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Disney encaixa um Madrigal de Encanto na franquia Descendentes em País das Maravilhas Malvado

Veronica Loop

A franquia Descendentes, do Disney Channel, foi erguida sobre uma premissa durável — os filhos adolescentes dos vilões clássicos negociando o negócio de família de ser do mal — e seu capítulo mais recente transforma essa premissa numa história sobre consequências. País das Maravilhas Malvado começa num mundo que seu antecessor já havia reescrito: a Rainha de Copas foi tornada bondosa, a Cinderela está a salvo, e é justamente esse final arrumadinho que azeda.

Mexer no passado, argumenta o filme, não encerra uma história — abre uma nova. Uma vilã redimida deixa uma vaga, e nela entra Maddox Hatter, produto da linha do tempo alterada que sequestra a Rainha de Copas e arrasta a trama para baixo, rumo ao País das Maravilhas. A equipe de resgate montada para trazê-la de volta é a verdadeira declaração de intenções da franquia — uma coalizão de filhos de heróis e de vilões reunidos menos pelo destino do que pela cartografia corporativa.

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Kylie Cantrall volta como Red, filha da Rainha de Copas e protagonista designada do reboot, e o elenco à sua volta diz que tipo de filme este quer ser — uma ponte construída para levar o público de uma era da série para a seguinte. Rita Ora interpreta a Rainha de Copas como ameaça de pantomima recolocada em termos de vínculo materno; Chloe, de Malia Baker, e Pink, de Liamani Segura, completam o jovem elenco, enquanto Leonardo Nam fornece o antagonismo inédito como Maddox Hatter e Brendon Tremblay vive seu filho, Max.

A presença de Brandy Norwood é, por si só, um gesto de memória da franquia. Ela interpretou Cinderela pela primeira vez no musical televisivo de Rodgers e Hammerstein, um marco de escalação consciente de raça na Disney, e seu retorno costura essa história por dentro de um produto voltado a espectadores jovens demais para tê-lo visto. É uma escolha de elenco que cumpre dupla função: um chamariz para os pais que assistem ao lado dos filhos e um sinal de que a franquia está curando sua própria linhagem em vez de apenas estendê-la.

O nome mais revelador na lista de presença é o de Alexandro Byrd, que vive Luis Madrigal. Luis é escrito como filho de Luisa Madrigal, o que anexa discretamente um canto de Encanto à continuidade de Descendentes. Isso não é uma ponta; é uma tese sobre como a Disney hoje administra suas propriedades musicais — como um único inventário interoperável cujos personagens podem ser retirados de um sucesso e depositados em outro. País das Maravilhas Malvado é onde essa lógica deixa de ser teoria de fã e vira texto na tela.

Kimmy Gatewood dirige, uma atriz que virou cineasta cujo trabalho tem pendido para o cômico e para a performance, aqui incumbida de um projeto de grande porte, carregado de efeitos, canto e dança, e de um vasto elenco jovem para conduzir. Suzanne Todd produz sob o selo Disney Kids and Family, a partir de um roteiro de Dan Frey, Russell Sommer e Tamara Chestna, construído sobre personagens que Sara Parriott e Josann McGibbon estabeleceram quando a série começou. A produção mantém intacto o estilo da casa: colorido, coreografado e projetado em torno de uma trilha sonora.

Essa trilha sonora não é acessória. Descendentes vende músicas com a mesma agressividade com que vende enredo, e o filme é encenado ao redor de números de destaque pensados para viajar além da exibição — para as playlists de streaming, para as turnês, para o chão do parque temático onde seus personagens já se apresentam. O cenário do País das Maravilhas concede à equipe de arte uma licença para cor saturada e para o nonsense carrolliano, e o filme a gasta à vontade, tratando o mundo do outro lado do espelho como pretexto para um maximalismo de figurino e de direção de arte.

O que País das Maravilhas Malvado não resolve é se a linha reiniciada tem um motor para além de suas próprias sequelas. O reboot aposentou os filhos de vilões originais e zerou o tabuleiro, e este capítulo gasta boa parte de sua duração administrando os efeitos desse reinício em vez de propor uma nova razão para continuar assistindo. Incorporar mecânicas de manipulação temporal e um Madrigal emprestado compra novidade, mas também empurra um musical sobre identidade herdada para algo mais próximo da contabilidade de propriedade intelectual — o espetáculo fazendo as vezes de uma história que só esta franquia poderia contar.

Kylie Cantrall as Red in the Disney film Descendants Wicked Wonderland 2026
Kylie Cantrall in Descendants: Wicked Wonderland (2026)

Nada disso arranhou a lógica comercial. Descendentes segue sendo uma das poucas propriedades confiavelmente musicais e confiavelmente vendáveis em produtos que o Disney Channel ainda cunha, e seu público circula — para as trilhas sonoras, para as turnês e, cada vez mais, para um serviço de streaming que precisa de títulos familiares mais do que de prestígio. A métrica interessante já não é a audiência de uma noite, e sim a retenção: por quanto tempo o filme se sustenta no Disney+ e quantos novos espectadores ele redireciona de volta para o catálogo que carrega atrás de si.

Descendentes: País das Maravilhas Malvado chega com o mesmo padrão de lançamento simultâneo que a Disney tem adotado para a franquia, empurrando o espetáculo do canal para o streaming. Chegou ao Disney+ em 17 de julho. Duração: 98 minutos. Seja ele o começo de uma segunda era duradoura para Descendentes ou apenas um compasso de espera bem montado, a Disney já resolveu a única pergunta que trata como urgente: os filhos dos vilões ainda vendem.

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