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Elsa Aguirre morre aos 95: o cinema mexicano perde um rosto da Época de Ouro — e muito mais que isso

Camille Lefèvre

Os obituários chegam, quase em uníssono, à mesma palavra: rosto. Elsa Aguirre, que morreu, está sendo homenageada em todo o México como um dos últimos rostos vivos da Era de Ouro do cinema do país — e a frase, pretendida como pura homenagem, repete silenciosamente os mesmos termos sob os quais sua época a contratou. A mitologia de meados do século do cinema mexicano foi construída em torno de mulheres que eram fotografadas com muito mais frequência do que para as quais se escrevia.

Aguirre chegou aos estúdios da maneira que o sistema preferia que suas mulheres chegassem — não do palco, de uma companhia ou de uma escola de teatro, mas de um concurso de beleza, descoberta ainda adolescente por uma produtora e colocada quase imediatamente diante das câmeras. A Era de Ouro que hoje canonizamos como um cinema de autores — as composições grandiosas, os grandes diretores e seus cinegrafistas, as retrospectivas que levam seus nomes — foi também uma fábrica que classificava suas atrizes primeiro pelo rosto e, em segundo lugar, muito distante, pela versatilidade.

E, no entanto, o acervo que ela deixa resiste a essa classificação. Em cerca de quatro dezenas de filmes, ela transitou pela comédia, pelo musical rancheiro, pelo melodrama, pela ação e pela fantasia, contracenando com quase todos os ídolos masculinos que o período produziu — Pedro Infante, Jorge Negrete, Pedro Armendáriz, Arturo de Córdova, Ignacio López Tarso. Em uma das imagens que seu país reprisará esta semana, Infante se vira e canta para ela; ela é a gravidade para a qual a canção é escrita, e o público guardou o momento por sete décadas. Atribua ao enquadramento do estúdio o crédito que quiser — a performance que sustenta aquele quadro é dela.

O argumento mais forte para Aguirre, no entanto, está fora da Era de Ouro por completo, no que ela fez depois que ela desmoronou. Quando o sistema de estúdios que a descobriu se dissolveu, as atrizes que ele havia definido pela juventude e pelo glamour foram, via de regra, descartadas junto com ele. Aguirre não foi. Ela continuou trabalhando — na televisão, nas telenovelas, em uma longa vida pública — por décadas depois que a máquina que a criou parou de funcionar, e ainda dava entrevistas, lúcida e totalmente senhora de si, aos seus noventa e tantos anos. Essa resistência é a parte que nenhum estúdio jamais roteirizou, e a parte que o obituário de ‘rosto bonito’ luta para abarcar.

Toda a sua geração de atrizes mexicanas foi mal servida pela forma como a Era de Ouro é lembrada: como um panteão de diretores e astros masculinos cantores, com as mulheres dispostas ao redor deles como decoração luminosa. As retrospectivas creditam os cineastas pela luz; raramente perguntam quem estava sob ela, ou o que ela estava fazendo com um papel que o roteiro mal se preocupou em lhe dar. A carreira de Aguirre se lê como uma correção permanente — evidência de que a agência, dentro daquele sistema, na maioria das vezes residia nas performances que seu enquadramento foi projetado para ignorar.

Aguirre tinha 95 anos. Sua morte foi confirmada pela Asociación Nacional de Intérpretes do México, que a chamou de uma das atrizes mais emblemáticas da Era de Ouro; nenhuma causa foi divulgada. Nascida em Chihuahua em 1930 e descoberta antes de sair da adolescência, ela foi homenageada no fim da vida por uma carreira que abrangeu mais de oito décadas, e havia falado há apenas alguns meses sobre cuidar da saúde, como ela mesma disse, até o último momento.

O último dos rostos da Era de Ouro se foi. O que sobrevive é a coisa mais difícil e melhor que a época estava deslumbrada demais para notar na ocasião — a atriz que sempre esteve ali por trás.

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