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H. P. Lovecraft: inventou o horror cósmico, morreu desconhecido e hoje é cultuado no mundo todo

Penelope H. Fritz

Lovecraft tinha uma tese e a sustentou em cada história que escreveu: os seres humanos não são protagonistas do universo. Chegamos há pouco tempo, partiremos em breve, e o cosmos não sabe e não se importa. Ele chamou isso de cosmicismo. Transformou em ficção. Morreu sem que quase ninguém percebesse.

O problema não era a ideia. Era a prosa. Lovecraft escrevia com uma densidade e um vocabulário que os editores da época achavam impossíveis de vender. A revista Weird Tales, publicação de ficção pulp onde saiu a maior parte do seu trabalho, era a exceção: publicava o que o resto rejeitava. O mercado geral nunca o entendeu.

Howard Phillips Lovecraft nasceu em Providence, Rhode Island, filho de uma família que perdeu sua fortuna quando ele ainda era criança. O pai foi internado quando Lovecraft tinha três anos; o avô, que o criou e o introduziu à literatura gótica, morreu quando ele tinha catorze. A partir daí, a vida foi uma série de contrações: econômicas, sociais, de saúde. Não terminou o ensino médio. Vivia de madrugada, escrevia de madrugada, e se comunicava com o mundo principalmente por cartas — estima-se que enviou mais de cem mil ao longo da vida.

Os anos mais produtivos foram entre 1926 e 1935. O Chamado de Cthulhu (1928) é o texto fundacional: uma cosmologia do terror construída em torno de entidades antigas que existem além da compreensão humana. A Cor que Caiu do Espaço (1927) alcança o mesmo efeito com recursos de ficção científica. O Horror em Dunwich (1929), Nas Montanhas da Loucura (1936), A Sombra sobre Innsmouth (1936) ampliam o universo até ele se tornar uma mitologia completa.

Em 1924, casou-se com Sonia Haft Greene e se mudou para Nova York. A cidade o esmagou. Voltou a Providence dois anos depois e não saiu mais. Morreu em 15 de março de 1937, de câncer intestinal, na pobreza.

O racismo de Lovecraft é parte inseparável de sua história. Suas ideias raciais eram explícitas o suficiente para que pesquisadores debatam há décadas como sustentar a obra e o homem ao mesmo tempo. Durante trinta anos, o Prêmio Mundial de Fantasy usou sua imagem como troféu. Em 2015, após pressão de escritoras como Nnedi Ofofor — que havia ganhado o prêmio —, o troféu foi redesenhado. A discussão que gerou essa mudança continua aberta: Lovecraft é hoje um clássico em disputa, uma figura cuja obra foi reclamada e subvertida por escritores das comunidades que sua ficção mais desumanizou.

Quase noventa anos depois de sua morte, o universo que criou ainda gera novas formas. Em 2026, foram lançadas novas adaptações em quadrinhos e uma novela gráfica sobre seus últimos dias; festivais em sua homenagem acontecem anualmente em vários países. A pergunta que sua obra deixa em aberto não foi respondida por Lovecraft. Outros continuam respondendo, e com respostas muito diferentes.

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