro países e uma segunda Champions com a Inter. A calma nunca foi o produto; o atrito, sim.

MOURINHO é uma série limitada em três partes, produzida por Battsek e Miles Coleman para a Ventureland e dirigida por Pearlman. A Netflix estreia mundialmente em 11 de agosto, com seu protagonista de volta ao Real Madrid, vivendo um terceiro ato. O que vale são as costuras: os segundos em que Ferguson ou Casillas descrevem um homem que o personagem foi construído para esconder.

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