Música

Rotting Christ apostou que o black metal podia carregar o peso de Genesis

Alice Lange

O Rotting Christ construiu Genesis em torno de uma contradição à qual o metal extremo raramente sobrevive: a tentativa de ser mais pesado e mais orquestral ao mesmo tempo. A banda grega pegou um som que sempre valorizou a crueza como virtude e incorporou escalas do Oriente Médio, arranjos corais e um peso quase litúrgico. O resultado são dez faixas que parecem ao mesmo tempo inamovíveis e cerimoniais.

A mudança foi abrupta, mas não inconsistente com o rumo que a ambição da banda vinha tomando. Genesis não é um disco de experimentos hesitantes. Ele se comporta como se a questão de saber se o black metal pode sustentar um registro mítico já tivesse sido decidida, e a única tarefa restante fosse a execução. O álbum abriu uma porta para uma geração de artistas que queria a agressividade do gênero sem suas restrições estéticas.

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Os herdeiros mais relevantes nem sempre foram os mais óbvios. Os números do Last.fm, mais de 780.000 reproduções diante de uma base de quase 34.000 ouvintes, refletem um engajamento consistente, nada casual: pessoas que voltam ao álbum em vez de apenas experimentá-lo. A faixa mais frequentemente citada como o centro do álbum usa a cerimônia como armadura, apresentando a linguagem religiosa como algo tomado, e não herdado. Artistas que atuam no circuito de metal extremo polonês e norueguês mais tarde levariam esse mesmo modo a uma produção em escala de festivais, e a linhagem segue numa direção cuja ancoragem o black metal grego não havia recebido crédito anteriormente.

Nem toda escolha envelheceu tão bem quanto a ambição. Algumas transições entre as passagens sinfônicas e as mais agressivas são abruptas de um modo que parece menos uma tensão produtiva do que dois discos tentando coexistir. Uma corrente da crítica sustenta que Genesis representa o Rotting Christ em sua fase mais acessível, e não na mais essencial, e que a influência do álbum vem em parte de tornar o metal extremo grego legível para ouvintes europeus que consideravam os trabalhos anteriores impenetráveis. A clareza relativa da produção envelheceu de formas que a produção mais crua da banda não envelheceu.

A posição da banda na cena grega sempre trouxe complicações que a música, por si só, não explica. O nome gerou pressão contínua de organizações religiosas e autoridades municipais, que periodicamente interromperam apresentações ao vivo. Genesis não resolveu essas pressões. Deu aos opositores um alvo mais polido. O fato de o Rotting Christ ter continuado em atividade, lançando material novo e mantendo uma agenda internacional de turnês ao longo de décadas de controvérsia recorrente, deve-se ao menos em parte ao que este álbum estabeleceu sobre sua durabilidade.

A banda continuou a se desenvolver a partir da base que este álbum estabeleceu, com discos posteriores levando os elementos orquestrais e ritualísticos mais longe em direções diferentes. O álbum completo está no Rotting Christ TV, o canal oficial da banda no YouTube.

O que Genesis não respondeu continua sendo a questão central: se a ambição sobrevive à acessibilidade. Black metal com 34.000 ouvintes regulares não é exatamente a mesma proposta que um black metal que não poderia tê-los.

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