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King of Knives (2020): o drama familiar que conhece seus próprios limites

Molly Se-kyung

King of Knives chegou em dezembro de 2020 com um slogan que resume tudo sem rodeios: “Uma grande família desastrosa.” O diretor Jon Delgado cumpre essa promessa com honestidade, sem dramatismo desnecessário.

Gene Pope interpreta Frank, um patriarca nova-iorquino cuja crise da meia-idade não é mais uma abstração filosófica, mas uma realidade diária. Mel Harris é Kathy, que percorre o mesmo território por outro ângulo. A filha Kaitlin — vivida por Roxi Pope — traz a versão da crise do quarto de vida, e durante três dias as duas gerações se chocam, se reorganizam e voltam a se chocar com a eficiência exausta de quem se conhece de mais para ser educado.

O maior mérito do filme é a contenção. Delgado não força o material em direção a um drama que não suporta. A comédia é seca e doméstica — chega sem se anunciar. O drama é discreto e pessoal. O resultado parece mais um estudo de personagens do que um arco dramático convencional, e isso funciona nos noventa e cinco minutos de duração.

O real crédito está no elenco. Gene e Roxi Pope compartilham um vínculo real que na tela se lê como familiaridade vivida, não como calor ensaiado. Kara Young e Emma Myles dão aos papéis secundários uma textura que sustenta o filme nos momentos mais tênues. O elenco entrega o que o roteiro pede, mesmo quando o roteiro não pede muito.

As limitações são concretas. A cinematografia é funcional, mas sem expressividade. O eixo crise da meia-idade e crise do quarto de vida é território percorrido inúmeras vezes por produções melhor financiadas. King of Knives não encontra o detalhe específico que o tornaria memorável além dos créditos finais.

Dentro de suas próprias coordenadas, o filme é honesto. Não pretende que sua família em dissolução represente algo maior. Para quem aprecia dramas domésticos e comédias discretas, King of Knives oferece o suficiente.

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

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