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Segredos Perigosos: o roteiro de G.Y. Cohen faz da casa nova a origem do perigo

Martha Lucas

A planta de uma casa organiza paredes, distâncias, portas — sempre prometeu, implicitamente, que conhecer um espaço equivale a controlá-lo. O roteiro de G.Y. Cohen para Segredos Perigosos toma essa arquitetura doméstica e a revira contra quem acreditava tê-la escolhido. O diretor Stanley Rowe filma com a convicção de que a geometria de uma única residência pode sustentar o peso dramático do longa.

Delilah e Shawn Brenner, vividos por Mell Bourne e Nick Cassidy, são o tipo de casal que o gênero doméstico do thriller usa há décadas: vidas ordinárias, a confiança peculiar de quem acredita que um novo endereço resolve velhas inquietações. O roteiro não os complica. Seu trabalho é posicioná-los dentro da casa errada e observar o que se segue. A figura mascarada no porão não é um monstro de outro gênero — é uma pessoa com motivos, e essa distinção importa mais do que os mecanismos do susto sugerem.

O que se segue é construído com competência. Rowe mantém a câmera em movimento em sequências que diretores menos confiantes teriam deixado estáticas, e a geografia doméstica — cozinha, corredor, a porta no sopé da escada do porão — acumula ameaça ao longo dos noventa minutos do filme sem precisar de recursos elaborados.

Micah McNeil como Jay Christo ocupa a posição estruturalmente mais interessante do filme: o intruso cuja presença enquadra de novo cada canto aparentemente seguro. McNeil constrói a performance a partir da quietude, não da ameaça — escolha acertada.

Segredos Perigosos foi dirigido por Stanley Rowe, com roteiro de G.Y. Cohen. Estrelado por Mell Bourne, Nick Cassidy e Micah McNeil, é uma produção MarVista Entertainment de noventa minutos, lançada em agosto de 2020.

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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