Música

Lil Nas X lamenta a morte da mãe, Tameka Hill: “essa vai doer”

Noah Brandt

Lil Nas X construiu uma carreira na base da legibilidade. Transformou sua saída do armário num lançamento, seus colapsos em memes, seu corpo num palco, suas piores semanas em mercadoria. Quase nada sobre Montero Lamar Hill passou sem ser fotografado, legendado, monetizado. A única relação que ele manteve fora do enquadramento foi com a mãe. Agora ela se foi, e a despedida que ele escolheu é notável justamente por quão pouco performa.

“RIP TO THE BADDEST EVER! LOVE U FOREVER MOMMY. this one’s gonna hurt”, escreveu no Instagram, sobre três fotos — a mãe encarando a câmera, os dois combinando a roupa num evento, e um frame granuloso dela segurando-o quando criança. Não há fio, ensaio, vídeo. Para um artista tão fluente em transformar sentimento em formato, a frieza é a questão.

O nome dela era Tameka Hill, e Lil Nas X nunca fingiu que a relação era fácil. Ele falou, rara e cuidadosamente, sobre o vício dela e a distância que isso forçou. “Ela é viciada, então não temos a relação mais próxima”, contou certa vez à Variety. “Mesmo tentando ajudá-la a melhorar — as coisas não deram muito certo. Mas ainda existe amor.” Essa última oração está carregando todo o peso agora. Você não escreve “a mais foda de todas” sobre uma estranha.

A perda chega numa dobradiça estranha da própria história dele. Ele só tinha ressurgido havia pouco, depois de quase um ano offline — um período que incluiu uma prisão, meses de internação e um diagnóstico de transtorno bipolar que ele passou muito tempo se recusando a dizer em voz alta. Quando voltou, marcou seu décimo milésimo dia de vida com uma frase que parecia um desafio à própria história: “muita gente não vai conseguir, mas eu consegui.” Dias depois, quem lhe deu esses dias foi quem não conseguiu. A idade dela e a causa da morte não foram divulgadas.

A cobertura óbvia vai arquivar isso sob a manchete previsível — astro lamenta a morte da mãe — e seguir em frente. O que esse enquadramento perde é o que faz o post merecer uma pausa. Lil Nas X é o pop star mais online da sua geração, um músico que entende, melhor que quase qualquer um na ativa, como o luto se metaboliza em engajamento, como uma legenda vira campanha. Ele sabe exatamente como construir a versão desse momento que viraliza. Ele escolheu não construir. Quatro palavras secas, sem estratégia, sem pedido. A fluência é o que mostra que a contenção é deliberada.

Há uma crueldade na forma disso que nenhum lançamento poderia suavizar. A doença da qual ele passou o último ano tentando se livrar é a mesma que definiu a mãe que ele não conseguiu salvar. Ele sobreviveu ao décimo milésimo dia; ela não sobreviveu para vê-lo contar. “A mais foda de todas”, escreveu ele — já, e contra tudo que seu feed inteiro foi construído para resistir, no passado.

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