Negócios e finanças

Arm Holdings lança chip de servidor e passa a competir com Nvidia e Amazon

Victor Maslow

Por trinta anos, a Arm Holdings projetou os conjuntos de instruções que alimentam todos os principais smartphones do mercado, cobrou royalties sobre esses projetos e nunca fabricou um chip físico. Esse modelo agora está mudando.

A introdução de sua CPU de servidor AGI marca uma das mudanças estratégicas mais consequentes na indústria de semicondutores: a empresa que criou a arquitetura que seu smartphone usa agora está vendendo um chip físico diretamente para o mercado de data centers que Nvidia, Amazon e Google gastaram bilhões para dominar. As empresas que construíram impérios de computação sobre a arquitetura da Arm agora a enfrentam como rival.

O timing é deliberado. O mercado de CPUs para data centers, que a Arm originalmente projetava em US$ 100 bilhões até 2031, foi revisado para cima para US$ 220 bilhões por Nvidia e AMD, à medida que a demanda por computação de inteligência artificial acelera. A Arm quer uma participação direta nesse mercado, não apenas royalties sobre chips fabricados por seus clientes.

A tensão do modelo de negócios é estrutural. A Nvidia licencia a arquitetura Arm. O mesmo faz a Amazon com seus chips de servidor Graviton, e também a Alphabet. Esses não são clientes periféricos — eles geram receita significativa de royalties. Entrar no mesmo mercado diretamente significa que a Arm agora compete por contratos de design dos quais seu negócio de licenciamento depende. Empresas de PI que tentaram essa transição historicamente encontraram um caminho estreito.

Os céticos apontam para uma ação ainda negociada acima de 100 vezes o lucro futuro nas estimativas para o ano fiscal de 2027. O segmento de smartphones enfrenta ventos contrários devido aos custos elevados de memória. E a ambição do chip de servidor exigirá infraestrutura de cadeia de suprimentos e relacionamentos de distribuição que uma empresa de PI pura nunca manteve. O risco é que os clientes da Arm respondam reduzindo compromissos de licenciamento com um novo concorrente de hardware.

O que os números trimestrais mais recentes mostram é que a transição está ativamente em andamento. A receita de licenças atingiu US$ 574 milhões no trimestre, enquanto a receita de royalties atingiu US$ 715 milhões, com os royalties de data centers dobrando pelo segundo período consecutivo. A empresa projeta o ano fiscal de 2028 como o ano em que seu segmento de CPU de servidor ultrapassará US$ 1 bilhão em receita anual, apoiado por um backlog que descreveu como superior a US$ 2 bilhões. A orientação de receita para o segundo trimestre é de aproximadamente US$ 1,38 bilhão, consistente com um crescimento de 22% ano a ano.

O sinal que os investidores observarão mais de perto não é o tamanho do backlog, mas se esses contratos fecham com margens que justifiquem uma avaliação precificada para uma execução quase perfeita.

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