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Drew Starkey morre em ‘Lucky’ e a série inventa uma morte que o livro nunca teve

Molly Se-kyung

O mais revelador sobre a morte de Cary Masterson em ‘Lucky’, da Apple TV+, é o momento em que ela chega. Não no final, onde a saída de um galã renderia uma temporada de luto. No meio da temporada — no instante em que ele e Lucky Armstrong param de mentir um para o outro e finalmente admitem o que vinham rodeando o tempo todo. A série concede o reencontro e o confisca na mesma cena.

Isso é uma escolha, não um acidente de roteiro. Drew Starkey é o rosto que a maioria dos espectadores veio ver, o maior trunfo da série, e ‘Lucky’ o gasta cedo. Está dizendo a você, antes que esteja pronto para ouvir, que não precisa de sua âncora romântica para continuar. Agora é uma história solo, e quer que você sinta o chão sumir.

Starkey foi lúcido sobre a virada. Ele a chamou de chocante e trágica e, mais revelador, disse que o choque rende uma boa história. Descreveu o dia como se fosse filmar uma peça curta para os dois — intenso, próximo, em suas palavras, pegajoso. O ator entende exatamente o que a cena está fazendo, mesmo sendo ele quem está sendo descartado: ela arranca o amor no momento em que é finalmente dito em voz alta. Eles ainda têm esse amor um pelo outro, disse ele. Então ele se vai.

A mecânica é feia de propósito. No quarto episódio, intitulado ‘Too Close To See It’, Cary atira em agentes federais durante uma perseguição de carro para encobrir uma fuga, e os dois veículos capotam. Ele leva um tiro no abdômen e sangra até morrer nos destroços, suas últimas palavras um pequeno e devastador ‘Você estava feliz’. A Forbes acertou em cheio: essa é a escolha terrível de Cary, o ápice de uma temporada ouvindo as pessoas erradas — principalmente sua mãe — enquanto Lucky lê cada sala que ele interpreta mal.

Eis o que os resumos ignoram. Essa morte não existe no livro. O romance de Marissa Stapley, fonte em que esta produção da Hello Sunshine se baseia, permite que o personagem fuja com o dinheiro roubado e seja pego. Nenhuma perseguição de carro, nenhum tiro, nenhum acidente na casa de praia. A série inventou a morte. Isso não é uma pequena liberdade — é uma declaração. Stapley escreveu fuga. A série escreveu consequência.

E a consequência é o sentido inteiro do título. Sorte nunca significou fortuna aqui. Significa a disciplina de cortar o que está prestes a te afundar: a leitura, a saída limpa, a recusa em atirar o tiro que transforma uma fuga em homicídio. Cary morre porque não consegue fazer essa leitura. Lucky sobrevive porque consegue. A série enterra seu personagem mais simpático para provar que sorte, num golpe, é apenas clareza sob pressão — e clareza é a única coisa que Cary nunca teve.

O custo é real. Anya Taylor-Joy agora carrega a série sem nenhum parceiro de cena para suavizá-la, e a segunda metade viverá ou morrerá na medida em que sua Lucky convença como uma mulher que não tem mais nada a proteger além de si mesma. Cortar Starkey é um desafio que a série faz a si mesma.

O que fica não é o acidente. É o timing — a maneira como ‘Lucky’ entrega a duas pessoas sua reconciliação e então, antes que a frase termine, tira uma delas do tabuleiro. O reencontro era a armadilha. Sempre foi.

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