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George R.R. Martin e o livro mais esperado da literatura fantástica mundial

Penelope H. Fritz

Para um romancista, há problemas piores do que ter leitores demais. George R.R. Martin trabalha há mais de uma década em The Winds of Winter, o sexto volume de As Crônicas de Gelo e Fogo — um manuscrito aguardado desde 2011, quando o quinto volume foi publicado. No intervalo, a adaptação da HBO transformou sua épica em um fenômeno global de dimensões que nenhum romance poderia alcançar sozinho. A pressão daí resultante não tem precedente na história literária moderna: centenas de milhões de pessoas conhecem os personagens, mas apenas cinco livros da história foram escritos.

Martin cresceu nos condomínios populares de Bayonne, Nova Jersey, lendo ficção científica em um conjunto habitacional onde o mundo mais amplo chegava principalmente pelas páginas impressas. Estudou jornalismo na Northwestern University — se formou com honras em 1970 e concluiu um mestrado no ano seguinte — e essa formação lhe deixou menos uma vocação do que uma disciplina: a insistência do repórter de que cada frase carregue informação. Sua primeira venda profissional apareceu em 1971. Ele tinha vinte e dois anos.

A década seguinte o estabeleceu como uma das vozes mais versáteis da ficção científica norte-americana. Prêmios Hugo e Nebula se acumularam. «A Song for Lya» ganhou o Hugo em 1975; «Sandkings» levou ambos em 1980. Quando seu terceiro romance fracassou comercialmente em 1983, esse revés o levou para Hollywood, onde escreveu para a televisão por quase uma década. Os roteiros lhe ensinaram compressão narrativa. A indústria lhe deu a convicção de que era romancista.

A Guerra dos Tronos apareceu em 1996 para um público que não fazia ideia do que estava recebendo. Martin havia construído Westeros a partir de uma cena que surgiu espontaneamente — lobos gigantes, um cervo morto — e da convicção de que a fantasia vinha operando com cautela demais. A série que seguiu — sequências de As Crônicas de Gelo e Fogo — cumpriu essa convicção sem piedade. Personagens principais morriam. Heróis eram executados. O sistema moral no centro da história destruía pessoas independentemente de sua virtude.

O centro não resolvido da identidade pública de Martin é The Winds of Winter. Game of Thrones estreou na HBO em 2011 — o mesmo ano em que o quinto volume finalmente apareceu, quase seis anos após o anterior. A série ultrapassou os livros e entregou seu próprio final em 2019. Esse final foi recebido com reações que variavam de decepção a hostilidade aberta. Martin indicou que a versão literária será diferente. Enquanto isso, o manuscrito acumula cerca de 1.100 páginas — aproximadamente três quartos do total. Nenhuma data de publicação anunciada.

Fogo e Sangue (2018) demonstrou que Westeros não era um cenário que o esgotava. Ele continuou como produtor executivo de House of the Dragon. Martin mora em Santa Fe, no Novo México, com sua esposa Parris McBride, e é dono do Jean Cocteau Cinema, que reabriu em 2013.

The Winds of Winter está pendente há quatorze anos. Martin construiu um reino e deixou uma porta aberta.

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