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Ted Lasso 4ª temporada: por que Jason Sudeikis desfez seu próprio final perfeito

Liv Altman

Finais são a coisa mais difícil que uma série de televisão jamais tenta, e Ted Lasso acertou em cheio no seu. Ted foi para casa — para o Kansas, para o filho, para uma vida que não precisava mais de um estádio. Por isso, o fato mais revelador sobre o retorno da série não é que ela voltou, mas que o homem que escreveu aquela despedida é o mesmo que escolheu desfazê-la.

A cobertura óbvia trata o revival como um presente dos deuses do bem-estar, e é fácil ficar contente. No entanto, Jason Sudeikis construiu uma série cuja moral inteira defendia saber a hora de sair de campo. Para trazer Ted de volta, ele teve que se convencer a desfazer aquilo que seu próprio programa lhe ensinou. Essa é uma história mais estranha e reveladora do que os trailers admitem, e é nisso que esta temporada será ganha ou perdida.

Sudeikis foi sincero ao dizer que o impulso foi pessoal, não comercial. Ele enquadra o segundo ato de Ted pela paternidade, não pelo futebol. “É importante para minha filosofia pessoal que as crianças cresçam cercadas de amor”, disse ele sobre o personagem que interpreta e ajudou a criar, descrevendo um homem que está “contente, mas provavelmente se escondendo de muitas maneiras” quando o reencontramos. A versão de Ted que retorna não é triunfante. Ele está repondo prateleiras em um supermercado, mantendo uma agenda em torno do filho, até que um velho amigo liga com um emprego que ele não tem razão profissional para aceitar e toda razão humana para querer.

A engenharia desse retorno merece ser nomeada claramente. Ted é atraído de volta não para o clube masculino que o tornou famoso, mas para um time feminino da segunda divisão, um vestiário novo de rostos desconhecidos bancado por Rebecca. Esse é o movimento clássico do revival que precisa inventar algum lugar novo para ir: resetar o terreno, manter a alma, torcer para que os dois se deem bem. A história da televisão está repleta de séries que reabriram uma porta fechada — algumas, como os melhores retornos tardios, porque a história realmente tinha outro capítulo; outras porque algo finalizado era simplesmente valioso demais para ser deixado como estava. A premissa do time feminino é a tentativa honesta de Sudeikis pelo primeiro tipo. A maquinaria ao redor continua sussurrando o segundo.

Essa maquinaria é a Apple. A empresa não apenas renovou uma comédia; construiu um evento promocional em torno de uma série de que precisa. Nos meses anteriores à estreia, colocou Ted na maior transmissão esportiva do planeta e organizou um concurso de sósias do lado de fora de sua loja principal em Manhattan — o comportamento de uma plataforma tratando uma série como feriado cívico. Há um motivo. Recentemente renomeado de Apple TV+ para simplesmente Apple TV, o serviço depende de uma curta lista de títulos emblemáticos — Severance, Silo, Shrinking — e apenas um deles é um aconchego doméstico em torno do qual as pessoas organizam sua semana. Em um esforço de serviços, Ted Lasso não é conteúdo. É a vitrine.

O que torna a aritmética desse retorno silenciosamente perturbadora. Uma série que pregava a graça da saída na hora certa agora é, pela própria descrição de seus criadores, o capítulo inicial de um novo plano de várias temporadas. A história finita que terminou tão limpidamente foi convertida, em uma única decisão, em uma franquia aberta — exatamente a postura que o personagem foi escrito para resistir. Se a escrita conquistar isso, a reversão parecerá coragem. Se não, parecerá um homem anulado pelo valor de sua própria criação, e por uma corporação que não podia se dar ao luxo de deixar um bom final permanecer como tal.

Tudo agora depende de se a razão pessoal de Sudeikis sobrevive ao contato com a trama. Ele voltou, diz, porque precisava disso tanto quanto o público — e a crença, não a novidade, sempre foi o tema real desta série. A quarta temporada estreia em 5 de agosto na Apple TV, com novos episódios semanais até 7 de outubro. A pergunta que ela precisa responder é a que todo revival evita: não se Ted Lasso pode voltar para casa, mas se deveria ter voltado.

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