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House of Stassi: Stassi Schroeder volta ao reality e desta vez controla a edição

Liv Altman

Uma artista que perde seu programa normalmente não ganha o direito de escrever a sequência. Stassi Schroeder sim. Seu retorno à televisão reality chega sob uma bandeira amigável — a mulher que supostamente está tornando o gênero divertido de novo — mas o fato mais revelador é aquele que os trailers mantêm suave: desta vez ela não é uma integrante do elenco de uma série alheia. Ela é o assunto e, na prática, a autora. A volta por cima e a redenção estão sendo produzidas pela pessoa a quem pertencem.

Isso não é uma ideia nova, e sim a mais antiga que a televisão reality tem. O docu-soap familiar e acolhedor — a celebridade em casa, o cônjuge que tolera as câmeras, os filhos como agentes amenizadores — tem sido a ala de reabilitação do meio desde muito antes de existir streaming. Astros do rock, atletas e vítimas do fofocalho já passaram por ele, e o formato funciona porque reclassifica silenciosamente uma figura pública como privada. É difícil continuar com raiva de alguém enquanto se vê a pessoa discutindo sobre uma lava-louças. Schroeder, que conhece essa engrenagem por dentro, simplesmente saiu do elenco e foi para a sala de controle.

O que a embalagem amigável contorna é por que a engrenagem foi necessária. Schroeder foi demitida de Vanderpump Rules em junho de 2020, junto com Kristen Doute, depois que a ex-colega de elenco Faith Stowers descreveu como as duas chamaram a polícia para ela — associando-a falsamente a um furto noticiado em uma fofoca de tabloide sobre uma mulher negra não identificada. Bravo e sua produtora Evolution Media cortaram as duas na mesma semana; marcas como Billie, Secret Deodorant e Skrewball Whiskey se retiraram. Sua declaração na época não hesitou: “O que fiz com Faith foi errado. Peço desculpas e não espero perdão.”

House of Stassi, estreando no Freeform com exibição no dia seguinte no Hulu, é o outro lado dessa prestação de contas. A série monta os móveis reconhecíveis de sua vida — o marido Beau Clark, os dois filhos pequenos, a irmã e uma ou duas caras conhecidas de Vanderpump, entre elas Katie Maloney — e aponta as câmeras para o ordinário. Maternidade, trabalho, amizades sob pressão: a promessa é de drama sem consequências, tensão que você pode aproveitar justamente porque ninguém está arriscando o sustento.

É aí que “divertido de novo” faz seu trabalho silencioso. Diversão é o solvente do gênero; dissolve contexto. Uma série autoproduzida sobre a vida doméstica de uma mulher é, por definição, o único formato que não consegue interrogar aquilo que encerrou a última série dela — porque o assunto detém a edição. Os momentos mais honestos no lançamento são os que escapam do marketing. “Reality TV é tudo que eu conheço, e eu amo isso”, disse Schroeder, “mas também sou traumatizada por isso.” E: “Eu não ia deixar Vanderpump Rules ser meu legado.” Essas não são falas de alguém se divertindo. São falas de alguém gerenciando um registro.

Nada disso torna o show ilegítimo. Schroeder se desculpou, passou seus anos no deserto e tem tanto direito a um segundo ato quanto qualquer um que o gênero já reabilitou antes dela. A série pode muito bem encarar o passado de frente; a noite de estreia dirá. Mas, medido contra sua própria linhagem, House of Stassi não é uma reinvenção da televisão reality. É uma de suas manobras mais confiáveis, executada por alguém que aprendeu a coreografia do meio do quadro — o cenário familiar usado não para abrir uma vida, mas para estabilizar uma reputação.

A promessa do gênero sempre foi acesso. A versão de Schroeder oferece algo mais sutil e mais moderno: acesso nos termos do assunto, aos cômodos que ela escolheu deixar você entrar. Se isso soa divertido depende inteiramente de quão pouco você prefere lembrar.

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