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Arsenal quer Bruno Guimarães para comandar o meio-campo, e ele não força a saída

Kenji Nakamura

Deixando de lado a conversa sobre taxas de transferência, o interesse do Arsenal em Bruno Guimarães é uma decisão de design antes de ser uma história de negociação. Este não é um clube em busca de um artilheiro de peso ou de um lance de destaque. É um clube que decidiu que seu meio-campo precisa de um certo tipo de controlador — um jogador que desacelera o jogo quando necessário, quebra uma pressão com um giro e coloca o pé na bola quando todos ao redor estão correndo. O Arsenal não está comprando um nome. Está comprando o ritmo.

Esse é o argumento a favor de Guimarães, e é por isso que o Newcastle reluta tanto em ouvi-lo. Ele é o raro meio-campista que opera em dois registros ao mesmo tempo — uma barreira na frente da linha defensiva e um progressor que pode carregar a bola pelas linhas ele mesmo. Ele ganha a segunda bola e então escolhe o passe que transforma um resgate em ataque. Em um time construído para controlar partidas, e não para trocar golpes, essa combinação é a parede de sustentação, não a decoração. A equipe de Mikel Arteta passou temporadas refinando como segurar o meio do campo; Guimarães é uma resposta pronta para a pergunta de quem o rege.

O que torna a busca convincente, no entanto, é a forma como o jogador está lidando com isso. Ele disse ao Newcastle que quer se juntar ao Arsenal e, depois disso, não fez nada barulhento. Ele voou de volta do Brasil, se apresentou à base de pré-temporada do clube na Espanha e se juntou aos companheiros como se nada o estivesse puxando. Há um contraste recente e pontual aqui: apenas no verão passado, outro atacante do Newcastle se recusou a viajar com o elenco para tentar forçar uma saída. Guimarães tomou o caminho oposto, deixando seu profissionalismo — sua presença, não sua ausência — carregar a mensagem. É uma alavanca discretamente eficaz de um capitão que sabe exatamente como a sala o lê.

Há um espelho nisso também. O Guimarães que agora espera por uma transferência para o Emirates é o mesmo que, quando chegou à Inglaterra, explicou que escolheu o Newcastle justamente por ser o clube que colocou uma oferta concreta na mesa enquanto outros apenas rodeavam. “A única oferta concreta veio do Newcastle e eu realmente queria vir para cá”, disse ele na época. Ele comprou um projeto. A verdade desconfortável para o Newcastle é que o construtor mais visível do projeto agora acredita que sua trajetória aponta para outro lugar, e ele está pedindo para ser vendido por um clube que um dia o conquistou por ser o único sério o bastante para fazer uma oferta.

As razões futebolísticas colidem com os números. A primeira oferta do Arsenal foi rejeitada, e a diferença não é pequena: segundo reportagens da Sky Sports e do iPaper, o Newcastle avalia seu capitão em mais de 80 milhões de libras, e o primeiro movimento dos Gunners ficou bem abaixo disso. Ele tem dois anos restantes de contrato, com uma opção do clube além disso, o que dá ao Newcastle a alavancagem para se manter firme — ou para estabelecer um prêmio em um momento em que o mercado por um controlador em seu auge está excepcionalmente enxuto.

Até mesmo o estado da negociação é contestado. Uma versão diz que os clubes estão em contato direto após a rejeição; outra afirma que o Newcastle ainda espera uma abordagem formal e está particularmente perplexo por nenhuma ter chegado. Essa divergência importa, porque mostra que o negócio está sendo conduzido por intermediários e posturas tanto quanto por papelada, e a postura é onde um capitão que aparece na hora certa e diz pouco pode inclinar o terreno sob seu empregador.

O timing do Newcastle é sua própria complicação. O técnico que construiu grande parte do time em torno dele se foi, e um novo treinador chega com um plano para encontrar Guimarães e, presumivelmente, convencê-lo a ficar. Essa conversa decidirá mais do que uma contratação. Vender o homem que dita o ritmo não é apenas substituir um meio-campista — é reconstruir o metrônomo que todo o time vinha usando para manter o compasso.

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