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Woody Woodpecker Goes to Camp: o pastelão exagerado não convence

Um tipo de buraco de minhoca no espaço-tempo nos traz de volta a Woody, o personagem mais traquina da floresta dos anos 50.
Jun Satō
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A cena de abertura de Woody Woodpecker Goes to Camp dá o tom: uma sequência caótica de pastelão em que Woody atormenta um campista influenciador, bicando sem parar um pedestal de microfone. A câmera se aproxima do sorriso frenético de Woody, mas, em vez de provocar risadas, arranca um suspiro. O momento resume o principal problema do filme: ele se esforça demais para ser engraçado, mas o humor soa forçado e ultrapassado.

Dirigido por Jonathan A. Rosenbaum em sua estreia na direção de longas-metragens, Woody Woodpecker Goes to Camp é uma comédia de pastelão que mistura animação e live-action e funciona como uma sequência independente do filme Woody Woodpecker, de 2017. A história acompanha Woody Woodpecker (Eric Bauza), que, depois de ser expulso da floresta por atormentar um campista influenciador, encontra abrigo no Camp Woo Hoo. Seu novo lar, porém, fica ameaçado quando um inspetor aparece, enquanto um presidiário foragido chamado Buzz Buzzard (Kevin Michael Richardson) se passa pelo cozinheiro do acampamento rival Camp Hoo Rah para roubar um tesouro escondido.

A premissa do filme é simples: Woody causa confusão, faz amizade com os campistas e, no fim, ajuda todos a se unirem contra Buzz. A trama segue a clássica jornada do azarão, com Woody incentivando os campistas a participar dos Jogos da Natureza, realizados todos os anos. Esse recurso central abre espaço para momentos de genuíno carinho e companheirismo, sobretudo nas cenas em que Woody encoraja os campistas a acreditarem em si mesmos.

Um dos pontos fortes do filme é o elenco de vozes. A interpretação de Eric Bauza como Woody Woodpecker é enérgica e condiz com a personalidade já conhecida do personagem. Bauza capta o espírito travesso e a energia incansável de Woody, que se revela um protagonista cativante, ainda que um tanto exaustivo. Mary-Louise Parker, no papel de Angie, a diretora do acampamento, traz um calor humano que ajuda a dar equilíbrio aos elementos mais absurdos da história. Sua atuação acrescenta uma camada de sinceridade ao filme e faz de sua personagem uma figura com quem é fácil se identificar e por quem é fácil torcer.

A interpretação de Kevin Michael Richardson como Buzz Buzzard é devidamente ameaçadora e acrescenta tensão ao tom leve do filme. Sua voz grave e rouca dá a Buzz um ar perigoso e faz dele um antagonista à altura. Tom Kenny, conhecido por dar voz a SpongeBob SquarePants, interpreta Wally Walrus, o inspetor que ameaça fechar o Camp Woo Hoo. Sua atuação é cheia de nuances: equilibra a autoridade com um toque de vulnerabilidade que faz de Wally mais do que um vilão unidimensional.

A tentativa do filme de colocar o trabalho em equipe e a autoconfiança no centro da história é louvável, mas essas mensagens acabam se perdendo em meio às peripécias de Woody. O roteiro, escrito por Jim Martin, Cory Edwards e Stephen Mazur, não consegue equilibrar as confusões de Woody com as histórias dos campistas. A narrativa muitas vezes parece desconexa, com subtramas como a caça ao tesouro de Buzz e os Jogos da Natureza disputando espaço sem chegar a uma resolução clara.

O público-alvo do filme são claramente as crianças pequenas, mas, mesmo para essa faixa etária, o humor e o ritmo podem parecer ultrapassados. O pastelão incessante e as tramas simplistas não têm a profundidade nem a criatividade que muitos filmes familiares atuais procuram oferecer. A comparação com outras comédias de animação, como Despicable Me e The Super Mario Bros. Movie, evidencia as limitações do filme em termos de originalidade e de uma narrativa envolvente.

Apesar dos problemas, Woody Woodpecker Goes to Camp tem momentos de genuíno encanto. A mensagem sobre trabalho em equipe e autoconfiança é clara e bem desenvolvida, principalmente nas cenas em que Woody mobiliza os campistas. O elenco de vozes confere calor e energia aos personagens, elevando o material sempre que possível.

O estilo visual do filme não tem o refinamento visto em outras animações, o que dificulta mergulhar por completo na história. A integração dos personagens animados aos cenários em live-action não é fluida e prejudica o apelo geral do filme. Essa irregularidade na animação fica especialmente evidente nas cenas em que Woody interage com os campistas e com o ambiente.

O ritmo é outro ponto preocupante. A narrativa passa depressa de uma cena caótica a outra, deixando pouco espaço para o desenvolvimento dos personagens ou para a profundidade emocional. Com essa pressa, fica difícil se envolver com os personagens ou com seus conflitos, já que quase não há tempo para explorar suas motivações ou histórias pregressas.

Ainda assim, o filme tem momentos brilhantes. A sequência dos Jogos da Natureza, por exemplo, é um dos destaques. O trecho mostra a criatividade e o espírito de equipe dos campistas, que usam seus talentos particulares para superar o Camp Hoo Rah. Os jogos são visualmente interessantes e oferecem uma pausa bem-vinda no humor de pastelão incessante.

O final também é um ponto forte. A resolução do plano de Buzz e a união dos dois acampamentos em um só, chamado Camp Woo Hoo Rah, dão à história um desfecho satisfatório. O momento reforça os temas de união e autoconfiança do filme e deixa uma mensagem positiva para o público infantil.

Em termos de gênero, Woody Woodpecker Goes to Camp não encontra seu rumo. O filme tenta combinar live-action e animação, comédia de pastelão e temas voltados para toda a família, mas não se compromete de verdade com nenhum estilo ou tom. Essa falta de coesão dificulta enquadrá-lo em um gênero específico e contribui ainda mais para sua irregularidade.

No fim das contas, Woody Woodpecker Goes to Camp se esforça demais para ser engraçado, mas fica aquém do esperado por depender de um humor ultrapassado e de uma animação irregular.

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

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