Música

‘The Great Mass’, do Septicflesh: dez faixas em que a orquestra não é decoração

Alice Lange
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‘The Great Mass’, oitavo álbum de estúdio da banda grega Septicflesh, impõe um confronto que o gênero costuma evitar. Ao longo de dez faixas, o disco coloca em contato direto a maquinaria implacável do death metal e uma escrita orquestral em camadas, sem que nenhum dos elementos funcione como pano de fundo. Enquanto a maioria dos discos pesados que recorrem a arranjos clássicos usa a orquestração para criar clima ou textura, ‘The Great Mass’ lhe atribui peso estrutural: as linhas sinfônicas conduzem a lógica melódica, e os instrumentos de metal impulsionam o ritmo e a massa sonora.

Essa divisão de funções diferencia o disco da ampla categoria do metal sinfônico. O gênero tem uma longa história de usar cordas e coros para suavizar ou elevar a agressividade do death metal — ‘The Great Mass’ não faz nenhuma das duas coisas. O grupo grego vem explorando essa combinação ao longo de sua discografia, mas a escala e o compromisso com a composição neste álbum superam os de tentativas anteriores. O resultado é um disco que exige atenção aos dois lados de suas matrizes: o death metal não faz concessões, e a escrita orquestral não é decorativa.

O contexto do gênero importa para quem não conhece as exigências particulares do death metal sinfônico. A forma requer dois tipos de precisão técnica que raramente coexistem: os padrões rigorosos de execução do death metal e o vocabulário composicional da escrita orquestral. A maioria das bandas que tenta essa fusão pende para um dos lados — metal sinfônico acessível com estética de death metal ou death metal puro com acréscimos orquestrais. O Septicflesh atua nessa interseção mais rara, em que as duas formas são elementos estruturais, e não decorativos.

Os dados de audiência refletem esse compromisso. Com mais de 55.600 ouvintes e mais de 1,3 milhão de reproduções no Last.fm, ‘The Great Mass’ se consolida como um disco com forte presença no catálogo, e não como um título próximo das paradas — números que indicam audições repetidas por uma base de fãs dedicada. O death metal sinfônico tem força especial nos mercados europeus, e a banda grega ocupa uma posição singular dentro do gênero: o contexto mediterrâneo confere à sua escrita orquestral uma qualidade sombria e austera, diferente da vertente escandinava do metal sinfônico.

A ambição do álbum também traz riscos. O desafio de produção de combinar a densidade sonora do death metal com arranjos orquestrais completos cria momentos em que as camadas parecem apenas somadas, em vez de fundidas — passagens em que os dois elementos ocupam o mesmo espaço sem se integrar por completo. Quem não está familiarizado com o gênero provavelmente achará esse universo sonoro pouco acessível numa primeira audição; o disco recompensa uma escuta prolongada, em vez de oferecer acesso imediato.

O álbum foi gravado entre julho e setembro de 2010, no Devasoundz, na Grécia, e no The Abyss, na Suécia, com produção de Peter Tägtgren. Christos Antoniou escreveu os arranjos orquestrais, gravados pela Orquestra Filarmônica de Praga. O disco foi amplamente aclamado quando lançado e, em 2021, a Metal Hammer o colocou na nona posição de sua lista dos melhores álbuns de metal sinfônico de todos os tempos.

‘The Great Mass’ não é um lançamento recente: chegou às lojas em 11 de abril de 2011, e uma nova edição digital foi listada em agosto de 2026, quinze anos depois.

Correção: uma versão anterior deste artigo apresentou ‘The Great Mass’ como um lançamento recente e afirmou que o álbum não tinha distribuição no Spotify. O disco foi lançado em 2011; a listagem de 2026 corresponde a uma nova edição digital.

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