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“Skincare”: o thriller de Elizabeth Banks baseado em caso real de Hollywood

Anna Green
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O primeiro longa de ficção de Austin Peters coloca Elizabeth Banks na pele de uma esteticista de Los Angeles que tem o negócio, a caixa de entrada e a reputação atacados em 2013, em um thriller com comédia de humor negro livremente inspirado no caso de Dawn DaLuise.

“Skincare” é um thriller americano de 2024 com uma forte veia de comédia de humor negro, dirigido por Austin Peters e estrelado por Elizabeth Banks como Hope Goldman, uma esteticista facial de celebridades em Los Angeles que está a poucos dias de lançar a própria linha de produtos quando tudo ao seu redor começa a desmoronar. Lewis Pullman, Luis Gerardo Méndez, Michaela Jaé Rodriguez e Nathan Fillion completam o elenco principal de um filme de 96 minutos, lançado nos cinemas dos Estados Unidos pela IFC Films em 16 de agosto de 2024.

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A premissa é enxuta e muito específica do seu universo. Hope passou anos construindo uma carteira de clientes ricos e famosos, tem uma participação na TV agendada para divulgar sua nova linha e mantém um estúdio que trata como uma extensão do próprio nome. Então um rival abre uma butique bem em frente, do outro lado da rua, e alguém começa a usar contra ela a própria conta de e-mail, o celular e a internet.

A história: um rival do outro lado da rua e um estranho na caixa de entrada

Os problemas começam em passos pequenos e humilhantes. Hope recebe um vídeo anônimo dela mesma trabalhando, seguido de uma ligação ameaçadora. Colleen, sua cliente de longa data, vivida por Wendie Malick, conta que uma mensagem enviada do endereço de Hope para todos os seus contatos dizia que ela estava endividada, instável e sexualmente frustrada, e os horários começam a ser cancelados. Sua participação promocional no The Brett & Kylie Show, o programa diurno apresentado por Brett Wright, personagem de Nathan Fillion, é substituída por uma entrevista com Angel Vergara, o novo esteticista do outro lado da rua, vivido por Luis Gerardo Méndez.

A partir daí o assédio se intensifica: pneus cortados, mensagens explícitas, anúncios pessoais falsos publicados na internet que mandam desconhecidos ao estúdio dela em busca de sexo e uma invasão à sua casa. A polícia e o proprietário do imóvel não se convencem, os clientes de alto padrão migram para a concorrência e Hope passa a ter certeza de que Angel está por trás de tudo. Ela encontra apoio em Jordan Weaver, um jovem autoproclamado coach de vida apresentado a ela por Colleen e vivido por Lewis Pullman, e em Armen, o mecânico que conserta seu carro, interpretado por Erik Palladino. Michaela Jaé Rodriguez interpreta Marine, sua assistente e assessora de imprensa, a pessoa mais próxima do negócio quando ele começa a perder o chão. Até que ponto esse apoio é confiável é a pergunta em torno da qual o thriller é construído, e é melhor deixar que o filme responda.

O caso real por trás do filme

“Skincare” é livremente inspirado na história de Dawn DaLuise, uma esteticista facial de Hollywood que foi presa por um suposto plano para encomendar o assassinato de um especialista em beleza rival, Gabriel Suarez, e que depois foi absolvida. O caso tinha tudo o que um roteirista de filmes policiais procura: uma clientela glamorosa, uma rixa entre negócios vizinhos, assédio on-line e uma acusação de violência que parecia surgir do nada. O filme muda nomes, personagens e acontecimentos, e não se apresenta como uma reconstituição do julgamento.

A própria DaLuise deixou essa distância clara quando o filme foi lançado. Ela disse estar decepcionada por ninguém tê-la consultado durante a produção, embora tenha reconhecido que gostou da atuação de Banks, e descreveu o filme como uma montanha-russa que não se baseava nos fatos de nenhuma maneira real. Esse é o enquadramento honesto para “Skincare”: uma história que toma emprestado o contorno de um escândalo real para construir um thriller de ficção, e não um relato documental do que aconteceu com as pessoas envolvidas.

O contexto importa mais do que parece. O filme se passa em Los Angeles em 2013, um momento em que o e-mail ainda era o centro da vida profissional, em que classificados on-line podiam ser usados para atingir uma pessoa e em que a reputação nas redes sociais estava se tornando um ativo comercial que podia ser abalado da noite para o dia. A crise de Hope pertence a esse período de transição, antes de a cultura dos influenciadores ganhar sua forma atual, mas depois que uma única caixa de entrada hackeada já era capaz de arruinar uma pequena empresa. Tratá-lo como um exercício de nostalgia retrô, como fizeram algumas descrições iniciais, é não entender a questão: o filme fala dos primeiros anos da economia sempre conectada.

O primeiro longa de ficção de Austin Peters

Austin Peters chegou a “Skincare” vindo dos videoclipes e dos documentários. Seu trabalho anterior em longa-metragem foi Give Me Future, um documentário construído em torno do show gratuito do Major Lazer em Havana, e “Skincare” é seu primeiro longa de ficção como diretor. Ele escreveu o roteiro com Sam Freilich e Deering Regan, e o salto do videoclipe para o cinema de gênero é um caminho conhecido no cinema independente americano, em que diretores formados em formatos curtos e visuais costumam escolher um thriller contido, com uma atuação central forte, como primeiro projeto narrativo.

A produção andou rápido. O elenco foi anunciado em junho de 2023, e as filmagens terminaram antes da greve do sindicato dos roteiristas, a Writers Guild of America, que paralisou Hollywood naquele ano. O filme foi produzido por Jonathan Schwartz e pelo ator Logan Lerman, por meio da Jalapeño Goat, da empresa italiana Iervolino & Lady Bacardi Entertainment e da WWPS.TV. A IFC Films adquiriu os direitos de distribuição na América do Norte em junho de 2024 e lançou o filme dois meses depois, em um circuito amplo para um independente, com 760 salas, que rendeu US$ 323.856 no fim de semana de estreia e cerca de US$ 456.590 no total.

Atrás das câmeras, a fotografia é de Christopher Ripley e a montagem de Laura Zempel, enquanto a trilha sonora foi composta por Fatima Al Qadiri, musicista eletrônica e compositora kuwaitiana cujo trabalho no cinema inclui a música de Atlantique, de Mati Diop. Escolher uma artista da música eletrônica experimental para musicar uma história policial de Los Angeles está em sintonia com a trajetória de Peters no mundo da música.

Elizabeth Banks e um elenco feito para a panela de pressão

O filme se apoia em Elizabeth Banks, e a escolha diz muito sobre o projeto. Banks é conhecida do grande público como Effie Trinket na saga Jogos Vorazes e como produtora e coprotagonista da franquia A Escolha Perfeita, e nos últimos anos também construiu uma carreira de diretora com A Escolha Perfeita 2, As Panteras e O Urso do Pó Branco. “Skincare” lhe oferece algo diferente: um papel principal em um thriller pequeno e adulto, em que toda a história depende de até onde o público acompanha uma personagem cujo discernimento está sob pressão constante. Quando o filme estreou, sua atuação foi o elemento que mais chamou atenção.

Lewis Pullman, filho do ator Bill Pullman, chegou a “Skincare” depois de papéis coadjuvantes em Maus Momentos no Hotel Royale e Top Gun: Maverick, e pouco antes de uma sequência de papéis maiores que inclui Salem’s Lot e Thunderbolts*, da Marvel. Luis Gerardo Méndez, um dos atores mexicanos mais conhecidos de sua geração graças a Club de Cuervos, já tinha trabalhado com Banks em As Panteras, dirigido por ela. Michaela Jaé Rodriguez, conhecida por viver Blanca na série Pose, papel que lhe rendeu um Globo de Ouro, e Nathan Fillion, astro de Firefly, Castle e The Rookie, trazem dois perfis televisivos bem diferentes para a mistura. Wendie Malick, Erik Palladino e John Billingsley completam o elenco de apoio.

Onde “Skincare” se encaixa

“Skincare” pertence a uma tradição de histórias policiais de Los Angeles que usam as indústrias de serviços da cidade, suas clínicas de estética, agências de talentos e programas matinais, como palco para a inveja e a ansiedade por status. O que o diferencia é o ofício específico no centro da trama: o cuidado com a pele como um negócio construído inteiramente sobre a confiança, em que uma cliente deixa alguém tocar seu rosto e um boato pode esvaziar a agenda em uma semana. O rótulo de gênero que ele carrega, thriller de mistério com comédia de humor negro, descreve um filme que quer manter a tensão de uma história de perseguição sem deixar de reconhecer o lado absurdo de uma rixa entre dois esteticistas faciais.

É também um filme modesto, feito em escala independente e lançado para um público limitado, o que faz dele um bom candidato a ser descoberto em casa, mais do que um título que tenha definido seu ano. Suas ambições são claras e contidas: um papel principal forte para Banks, um ator em ascensão como Pullman, um caso real como ponto de partida e um diretor estreante na ficção se testando em um gênero que recompensa a economia.

Para quem tem curiosidade sobre o período em que a internet se tornou pela primeira vez uma arma contra pequenos negócios e reputações pessoais, ou sobre como Elizabeth Banks escolhe seus papéis fora das grandes franquias, “Skincare” é um bom ponto de partida. O filme não pretende ser mais do que um thriller afiado e autoconsciente sobre uma mulher que luta para preservar o próprio nome e, nesses termos, é um projeto que vale a pena conhecer.

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