Ciência

Slash, sobre a cobra que agora leva seu nome: “Nunca imaginei que esse momento chegaria”

Uma cobra terrestre de Nova Guiné revelou-se uma espécie nova para a ciência e agora leva o nome do guitarrista do Guns N' Roses, apaixonado por répteis a vida toda.
Peter Finch
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Em algum lugar das florestas da Nova Guiné, uma cobra marrom-avermelhada vivia sua vida secreta e noturna por muito mais tempo do que qualquer um sabia que existia. Agora ela tem um nome, e esse nome pertence a uma estrela do rock. Herpetólogos do Field Museum, em Chicago, batizaram a recém-reconhecida cobra terrestre Lielaphis slashi — “cobra terrestre de Slash” — em homenagem ao guitarrista do Guns N’ Roses, famoso por sua cartola. E o próprio homem, ao que parece, mal podia acreditar.

“Como um herpephile de longa data, estou extremamente honrado e humilde por ter o Lielaphis slashi da Nova Guiné batizado com meu nome. É realmente emocionante, nunca imaginei que este momento chegaria”,

Slash deu essa reação no anúncio do museu, conforme relatado pelo ScienceDaily. A versão fácil desta história é a piada pronta — homem famoso, homenagem engraçada, preparem-se para “Welcome to the Jungle”. Mas repare na palavra que ele usa primeiro. Herpephile. Um amante de répteis e anfíbios. Isso não é uma celebridade aceitando graciosamente uma brincadeira; é alguém recebendo o tipo de tributo com que realmente poderia ter sonhado.

Porque Slash fala sério. Antes dos estádios, ele era um garoto que saía para caçar cobras. Ele já teve uma píton reticulada que certa vez posou com ele na capa da Reptiles Magazine, e passou anos defendendo silenciosamente zoológicos, museus e história natural. Essa capa de revista é o eixo de toda a história. Sara Ruane, curadora do Field Museum que escolheu o nome, viu aquela capa quando era menina e nunca a esqueceu. “O Guns N’ Roses é uma das minhas bandas favoritas desde a primeira série, e na quinta série eu já tinha dito à minha professora que queria ser herpetóloga — uma cientista que estuda répteis — quando crescesse”, disse ela. A fã que outrora inspirou a cientista agora foi imortalizada por ela. O ciclo se fecha com um clique que quase se ouve.

E a ciência por trás do sorriso é uma pequena maravilha por si só. A cobra foi coletada pela primeira vez em 2006, quando Chris Austin, da Louisiana State University, encontrou um espécime desconhecido à noite, perto da base das grandes árvores onde essas serpentes caçam. Por anos ela ficou ali, uma pergunta sem resposta, até que ferramentas modernas pudessem falar por ela. “Usando múltiplas análises genéticas de ponta, descobrimos que L. slashi é geneticamente distinta de outras cobras semelhantes do mesmo gênero”, disse o primeiro autor Tianqi Huang. A contagem de escamas e a modelagem de habitat concordaram. Uma criatura estava escondida à vista de todos, dentro de um pote, por quase duas décadas — e foi preciso alguém que ainda estivesse olhando para vê-la.

O animal em si não é um monstro: uma cobra terrestre esbelta e não venenosa, com pouco mais de meio metro de comprimento, usando dentes desproporcionais na parte de trás da boca para agarrar pequenos lagartos escorregadios e ovos de outros répteis. Ela nunca lotará uma arena. Mas carregará esse nome por todos os futuros guias de campo, todos os artigos científicos, todos os primeiros encontros de um estudante com o gênero.

“Nunca imaginei que este momento chegaria.” É exatamente o sentimento da descoberta em si — a surpresa de aprender que algo que você amou a vida inteira, o tempo todo, silenciosamente guardou um lugar para você.

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