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Swann Arlaud e Woody Norman vivem pai e filho à beira do colapso em Sukkwan Island

Vladimir de Fontenay transporta a novela de David Vann para um fiorde norueguês, onde se reaproximar e sobreviver são a mesma prova.
Martha O'Hara

Um grande lago branco, uma linha escura de floresta e duas pequenas silhuetas de laranja de caça que mantêm a distância mesmo quando já não há para onde ir. É esse o plano ao qual Vladimir de Fontenay retorna sem parar em Sukkwan Island, e ele diz quase tudo sobre o filme antes que alguém fale. Aqui a paisagem não é um cenário. É a terceira personagem, e a menos clemente.

O ponto de partida é enganosamente simples. Um homem leva o filho de treze anos a uma cabana numa ilha remota, longe dos telefones, dos vizinhos e de toda a maquinaria cotidiana que impede as famílias de se olharem de frente. Ele chama isso de uma chance de se reaproximar. O que o menino recebe é uma longa e fria experiência de proximidade, em que o afeto e a ferida chegam no mesmo gesto, e em que a natureza vai desfazendo aos poucos a história que o pai contava sobre si mesmo.

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Swann Arlaud interpreta o pai, Tom, e essa escolha de elenco é o primeiro argumento real do filme. Arlaud tem um jeito de parecer gentil e pouco confiável ao mesmo tempo, e de Fontenay se apoia nessa ambiguidade: cada frase tranquilizadora de Tom chega com um leve atraso, como se o filme pedisse ao menino, e a nós, esperar antes de acreditar. Woody Norman, como Roy, encarna o filho que observa mais do que reage. Está atento, cauteloso, já grande o bastante para administrar os humores de um adulto. Juntos, fazem da relação central menos uma questão de calor do que uma negociação que ninguém pode vencer.

De Fontenay trabalha num registro que já rondou antes, o confronto íntimo lançado a uma paisagem hostil, e aqui se entrega a ele sem rede. A decisão que define sua adaptação é geográfica. Ele retira a história de David Vann de seu Alasca original e a deposita nos fiordes do norte da Noruega, trocando uma natureza selvagem por outra mais fria e mais estranha diante da câmera. O deslocamento não é cosmético. Solta o filme das particularidades americanas de sua fonte e o deixa ser lido como uma fábula mais abstrata sobre pais, filhos e as mentiras que os mantêm unidos.

Com seu diretor de fotografia, ele filma a ilha numa paleta fechada e gelada de água de ardósia, neve de um branco de osso e um céu que nunca se decide pela luz do dia, e então deixa que as figuras humanas a transgridam. Os casacos de caça que pai e filho vestem são de um laranja sintético ardente, a única nota quente de todo o quadro, e a câmera não para de encontrá-los como duas pequenas manchas vivas sobre uma imensidão cinzenta e indiferente. É uma decisão visual bonita e um tanto cruel. O único calor na tela é emprestado, vestido sobre a pele e sempre prestes a ser engolido pelo clima.

A fonte é a novela de Vann, peça central de seu livro Legend of a Suicide, construída em torno de uma ruptura de tom tão brutal que muda o tipo de história que se pensava estar lendo. De Fontenay preserva a arquitetura desse choque e deixa a primeira metade acumular as texturas comuns da sobrevivência, a pesca, a lenha, os consertos, as pequenas tarefas de continuar vivo, para que a ruptura, quando chega, pareça merecida e não imposta. É uma estrutura que recompensa a paciência e pune em silêncio quem assiste distraído.

O que o filme não chega a resolver é se sua contenção é disciplina ou fuga. As atuações são exatas e a ilha é magnificamente desolada, mas o drama consegue manter sua ferida central à distância por tanto tempo que a virada final chega mais como informação do que como abalo. Na estreia em festival, a crítica se dividiu exatamente nessa linha, e o veredito geral ficou educadamente irregular em vez de entusiasmado, imersivo e bem atuado para a maioria, e enfim um pouco decepcionante. A premissa promete uma escavação da culpa. A execução às vezes se contenta com a atmosfera.

Swann Arlaud and Woody Norman as father and son in Sukkwan Island
Swann Arlaud and Woody Norman in Sukkwan Island (2026)

Em volta da dupla central, o elenco se mantém pequeno e deliberado. Alma Pöysti e Tuppence Middleton surgem como as mulheres à margem do relato que Tom faz de si mesmo, Ruaridh Mollica vive Roy num momento posterior e Maria Arlén Larsen completa a escassa geografia humana da ilha. O filme é uma coprodução europeia reunida por Haut et Court, Maipo Film, Versus Production, Good Chaos e Aurora Studios, um conjunto de parceiros francês, norueguês, belga, finlandês e britânico que reflete o caráter sem fronteiras da obra concluída. Dura cento e quinze minutos assumidos.

Sukkwan Island foi exibido em première no Festival de Sundance em janeiro de 2025 e desde então vem abrindo caminho pelos calendários de estreia europeus. Chegou aos cinemas franceses em 29 de abril de 2026 e estreia no Reino Unido e na Irlanda em 3 de julho de 2026, onde a Curzon o distribui sob um novo título, My Father’s Island. Por enquanto não há data de estreia confirmada no Brasil. Qualquer que seja o título, o filme sempre retorna àquele lago congelado e às duas silhuetas incapazes de fechar a distância que as separa.

Elenco

  • Woody Norman — Roy

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