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«Ponto Sem Retorno» fracassa com US$ 8 milhões: o tombo de Ridley Scott que a 20th Century programou

Veronica Loop

Quando um filme erra feio assim, a indústria recorre à explicação mais confortável: o diretor. É mais fácil escrever o obituário de um mestre envelhecido do que auditar os executivos que assinaram os cheques, escolheram a data de lançamento e montaram o plano de marketing. Mas o acerto de contas que importa para The Dog Stars pertence a uma sala de reuniões, não ao set de Ridley Scott.

Scott entregou exatamente o filme que seu estúdio encomendou — um thriller pós-apocalíptico austero e visualmente impecável, com Jacob Elordi carregando longos trechos de quase silêncio ao lado de Josh Brolin e Margaret Qualley. Essa foi a aposta que a 20th Century Studios escolheu fazer com dinheiro de blockbuster. O fracasso aqui não é de ofício ou ambição; é um fracasso de julgamento corporativo, e cabe à Disney absorvê-lo.

A magnitude do erro é inequívoca. Como a mesa de bilheteria da Variety detalhou, The Dog Stars estreou com aproximadamente US$ 8 milhões no mercado doméstico, vindos de 3.330 salas — um quinto lugar em um mercado onde o Homem-Aranha ainda está sugando receitas em seu quinto fim de semana, a caminho de se tornar o lançamento de maior bilheteria da história doméstica. Contra um orçamento de produção reportado acima de US$ 80 milhões, com algumas estimativas chegando a US$ 110 milhões antes do marketing, o filme está posicionado para perder dezenas de milhões ao longo de sua exibição nos cinemas.

A recepção não ajudou: cerca de 40% no Rotten Tomatoes, a pior marca crítica de Scott em mais de uma década, e um morno C+ do CinemaScore de um público que comprou um épico de sobrevivência e recebeu um filme lento. Mas críticas fracas são um risco conhecido, o tipo que o investimento em marketing de um estúdio deveria superar. O que as agravou foi uma decisão de agenda tomada internamente — a 20th Century tirou o filme de uma janela de primavera para evitar Project Hail Mary, e depois o colocou diretamente na sombra do fim do verão de um gigante do Homem-Aranha. A colisão que escolheu foi pior do que aquela que evitou.

É aqui que a lente da responsabilidade se afina. Scott não é um diretor que não consegue abrir um filme; Perdido em Marte (The Martian) faturou mais de US$ 630 milhões e recebeu sete indicações ao Oscar. O padrão que deveria preocupar a Disney é estrutural: um estúdio que continua dando a um mestre de 88 anos orçamentos de blockbuster para dramas adultos austeros, e depois não sabe como vendê-los. O Último Duelo (The Last Duel), que estreou com US$ 4,7 milhões em 2021, foi a última versão desse erro. The Dog Stars é o mesmo hábito institucional, repetido a um custo maior.

A baixa contábil cairá no mesmo trimestre em que a Disney celebra o Homem-Aranha reescrevendo o livro de recordes domésticos — o troféu de uma divisão encoberto silenciosamente a cratera de outra divisão. Quando os relatórios pós-morte forem arquivados, as perguntas pertencem às pessoas que autorizaram um filme de arte de US$ 80 milhões e depois o agendaram contra uma parede. Ridley Scott fez o filme que lhe pediram para fazer. O erro é a assinatura do estúdio, não a dele.

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