Música

Rita Ora tem 13 sucessos no top 10 britânico e ganhou na justiça contra Jay-Z

Penelope H. Fritz

Na aritmética do pop britânico existe uma anomalia que a indústria nunca processou direito. Rita Ora tem treze singles no top dez do Reino Unido — mais do que qualquer outra artista feminina britânica antes dela — mas o nome dela quase não aparece nas conversas sobre o que a música britânica produziu no século XXI. Não é que os dados não existam. É que a pergunta sobre o que fazer com eles sempre foi mais fácil de adiar do que de responder.

Ela nasceu Rita Sahatçiu em Pristina, no Kosovo, e veio para Londres com pouco mais de um ano de vida, junto com a família que fugia da perseguição aos albaneses nos Bálcãs. A mãe virou psiquiatra; o pai abriu um pub em Notting Hill. A casa tinha uma relação particular com cultura e história: o avô materno foi cônsul albanês na Rússia; o avô paterno era diretor de cinema e teatro. Quando adaptaram o sobrenome albanês, a família acrescentou «Ora» — a palavra albanesa para «tempo» — para facilitar a pronúncia. Rita estudou na Sylvia Young Theatre School e assinou com a Roc Nation, de Jay-Z, aos dezoito anos.

A estreia foi direta, sem hesitação. Seu primeiro single solo, «R.I.P.», com Tinie Tempah, foi direto para o número um no Reino Unido; «How We Do (Party)» veio logo depois. Ela se tornou a única artista a colocar quatro singles consecutivos no top dez britânico no mesmo ano. O álbum de estreia, Ora, entrou diretamente no número um dos álbuns. A estatística que teria parado qualquer jornalista musical na faixa, com outro nome, foi tratada como contexto.

O que veio depois é mais fácil de descrever por categorias do que em narrativa contínua. Cinema: três aparições na saga Cinquenta tons de cinza como Mia Grey; a Dra. Ann Laurent ao lado de Ryan Reynolds em Detetive Pikachu; a Rainha de Copas em Descendants: The Rise of Red, do Disney+. Televisão: jurada do The X Factor UK e coach do The Voice UK no mesmo ano, depois três temporadas no The Voice Australia e três apresentações do MTV Europe Music Awards. Colaborações de moda com Adidas, Calvin Klein e Primark. Embaixadora da UNICEF no Reino Unido. A ambição era total; o reconhecimento crítico, seletivo.

Seu segundo álbum, Phoenix, chegou em 2018 — seis anos depois do primeiro, sem ter a ver com falta de criatividade. Em 2015, Ora entrou com ação judicial contra a Roc Nation, alegando que a gravadora a impediu de lançar música enquanto mantinha o controle contratual. O caso foi resolvido em 2016. Ela assinou com a Atlantic Records. O episódio foi uma lição sobre poder na indústria musical — e foi um processo que ela ganhou. Phoenix trouxe «Let You Love Me», que garantiu o décimo terceiro top dez e quebrou um recorde de trinta anos. O terceiro álbum, You & I, estreou em sexto lugar no Reino Unido em 2023. Um quarto álbum está confirmado para 2026, junto com sua primeira turnê completa desde Phoenix.

A ação judicial oferecia à imprensa musical um enquadramento claro para falar de Ora — o de uma artista que identificou os termos de sua própria exploração, os nomeou num tribunal da Califórnia e saiu vitoriosa — que nunca foi aplicado com consistência. O que recebeu mais atenção naquele período foi a infração das restrições da Covid em novembro de 2020: um jantar de aniversário num restaurante londrino depois de voltar de uma filmagem, com multa de dez mil libras. A desproporção entre essa cobertura e a que mereceu seu décimo terceiro hit no top dez é, nesse ponto, um dado em si mesmo.

O que ela construiu em paralelo sugere que o recorde musical sempre foi só uma parte do quadro. Um documentário com oito anos de imagens gravadas por ela mesma acompanha o quarto álbum. Ela retoma a Rainha de Copas em Descendants: Wicked Wonderland e faz a voz principal em ViQueens, um filme de animação sobre vikings previsto para o fim de 2026. Casou com o cineasta neozelandês Taika Waititi — que dirigiu o clipe de «All Natural» — em agosto de 2022 e mora em Los Angeles. Tem dupla cidadania britânica e kosovar e foi nomeada Embaixadora Honorária do Kosovo. É embaixadora da UNICEF no Reino Unido.

Quarto álbum, turnê pela Austrália e Nova Zelândia, documentário de oito anos: Rita Ora aos 35 está focada num projeto de documentação. Se a conversa cultural vai alcançar a aritmética é, neste ponto, a única pergunta que falta responder.

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