Música

‘Purple Rain’ chega à Broadway guiada pelos músicos que conheceram Prince

Alice Lange

A cada poucos meses, os nomes de peso ligados à versão teatral de Purple Rain parecem mudar. Um novo diretor entra. Um novo roteirista assume o texto. Cada troca vira manchete, como se o espetáculo estivesse sendo reinventado do zero. Mas, se você observar os créditos por tempo suficiente, percebe quem nunca sai — e não são os nomes que os comunicados de imprensa destacam.

São os dois homens que realmente estiveram ao lado de Prince quando essa música era nova. Bobby Z e Morris Hayes, ex-companheiros de banda e colaboradores de longa data, foram mantidos em todas as versões desta produção como consultores musicais. Diretores e dramaturgos chegam e partem; o baterista e o tecladista que viveram dentro dessas canções permanecem na sala. Em um projeto construído inteiramente sobre a custódia emocional do catálogo de um ícone morto, essa continuidade não é uma nota de rodapé. É a razão principal para confiar na coisa toda.

Isso importa porque a parte difícil de um musical de Purple Rain nunca foram as canções. Ninguém se preocupa se “When Doves Cry” ou “The Beautiful Ones” vão funcionar num teatro; mais de vinte sucessos de Prince são feitos para detonar num palco. O problema é a história que as envolve, e é exatamente aí que o espetáculo já tropeçou uma vez. Na estreia mundial pré-Broadway em Minneapolis — território amigo, a plateia mais complacente que ele jamais enfrentará — os críticos saíram elogiando os protagonistas, mas preocupados com o livro, que teve dificuldade em conciliar uma narrativa teatral moderna com o peso do filme de 1984 que todos na plateia já sabiam de cor.

A resposta da Broadway foi trocar a autoria. Saheem Ali, duas vezes indicado ao Tony e egresso do Public Theater, assumiu a direção de Lileana Blain-Cruz. Peter Duchan foi contratado para escrever um novo livro, substituindo o vencedor do Pulitzer Branden Jacobs-Jenkins. No papel, parece uma operação de resgate — e talvez seja. Mas também admite, discretamente, o veredito de Minneapolis: o recipiente em torno da música de Prince ainda não está certo, e as pessoas mais capacitadas para dizer se uma reescrita o homenageia ou o achata não são os novos contratados de peso. São Bobby Z e Morris Hayes.

Essa é a tensão que o enquadramento de tributo geralmente escamoteia. Um musical jukebox sobre um gênio falecido é vendido como celebração, mas, por baixo, é uma negociação sobre quem pode falar por alguém que já não pode mais objetar. Prince guardou sua imagem e seus masters com ferocidade famosa enquanto estava vivo. O mais próximo que o espetáculo tem de seu veto é a memória dos homens que estavam no palco com ele, agora convidados a balançar a cabeça ou concordar com os rascunhos alheios.

A mecânica, para quem está acompanhando, está definida. A produção chega ao Majestic Theatre, com prévias começando no início da primavera de 2027 e noite de estreia cerca de um mês depois. Kris Kollins reprisa o Kid, o papel baseado no próprio Prince; Rachel Webb retorna como Apollonia. Jason Michael Webb permanece como supervisor musical e Ebony Williams como coreógrafa, mais dois remanescentes que, como os consultores, antecedem a rotatividade no topo do cartaz.

Portanto, a verdadeira questão que paira sobre a noite de estreia não é se os sucessos vão funcionar. É se um novo diretor e um novo roteirista, por mais consagrados que sejam, conseguem construir algo que os dois homens que conheciam Prince estejam dispostos a colocar seus nomes ao lado — porque, se Bobby Z e Morris Hayes algum dia se afastarem silenciosamente, nenhum pedigree de Tony fará a homenagem parecer verdadeira.

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