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Copa do Mundo 2026: o ranking dos jogadores que a definiram, e o melhor não marcou nenhum gol

O ranking não vem dos gols nem do voto da FIFA, mas de quanto da própria equipe cada um carregou nas costas: da recusa de Rodri em ter pressa à recusa de Messi em desistir.
Jack T. Taylor

Toda Copa do Mundo deixa para trás um placar e uma discussão. O placar está fechado: a Espanha é campeã, a segunda estrela costurada dezesseis anos depois da primeira, a Argentina batida numa final que só se rompeu no último suspiro da prorrogação. A discussão é outra: quem pesou de verdade. Não quem marcou mais, nem quem o comitê votou, mas quem carregou a maior parte da própria equipe dentro de campo e se recusou a largar. Este é o ranking desses jogadores, ordenado por uma única medida: o peso que aguentaram e o traço que permitiu a cada um aguentá-lo.

Uma regra manda no ordenamento. Um gol numa goleada vale menos que uma presença que decidiu um jogo que o jogador não tinha direito de controlar. Por esse critério, o homem no topo da lista terminou o torneio sem um gol nem uma assistência no nome, e ainda assim foi o futebolista mais importante de todos.

1. Rodri (Espanha): a vontade de frear o mundo

Rodri ganhou a Bola de Ouro sem marcar e sem dar assistência, e o voto não teve nada de sentimental. Ele era o pulso de um campeão, e pôs esse pulso lento de propósito. Toda vez que um jogo ameaçava virar bagunça, a bola o procurava e o desespero se dissolvia. Correu mais, tocou mais na bola e completou mais passes que qualquer um no torneio, e a Espanha sofreu um único gol em toda a campanha. Seu traço é o mais raro do jogo: a recusa a ter pressa. O momento que resume isso veio na final, a Espanha com um a mais na prorrogação contra uma Argentina jogada inteira para o ataque, e Rodri, em vez de correr para matar o jogo, segurou a bola num fio até o caos se cansar sozinho. Do controle costuma-se falar como tática. Nele é temperamento.

2. Lionel Messi (Argentina): a vontade que não deixava acabar

O vice carregou o peso mais pesado do torneo e quase o dobrou até dar outra forma a ele. Aquela Argentina não tinha por que chegar à final, e chegou mesmo assim nas costas de um homem que a tirava da cova uma vez atrás da outra. Dois gols atrás para o Egito nas oitavas, vinte minutos por jogar, o torneio escorrendo, ele a puxou de volta na base da vontade. Depois a semifinal contra a Inglaterra, um gol atrás e prensada no próprio campo, e de novo o jogo virou porque ele decidiu que ia virar. Oito gols, a Bola de Prata, uma terceira final de Copa numa idade em que as pernas já deveriam ter ido embora. O momento único foi o último: sem marcar na final, sentado no gramado no fim, sem nada mais para dar e sem outra dessas por vir. Seu traço é o que não se treina: a recusa a aceitar que acabou. Desta vez acabou. Foi preciso um time inteiro para fazer isso acontecer.

3. Kylian Mbappé (França): a finalização mais fria, a medalha mais vazia

Dez gols. Ninguém tinha ganhado a Chuteira de Ouro em duas Copas do Mundo até Mbappé fazer, e a finalização que o levou até lá foi a habilidade mais implacável em campo: o faro de escolher o instante exato em que uma defesa se adiantou demais e puni-la antes que se recomponha. E ainda assim o ranking não pode subi-lo mais, porque os gols vieram onde não faziam falta e sumiram onde faziam. Na semifinal, o jogo que a França precisava vencer, ele foi passageiro; a Espanha fechou os espaços e ele não achou nenhum. Seus dois últimos gols caíram numa disputa de terceiro lugar que ninguém vai lembrar no inverno. Seu traço é um dom e seu defeito é a sombra dele: um marcador de gols que não foi, na hora que mais pesava, alguém que decide jogos.

4. Pau Cubarsí (Espanha): sangue-frio aos dezenove

O adolescente mais badalado da seleção espanhola era Lamine Yamal. O melhor era o menino lá atrás. Cubarsí se tornou o primeiro zagueiro a ganhar o prêmio de Melhor Jogador Jovem do torneio, e o mereceu fazendo a coisa menos vistosa do campo melhor que qualquer um: não se deixar passar. Dezenove anos, numa defesa que sofreu um único gol em oito jogos, lia o perigo um tempo antes de ele chegar e se plantava na frente sem um tremor. O momento veio na final, onde o plano de uma nação era simples, negar a Messi o metro de que ele precisa, e a um adolescente se confiou ajudar a cumpri-lo, e ele cumpriu. O sangue-frio deveria ser a última coisa que um zagueiro jovem adquire. Ele chegou com ele já formado por completo.

5. Unai Simón (Espanha): a espinha dorsal silenciosa

Atrás de todo time que sofre um único gol numa Copa do Mundo inteira há um goleiro de quem ninguém precisou falar, e esse silêncio era o ponto. Simón levou a Luva de Ouro com sete jogos sem sofrer gol em oito, o último na própria final, e fez isso sem uma única tarde que virasse um compilado de defesas desesperadas. Seu traço é a serenidade, o pulso constante que deixou os homens à sua frente jogarem como se o gol atrás deles não existisse. Um campeão erguido sobre o controle precisa, na base, de alguém que nunca pisque. Ele nunca piscou.

6. Erling Haaland (Noruega): a fome solitária que ficou sem companheiros

A força mais obstinada do torneio pertencia à sua história menor. Haaland arrastou a Noruega mais longe do que o país tinha ido numa geração, sete gols de apetite e ameaça, e eliminou o Brasil no caminho, um atacante que joga como se cada chance fosse uma dívida que o futebol lhe deve pessoalmente. Seu traço é essa fome, intacta e sem trégua. Seu limite é o que todo talento solitário encontra: a Inglaterra chegou às quartas com um plano montado inteiramente para deixá-lo sem espaço, executou à risca, e a Noruega não teve segundo ato. Um homem pode levar uma nação exatamente até onde o adversário permite. Foi a ilustração mais limpa da lição de todo o ranking, e a razão de ele terminar onde termina.

Percorra a ordem e a história do torneio está escrita nela. Três dos cinco primeiros vestiam o vermelho espanhol, e nenhum era um camisa 9 em brasa; eram um metrônomo, um menino que não se deixava passar e um goleiro que ninguém percebia. Acima dos artilheiros, acima da vontade, sentou-se o controle. A Copa do Mundo pertencia ao homem capaz de vencê-la sozinho. Esta pertenceu à equipe que garantiu que ninguém precisasse.

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