Música

‘Genesis’, do Rotting Christ: o álbum de 2002 em que a banda grega voltou ao black metal cru

Alice Lange
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Genesis, o sétimo álbum de estúdio da banda grega de metal extremo Rotting Christ, foi lançado em 2002 pela Century Media. Não é um disco novo: uma nova edição digital foi listada em agosto de 2026, 24 anos após o lançamento original. O álbum registra uma banda que voltou a se aproximar do som com que começou.

De volta às raízes do black metal

O Rotting Christ foi formado em Atenas, em 1987, como uma banda de grindcore, e se aproximou do black metal sob a influência de grupos como Celtic Frost e Venom, tornando-se um dos primeiros nomes do gênero. A demo Satanas Tedeum, de 1989, misturava black metal e grindcore, e o EP Passage to Arcturo, de 1991, foi o trabalho que projetou a banda. O grupo assinou com a Century Media em 1996 e permaneceu na gravadora por dez anos, antes de se transferir para a Season of Mist.

Os primeiros anos também deixaram suas marcas. Em 1993, a banda participou da “Fuck Christ Tour” ao lado de Immortal e Blasphemy. Antes de o Rotting Christ assinar com a gravadora ateniense Unisound Records, Øystein Aarseth, do Mayhem, havia demonstrado interesse em lançar a banda por seu selo, Deathlike Silence Productions. O plano foi interrompido pelo assassinato de Aarseth naquele mesmo ano.

Quando Genesis foi lançado, a banda já havia passado por vários discos explorando sonoridades mais lentas, góticas e influenciadas pelo doom. Genesis desfez parte desse caminho. O álbum retomou a abordagem mais agressiva dos primeiros anos do grupo como banda de black metal, com ritmos rápidos e percussivos e vocais crus, sem abrir mão de alguns elementos góticos e de doom presentes nos discos anteriores.

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Como o disco foi feito

O álbum foi produzido por Andy Classen no Stage-One-Studio, na Alemanha, estúdio que também recebeu Krisiun e Belphegor. As dez faixas foram compostas por Sakis Tolis, que tocou guitarra e cantou, acompanhado por Kostas Vassilakopoulos na guitarra, Andreas Lagios no baixo, Georgios Tolias nos teclados e Themis Tolis na bateria.

A sequência de faixas vai de “Daemons” a “Under the Name of the Legion”, passando por músicas como “Lex Talionis”, “In Domine Sathana” e “The Call of the Aethyrs”. Uma delas chegou a um público muito além da cena black metal: “Ad Noctis” entrou na trilha sonora de Brütal Legend, um videogame com temática de metal.

O que veio depois

O som orquestral e ritualístico que muitos ouvintes hoje associam ao Rotting Christ pertence aos discos posteriores. Aealo, o décimo álbum de estúdio da banda, foi lançado em 2010. O grupo fez extensas turnês fora da Grécia, incluindo uma apresentação no Wacken Open Air em 2003, e seu nome provocou protestos e cancelamentos de shows ao longo dos anos. Em 2026, o Rotting Christ completava 39 anos de atividade, uma das trajetórias mais longas do black metal. A banda celebrou suas duas primeiras décadas com Non Serviam: A 20 Year Apocryphal Story, um conjunto de dois DVDs e dois CDs filmado em Atenas em 8 de dezembro de 2007 e lançado em fevereiro de 2009.

O álbum completo pode ser ouvido no Rotting Christ TV, canal oficial da banda no YouTube.

Correção: uma versão anterior deste artigo descreveu Genesis como o álbum em que o Rotting Christ adotou arranjos orquestrais, escalas do Oriente Médio e composições corais. Esses elementos apareceram em discos posteriores; Genesis marcou o retorno ao black metal cru dos primeiros anos da banda.

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