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Sorteio da Champions League 2026-27, do caminho mais duro ao mais fácil: o Atlético levou o pior; o PSG, o melhor

Kenji Nakamura

A distribuição dos cabeças de chave já dizia quase tudo — e, no fundo, não dizia nada. No sistema de fase de liga, cada um dos nove primeiros cabeças enfrentou outros dois do mesmo pote — um em casa, um fora —, de modo que os confrontos de peso que todo mundo printa são distribuídos de forma equilibrada. O Real Madrid tem um gigante em casa e outro fora. O PSG também. O Bayern também. Todos, acima e abaixo. Se você classificar esses sorteios pelos maiores nomes da tabela, os nove empatam.

Por isso, olhar para os nomes é o erro. Um sorteio é difícil por razões estruturais — que estilos desmontam sua forma tática, que estádios custam um resultado antes mesmo do apito inicial, se seus dois jogos-pesados são em casa ou fora. O cabeça que tirou quatro viagens complicadas está em apuros maiores do que aquele que ganhou um confronto de peso no próprio estádio. Classificados pela estrada, e não pela reputação sobre ela, os nove se separam rapidamente.

1. Atlético de Madrid — quatro visitas hostis e nenhuma noite tranquila

O Atlético pegou a viagem mais pesada de todos. O Bayern vem ao Metropolitano, que é o jogo que você quer em casa, mas o cartão fora de casa é implacável: Liverpool, PSV, Stuttgart e — a viagem que ninguém quer — Bodø/Glimt acima do Círculo Polar Ártico, num gramado sintético feito para engolir visitantes. O time de Simeone é desenhado para defender uma vantagem e contra-atacar, e isso viaja melhor que a maioria; mas quatro jogos fora contra equipes que pressionam verticalmente (Stuttgart, PSV) ou se fecham e saem no contragolpe (Bodø) é uma tabela sem uma noite sequer para respirar. Manchester United e Fenerbahçe em casa não aliviam nada. Este é o sorteio que mais exige do elenco.

2. Arsenal — o pesadelo do estilista

O Arsenal pegou o Real Madrid no Emirates, o que enfeita a tabela, e depois as duas tarefas mais duras para um time de posse de bola. Bayern fora é óbvio. Napoli fora é o assassino silencioso: o bloco baixo de Conte é exatamente o problema que um time de construção ofensiva tem menos condições de resolver na estrada — uma noite de quarenta passes e nenhum espaço nas costas. Some a isso a ameaça de transição do Borussia Dortmund em casa e uma visita hostil ao Slavia Praga, e o padrão fica claro: o Arsenal precisa furar defesas fechadas e sobreviver a contra-ataques no mesmo grupo. O jogo de posse deles é bom o suficiente. Será testado com mais precisão do que o de qualquer outro.

3. Barcelona — uma linha alta em turnê

O Barcelona tem como confronto principal PSG fora e Manchester City em casa, e o fio tático que percorre o resto é desconfortável para o time de Flick. A linha defensiva deles é tão alta quanto a de qualquer time de elite, e o sorteio está cheio de velocidade e jogo direto: PSG e City nos jogos de cartaz, Galatasaray fora em um dos estádios mais barulhentos da Europa, um Sporting que sai rápido no contra-ataque. A viagem a Sabah, no Azerbaijão, é a mais longa que qualquer cabeça de chave enfrentou — um imposto no relógio biológico antes mesmo de a bola rolar. O Barcelona em casa é uma máquina; a pergunta que o sorteio impõe é se essa linha se sustenta na estrada, repetidas vezes.

4. Inter de Milão — uma linha de três contra o contra-ataque

O confronto principal da Inter é Real Madrid fora e Liverpool no San Siro — uma divisão justa —, mas o restante do sorteio explora sua única vulnerabilidade. Uma linha de três zagueiros fica mais exposta contra oponentes rápidos e verticais em estádios barulhentos, e a Inter viaja a Dortmund e ao De Kuip do Feyenoord, duas das atmosferas mais propícias a transições ofensivas. Club Brugge, Shakhtar e Stuttgart em casa são jogos ganháveis, o que mantém este sorteio no meio da tabela, sem ser brutal. Mas as noites fora são do tipo que castigam meio segundo de hesitação entre os zagueiros.

5. Liverpool — meio da tabela, duro

O Liverpool enfrenta a Inter fora e o Atlético em Anfield, depois um caldeirão em Fenerbahçe e uma visita ao Club Brugge que já complicou times mais bem preparados. É uma estrada exigente, mas não cruel: Porto e Villarreal em casa, LASK e Lens como a ponta mais leve. O formato favorece o time de Slot — que prefere pressionar alto contra oponentes que querem jogar do que se moer contra um ônibus estacionado — e só a atmosfera do Fenerbahçe soa como uma armadilha de verdade.

6. Manchester City — divisão limpa

Os gigantes do City se dividiram tão bem quanto o sorteio permite: Barcelona fora, PSG no Etihad. Napoli e Sporting em casa tiram o peso do meio, e embora Porto fora e uma visita ao RB Leipzig tenham seu peso, nada se acumula. Este é o sorteio de um cabeça de chave como deveria ser — uma viagem dura, uma noite de gala em casa, e jogos controláveis o suficiente para acumular os pontos que definem a classificação para o mata-mata.

7. Real Madrid — um pouso suave disfarçado de sorteio grande

O Real Madrid parece, na linha dos grandes confrontos, ter sorteado bem e com dificuldade: Arsenal fora, Inter em casa. Olhe além dos nomes e é uma das estradas mais amenas aqui. PSV, RB Leipzig e LASK vão todos ao Bernabéu, onde o Madrid perde pontos com a mesma frequência que o calendário permite, e o cartão fora além do Arsenal — Roma, Shakhtar, AEK Atenas — é navegável. Três dos quatro jogos em casa são eminentemente ganháveis. O sorteio deu a eles um título e uma almofada no mesmo envelope.

8. Bayern de Munique — eles escaparam do Ártico

A única viagem realmente pesada do Bayern é contra o Atlético fora; o Arsenal, confronto principal, vem à Allianz Arena. O detalhe está na tabela em casa — Real Betis, Bodø/Glimt e Slavia Praga estão todos em Munique, o que significa que o Bayern recebe o time do Ártico em vez de voar até ele — a virada mais valiosa de todo o sorteio. Manchester United e Lille fora têm algum risco, mas um time desta qualidade, com quatro jogos em casa e uma única visita hostil, recebeu uma tabela feita para um início avassalador.

9. PSG — os campeões receberam a mão mais leve

Os campeões pegaram a estrada mais suave dos nove. Barcelona no Parc des Princes é o destaque, e Manchester City é o único jogo fora contra outro peso-pesado; a partir daí, os potes se abriram generosamente — Roma, Galatasaray em casa, Aston Villa e Villarreal fora, Slovan Bratislava e Como para completar a tabela. O time de Luis Enrique vai se sentir confortável em cada um dos confrontos menores, e os dois grandes jogos estão tão favoravelmente arranjados quanto um cabeça de chave pode esperar. A recompensa, ao que parece, ainda corre ladeira abaixo.

Oito rodadas vão redesenhar tudo isso — forma, lesões e um cartão vermelho numa noite fria na Noruega vão transformar qualquer ordem pré-torneio arrumadinha em algo sem sentido. Mas o sorteio é a única variável já fixada, e não está distribuído tão uniformemente quanto os confrontos de peso sugerem. Dois destes nove receberam uma estrada; os outros sete receberam um nome e a ordem de inventar a estrada pelo caminho.

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