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Gary Oldman, o camaleão que levou décadas para ser reconhecido como ele mesmo

Penelope H. Fritz
Gary Oldman
Gary Oldman
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento21 de março de 1958
New Cross, London, England
OcupaçãoAtor
Conhecido porBatman: O Cavaleiro das Trevas, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
PrêmiosOscar · BAFTA · Globo de Ouro · SAG · Knight Bachelor

A carreira de Gary Oldman se construiu em torno de uma ausência deliberada. Ele chegava no set, apagava o próprio rosto, e outra pessoa saía do outro lado. O método funcionou tão bem que o público passou décadas assistindo-o sem saber exatamente que o estava assistindo.

Ele cresceu em New Cross, no sul de Londres, o mais novo de quatro filhos, em uma família da classe trabalhadora que se desfez quando o pai partiu antes que Gary completasse oito anos. A distância entre New Cross e a Royal Shakespeare Company é, na Inglaterra, um tipo de distância com nome específico e uma longa história de não ser percorrida. Oldman a percorreu. Estudou no Rose Bruford College of Theatre and Music, formou-se em 1979 e passou os primeiros anos da década seguinte trabalhando no Royal Court Theatre e na RSC em produções que mal deixaram rastro fora dos programas dos espetáculos.

Gary Oldman
Gary Oldman

Sid e Nancy chegou em 1986. Oldman interpretou Sid Vicious — perdeu mais de vinte quilos para o papel — e entregou algo que não parecia atuação porque parecia vivo demais. No ano seguinte, interpretou Joe Orton em Prick Up Your Ears. JFK, em 1991, lhe deu Lee Harvey Oswald. Drácula de Bram Stoker, no ano seguinte — preparado entre outras coisas dormindo em um caixão entre as tomadas — confirmou uma regra: quanto mais total a transformação, mais à vontade Oldman parecia.

True Romance (1993) e O Profissional (1994) o instalaram no registro do vilão com uma precisão que fazia de cada personagem inconfundivelmente seu. A saga Harry Potter (a partir de 2004, com Sirius Black em O Prisioneiro de Azkaban) e a trilogia Batman de Christopher Nolan (o comissário Gordon, 2005–2012) trouxeram-lhe os maiores públicos da carreira. Ele continuou sendo, com uma consistência quase sistemática, a pessoa mais interessante em filmes que não foram construídos em torno dele. O Espião que Sabia Demais, em 2011 — George Smiley, a criação mais interior de John le Carré — foi uma atuação que funcionava quase inteiramente pelo que Oldman escolhia não mostrar.

O contraargumento à reputação de Oldman, o que ele ocasionalmente precisou enfrentar, é que a virtuosidade técnica às vezes corre mais rápido do que a verdade emocional. A crítica séria a O Momento das Trevas pergunta se o Churchill dele é habitado ou apenas interpretado — se os vinte e cinco quilos extras, as duzentas horas de maquiagem protética e os vinte mil dólares em charutos cubanos formavam um retrato ou uma imitação. A posição de Oldman, expressa de várias formas ao longo dos anos, é que a distinção é em grande parte falsa: a preparação externa é parte da preparação interna, não um substituto. O que ele entregou em O Momento das Trevas torna essa posição difícil de refutar.

O Oscar de melhor ator chegou em 2018 — por O Momento das Trevas, sua primeira estatueta depois de diversas indicações anteriores. Slow Horses começou na Apple TV+ em 2022: Oldman como Jackson Lamb, um oficial de inteligência do MI5 acima do peso, desleixado e moralmente ambíguo, que lidera uma equipe de agentes descartados em um escritório chamado Slough House. A série chegou à quinta temporada completa, com uma sexta prevista para setembro de 2026 e uma sétima já em desenvolvimento. Em junho de 2025, o rei Charles concedeu-lhe o título de cavaleiro nas honrarias de aniversário pelos serviços prestados ao teatro e ao cinema. A cerimônia foi realizada no Castelo de Windsor em setembro, conduzida pelo príncipe William. Sir Gary disse depois que o título significava mais do que o Oscar. Talvez estivesse falando sério.

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Ele foi casado cinco vezes — a última, desde 2017, com a escritora e curadora de arte Gisele Schmidt, a quem descreveu como o primeiro relacionamento em que se sentiu verdadeiramente estabelecido. Tem três filhos: Alfie, Gulliver e Charlie. Desde por volta de 2022, declarou em várias entrevistas que não pretende trabalhar até os oitenta anos e que Slow Horses pode ser seu último grande papel. Em maio de 2026, interpretou A Última Gravação de Krapp, de Samuel Beckett, no West End — um monólogo sobre um homem que ouve gravações do seu eu mais jovem. A simetria foi observada por todos.

A sexta temporada de Slow Horses chega em setembro de 2026. A sétima já foi encomendada. Se Jackson Lamb representa o último enunciado de Oldman ou simplesmente o mais recente de uma sequência de quarenta anos de personagens criados para se parecer o menos possível com Gary Oldman é, neste momento, uma pergunta em aberto. Dado o histórico dele, a hipótese mais segura é que ele já conhece a resposta.

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