Filmes

Os estúdios pedem cautela na fusão Paramount-Warner enquanto uma geração de criadores enche as salas de novo

No painel da Deadline com a Regal, os executivos pregaram paciência na consolidação e creditaram a uma onda de criadores o melhor verão desde 2019
Martha O'Hara

Por cinco anos Hollywood tratou a retomada das salas como um problema de oferta: poucos grandes lançamentos, janelas demais desmoronando no streaming. O recado dos chefes de distribuição e de exibição agora é outro: a recuperação tem menos a ver com os filmes que os grandes estúdios aprovam do que com quem consegue, de repente, fazer o público aparecer. A cautela diante da consolidação que redesenha os estúdios convive com algo perto do alívio: uma geração mais jovem, nascida na internet, resolveu um problema que o sistema herdado não conseguiu.

Como o Deadline revelou em seu painel « Future of Storytelling », realizado com a Regal, Adam Fogelson, da Lionsgate, pediu aos colegas uma postura de « esperar para ver » quanto à fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery, alertando que consolidações raramente entregam o que seus arquitetos prometem. Eduardo Acuna, presidente da Regal, traçou sua linha vermelha em termos operacionais: manter o número de filmes, proteger a janela de cinema e não confundir o cliente. Andrew Cripps, da Disney, e Blair Rich, da Legendary, completaram um painel mais interessado na demanda do que na aritmética do acordo.

Essa demanda está sendo reconstruída por nomes que o sistema de estúdios não criou. Fogelson e Michael Tiddes — diretor de « Todo Mundo em Pânico », sentado ao lado dos executivos — citaram Markiplier, Curry Barker e Kane Parsons, cineastas nascidos na internet que chegam com um público já reunido. « Um Filme Minecraft » rumo a um bilhão de dólares e « Todo Mundo em Pânico » com abertura mundial de 105 milhões são as provas apresentadas: não estrelas construídas pelo marketing, mas criadores que trouxeram a sua.

A lição que Blair Rich tirou de « Minecraft » foi a capacidade de reação — a campanha só engatou depois que a equipe virou para o retorno dos fãs —, enquanto Fogelson defendeu que o marketing precisa aprender agora « uma língua completamente diferente » para a geração Z e a geração Alpha, incluindo a disciplina de parar de entregar os filmes nos trailers. A nostalgia ainda rende: « O Diabo Veste Prada 2 », « Michael », da Lionsgate, e « Toy Story 5 » trazem de volta os adultos que se afastaram, mesmo com o painel concordando que a maioria dos circuitos ainda tem poucas das grandes salas premium que transformam uma primeira sessão em evento de redes sociais.

Os números dão cobertura ao otimismo: o verão de 2026 passou de US$ 1,6 bilhão, o melhor desde 2019, contra US$ 4,2 bilhões no ano. Mas o subtexto, mais áspero, de um painel realizado dentro de um multiplex em Sherman Oaks era inconfundível: os executivos que passaram uma década atrás de assinantes de streaming faziam nesta semana anotações com youtubers sobre como encher uma sala.

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