Filmes

Vicky McClure nunca foi a ameaça a ‘Line of Duty’ — os donos da série, sim

Liv Altman

De tempos em tempos, a mesma preocupação ressurge em torno de Line of Duty — que a série está a um passo de fechar as portas, que seu futuro depende de seus astros serem convencidos a voltar à sala de interrogatório. A versão mais recente desse medo coloca a culpa em Vicky McClure, como se a unidade anticorrupção fosse dela para desativar. Não é, e ela não vai a lugar nenhum. Os três atores no centro do procedural mais duradouro da TV britânica estão todos voltando. O que significa que a pergunta que todo mundo insiste em fazer é a errada.

O verdadeiro risco não tem nada a ver com quem está no elenco e tudo a ver com quem detém a propriedade — uma distinção que a cobertura jornalística continua deliberadamente obscurecendo. Line of Duty não pertence à BBC do jeito que o telespectador pode imaginar. A corporação pode encomendar mais temporadas; ela não é dona da série. As pessoas que são estão sendo cortejadas por empresas com bolsos muito mais fundos e um apetite comprovado exatamente por esse tipo de máquina testada e inconfundivelmente britânica.

A renovação em si é inequívoca. Martin Compston, McClure e Adrian Dunbar retornam todos em seus papéis originais para uma série de seis episódios, com Jed Mercurio escrevendo e a World Productions produzindo em associação com a ITV Studios. A AC-12 foi dissolvida e rebatizada como Inspectorate of Police Standards; nesse clima mais frio, Steve Arnott, Kate Fleming e Ted Hastings recebem seu caso mais delicado até hoje, centrado em um detetive condecorado do crime organizado, Dominic Gough, acusado de abusar de sua posição como predador sexual. Mercurio, com seu humor tipicamente seco, diz que a corrupção deveria ter acabado enquanto a série estava fora do ar, então ele foi forçado a usar a imaginação.

Portanto, o motor criativo está intacto. O que não está resolvido é a propriedade por trás dele. A World Productions detém a propriedade intelectual; a BBC detém apenas os direitos de recomissionamento; a ITV Studios cuida da distribuição. Nessa lacuna, de acordo com uma reportagem do The Sun, Netflix e streamers concorrentes estariam de olho — atraídos, sugere a fonte do jornal, por bolsos fundos e fome por drama britânico comprovado.

Quem já viu como essas coisas funcionam reconhecerá o padrão. A Netflix já requentou propriedades nascidas na BBC transformando-as em cinema-evento, convertendo Peaky Blinders e Luther em filmes, e já negociou diretamente com a World Productions pelo catálogo antigo de Line of Duty antes. O procedural é o formato televisivo mais portátil já inventado — casos autônomos, uma unidade que pode ser recomposta à vontade, uma marca que, pode-se argumentar, sobrevive a qualquer rosto no chamado de elenco. A AC-12, o duelo na sala de interrogatório, o ‘mãe de Deus’ sob luz fluorescente de tudo aquilo: teoricamente, poderiam funcionar sem nenhum dos Três Amigos.

Essa portabilidade é uma virtude na BBC One e uma tentação em todo lugar. Uma plataforma de streaming que adquirisse a propriedade teria todo incentivo para tratá-la como uma franquia, e não como uma série — spin-offs, unidades paralelas, uma temporada por ano, o trio gradualmente tornando-se opcional. E é aí que a série tem mais a perder. O que tornou Line of Duty singular foi a compressão: o mecanismo paranoico de um único roteirista, um elenco pequeno, o interrogatório de tensão lenta esticado além do conforto, a disciplina de uma temporada britânica curta que fazia cada hora parecer estrutural. Afrouxe essas restrições e você não ganha mais Line of Duty. Você ganha conteúdo vestindo seu colete.

A lição de toda franquia criminal excessivamente estendida é que o formato sobrevive e a sensação não. O próximo caso da AC-12 descobrirá quem Dominic Gough realmente é. O interrogatório mais consequente é o que está acontecendo fora das telas — sobre quem continua podendo fazer a série, e se a resposta preserva aquilo que fez qualquer um se importar em primeiro lugar.

Tags: , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.