Música

Sabrina Carpenter, a menina Disney que aprendeu a calcular cada piada

Penelope H. Fritz
Sabrina Carpenter
Sabrina Carpenter
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento11 de maio de 1999
Quakertown, Pennsylvania, United States
OcupaçãoAtor
Conhecido porO Ódio que Você Semeia, Clouds, Dançarina Imperfeita
Prêmios2 Grammy

Dois Grammys, dois álbuns número um, seis indicações na última cerimônia e um Coachella duplo esgotado: o sucesso mais lento do pop recente chegou — e nas condições dela.

Por quase uma década, Sabrina Carpenter foi a artista que todo mundo subestimava um pouco. Cinco discos publicados, uma gravadora respeitável, turnês como abertura de nomes maiores: a carreira que os críticos chamavam de “promissora”, até o verão em que uma música chamada “Espresso” reorganizou todo o mapa do pop ao redor dela. O surpreendente não é que o single tenha estourado. É como ficou óbvio, em retrospecto, que ela vinha se preparando para isso há anos.

A casa dos Carpenter, em East Greenville, Pensilvânia, era cheia de artistas em retirada. A mãe Elizabeth foi bailarina antes de virar quiropraxista, o pai David tocou em uma banda, e a tia Nancy Cartwright é a voz do Bart Simpson. Sabrina, nascida em maio de 1999, pediu para estudar em casa para poder ir a testes. Aos treze anos, a família se mudou para Los Angeles, o único endereço realista para a carreira que ela já tinha decidido.

Ficou em terceiro em um concurso de Miley Cyrus aos dez, fez um episódio de Law & Order: SVU aos onze e aos quatorze assinou com a Hollywood Records, o selo da Disney. Aí chegaram duas coisas ao mesmo tempo: o papel de Maya Hart, a melhor amiga sarcástica de O Mundo de Riley, e uma série de discos teen-pop — Eyes Wide Open, EVOLution, Singular: Act I, Singular: Act II — que fizeram o trabalho modesto e contínuo de construir uma base de fãs, uma parada de turnê por vez.

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A virada começou em silêncio, em plena pandemia

A guinada chegou sem barulho. Estreou na Broadway como Cady Heron em Mean Girls durante a quarentena, passou pela margem pública da novela tabloide entre Olivia Rodrigo e Joshua Bassett e lançou “Skin”, uma música que dava para ler, dependendo do ângulo, como defesa ou como contra-ataque. Saiu da Hollywood Records, assinou com a Island e em 2022 lançou Emails I Can’t Send, o álbum em que apareceu, finalmente, a voz que a crítica vinha esperando.

“Nonsense”, com os versos finais reescritos cidade por cidade no palco, transformou o show num concurso de escrita. Ali ela entendeu uma coisa concreta: nessa versão do estrelato pop, o instrumento é o timing da piada.

A decolagem foi mais uma temporada do que uma única canção. “Espresso” saiu pouco antes da estreia dela em Coachella 2024 e não saiu mais do rádio pelo resto do ano. Veio “Please Please Please” e deu o primeiro número um da Billboard Hot 100. O álbum que continha as duas, Short n’ Sweet, rendeu os dois primeiros Grammys — Melhor Performance Pop Solo por “Espresso” e Melhor Álbum Vocal Pop — e transformou a turnê em Short n’ Sweet Tour, um espetáculo de arena montado como um programa de variedades dos anos 1960 reescrito com piadas bem mais pesadas.

Man’s Best Friend e a aposta clara na persona

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A continuação, Man’s Best Friend, é o momento em que a aposta na persona ficou explícita. Saiu em agosto de 2025 com uma capa que mostrava a cantora de quatro e a mão de um homem fora do quadro puxando o cabelo dela. O álbum dividiu a sala. Organizações contra a violência de gênero e vários críticos chamaram a imagem de regressiva. Carpenter e quem defendia o disco leram a foto como sátira do desejo masculino, a piada devolvida ao público que a consome. As duas leituras concedem a mesma coisa: ela é a autora da provocação, não o objeto.

O disco estreou em primeiro lugar em dezoito países e conquistou seis indicações ao Grammy, incluindo Álbum do Ano, na 68ª cerimônia. A noite terminou sem estatueta, mas a contagem em si era o argumento.

Abriu o Coachella 2026 como headliner da primeira sexta-feira com uma encenação de Hollywood vintage que batizou de “Sabrinawood”, com participações de Will Ferrell, Susan Sarandon, Sam Elliott e Samuel L. Jackson; no segundo fim de semana, Madonna apareceu para um dueto em “Vogue”. A Short n’ Sweet Tour retomou em outubro de 2025 com setlist que já incorporava o material de Man’s Best Friend e segue pela Europa em 2026. Fora do palco, o Sabrina Carpenter Fund — que canaliza um dólar de cada ingresso de turnê via organização PLUS1 — banca saúde mental, bem-estar animal e causas LGBTQ+, e cruzou a marca de um milhão de dólares mais rápido do que qualquer outro artista na história da organização. A irmã mais velha Sarah, fotógrafa, segue como colaboradora visual mais próxima: a estética dessa fase é negócio de família.

O que os meninos Disney que se queimaram tinham em comum era serem projeto dos outros. Carpenter, quinze anos dentro da carreira, está claramente comandando a sua. O próximo ciclo de álbum ainda não foi anunciado. Depois de Man’s Best Friend, a pergunta é até onde ela vai esticar a piada antes da piada virar a tese.

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