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Hayden Panettiere: a DEA entra na investigação de sua morte antes de o legista concluir

Veronica Loop

Agentes federais de combate às drogas não costumam, em regra, se vincular a um caso em aberto do legista. Por isso, a frase mais discreta na cobertura da morte de Hayden Panettiere é também a mais eloquente: a Drug Enforcement Administration entrou na investigação enquanto a causa e a forma oficiais de sua morte seguem indeterminadas. A DEA não investiga como uma pessoa morreu. Ela investiga de onde vêm as drogas. Sua presença muda a pergunta que está sendo feita.

A cobertura mais óbvia seguiu um arco conhecido — uma ex-estrela mirim, um livro de memórias franco sobre dependência, uma vida pública interrompida cedo demais. Essa versão é verdadeira, mas também incompleta. O que as reportagens de agências minimizam é o que, na prática, significa uma atuação federal: em algum ponto das investigações paralelas agora em curso, alguém está tratando uma possível substância controlada não como uma causa de morte a ser confirmada, mas como uma cadeia de distribuição a ser rastreada até sua origem.

Oficialmente, as circunstâncias do local seguem sem explicação. A polícia de Greenville, órgão responsável pelo caso, confirmou apenas o que os registros sustentam: Panettiere foi encontrada inconsciente e em parada cardíaca em um apartamento de Greenville no domingo, e as tentativas de reanimação fracassaram. O escritório do legista do condado tem sido cauteloso, afirmando que a causa e a forma da morte “permanecem pendentes de investigação adicional e da conclusão de estudos complementares”, sem sinais de trauma e sem indicação evidente de crime. O relatório policial não vai além de registrar que não se sabe se ela fazia uso de drogas ou álcool quando morreu. A DEA limita-se a dizer que “não confirma nem comenta investigações em andamento”.

O que transformou uma morte local em questão federal é algo restrito e específico. Segundo reportagem divulgada inicialmente pelo TMZ, paramédicos informaram à central de atendimento uma possível overdose, e Narcan — o medicamento que reverte overdoses — foi encontrado no apartamento. No atual cenário de repressão, isso basta para levar a agência à mesa. Crucialmente, não se trata de uma conclusão. Os exames toxicológicos não foram divulgados, e o namorado que estava presente quando ela morreu entregou aos policiais uma sacola com medicamentos que ela vinha tomando, cujo conteúdo não foi identificado nos registros públicos.

Eis a parte sobre a qual vale refletir. O aparato que trata uma suspeita de overdose como uma cadeia de fornecimento a ser processada — a lógica de “quem forneceu isso”, que impulsiona um número crescente de casos em que mortes geram processos — está sendo mobilizado em torno de um nome famoso antes mesmo de a causa da morte dela se tornar pública. Em princípio, trata-se da responsabilização funcionando como concebida: uma droga que mata é uma droga que alguém vendeu. A parte incômoda é a desproporção. Essa mesma urgência federal quase nunca se materializa para as mortes anônimas por overdose que passam toda semana pelo necrotério de um condado, sem que um único agente seja designado para qualquer uma delas.

Panettiere passou a fase final de sua vida pública recusando a versão arrumada de sua própria história. O livro de memórias que publicou apenas meses antes colocou no papel, com suas próprias palavras, dependência, recuperação, trauma e abuso — um ato de autoria sobre uma narrativa que outras pessoas há muito escreviam por ela. Há uma ironia, e não uma ironia confortável, em uma investigação que pode acabar reduzindo essa história a uma substância e a um fornecedor.

A resposta da DEA, quando vier, identificará uma droga e talvez a pessoa que a vendeu. Ela não explicará por que a máquina das consequências chega com rapidez para um nome que o público reconhece e em ritmo lento para os nomes que jamais reconhecerá.

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