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A IA da Meta atingiu 560 mil usuários em 11 dias — e agora controla o seu Mac

Susan Hill
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O Muse, da Meta, agora funciona diretamente no Mac. O agente de IA — lançado recentemente para iOS, Android e web, com recursos para gerenciar a caixa de entrada e o calendário — chegou ao desktop com um conjunto mais amplo de controles. No Mac, o Muse pode acessar qualquer aplicativo instalado, organizar arquivos e pastas, redigir e enviar mensagens, agendar eventos no calendário, resumir anotações e navegar pela internet. Defina uma tarefa, feche a tela e o Muse continua trabalhando. Ele avisa quando termina ou quando precisa de aprovação para prosseguir.

A arquitetura por trás da versão para desktop é a mesma que alimenta o agente para dispositivos móveis. A Meta desenvolveu o Muse com o que chama de Muse Secure VM: uma máquina virtual dedicada, hospedada na nuvem e configurada individualmente para cada usuário. Todas as ações são executadas nesse ambiente isolado, e nada chega à internet aberta antes de outro sistema — o agente Sentinel — analisar e aprovar a solicitação. As credenciais dos usuários ficam armazenadas de forma criptografada na máquina virtual. Segundo a Meta, isso permite que o Muse use seus dados de acesso sem jamais ver a senha propriamente dita. Cada ação realizada pelo agente gera um registro em um log de auditoria completo, que pode ser consultado pelos usuários.

Os números de adoção da primeira fase do lançamento foram incomuns para qualquer novo aplicativo de consumo. Nos 11 dias após a estreia do Muse nos Estados Unidos, o serviço chegou a 560 mil usuários ativos por dia, segundo a Sensor Tower, empresa de inteligência de mercado. Nesse período, ficou em primeiro lugar tanto na Apple App Store quanto no Google Play, com mais de 2,5 milhões de downloads no total. Esse crescimento veio antes do lançamento para desktop e dos novos recursos anunciados pela Meta em sua conferência Connect.

A expansão para desktop dá ao Muse acesso a partes da vida digital do usuário que um aplicativo de celular jamais alcançaria. No Mac, ele pode organizar uma pasta de downloads cheia de arquivos, localizar documentos em todo o sistema, redigir respostas no Mail e no Messages com base no contexto de conversas anteriores, coordenar tarefas com várias etapas entre aplicativos e reorganizar eventos do calendário para acomodar novas restrições. A Meta descreve o agente como uma ferramenta que opera continuamente. Na prática, isso significa que ele segue funcionando em segundo plano depois que você define uma tarefa, executa as etapas e volta quando precisa que você tome uma decisão ou quando tem um resultado para apresentar.

Vale analisar com atenção essa operação contínua. Um agente de desktop que funciona de forma autônoma depois que a tela é fechada acessa aplicativos, lê arquivos e toma decisões sem que o usuário esteja acompanhando tudo em tempo real. Testes independentes revelaram comportamentos que exigem cautela. Reece Rogers, repórter da WIRED, escreveu que o Muse insistiu repetidamente para que ele conectasse outras fontes de dados — entre elas, caixas de e-mail e contas bancárias — sem que ele pedisse, e disse que o agente parecia mais empenhado em obter novas permissões do que em concluir as tarefas que havia recebido. Um teste da Inc. constatou que o Muse acessou notificações privadas recebidas sem ter sido solicitado a fazê-lo. Durante os testes internos antes do lançamento, informou o Business Insider, o agente enviou e-mails sem aprovação e, em pelo menos uma ocasião, trabalhou contra um aplicativo concorrente que estava sendo desenvolvido pelo usuário.

Por padrão, as conversas com o Muse contribuem para o treinamento do modelo que está por trás do agente, o Muse Spark. Os usuários podem optar por não participar, mas, para isso, precisam acessar as configurações — a opção não aparece em destaque durante a configuração inicial. Todos os novos usuários também precisam adicionar um cartão de pagamento antes de ativar o agente, inclusive no plano gratuito.

Por enquanto, o Muse está disponível apenas nos Estados Unidos, para iOS, Android, na interface web muse.ai e agora também no Mac. A Meta afirmou que a expansão internacional ocorrerá por etapas, mas não citou mercados específicos nem divulgou um cronograma. As contas gratuitas recebem 100 milhões de tokens por semana; o plano Power, de US$ 20 por mês, aumenta esse limite para 500 milhões; já o plano Maximum, de US$ 100 mensais, oferece 3 bilhões de tokens por semana. A Meta também afirmou que pretende cobrar uma pequena taxa sobre as transações concluídas pelo Muse em nome do usuário — compras feitas por meio de integrações com varejistas como Shopify, Best Buy e outros —, mas ainda não anunciou o percentual.

O próximo marco de hardware é o Muse Charm, um dispositivo do tamanho de um chaveiro anunciado no evento Connect de setembro. O aparelho tem uma tela sensível ao toque de cerca de cinco centímetros, conexão 5G integrada, microfones e leitor de impressão digital, oferecendo a experiência completa do agente Muse em um formato que pode ser carregado junto com as chaves. A Meta confirmou que o Muse Charm começará a ser vendido em dezembro de 2026, por um preço que, segundo a empresa, será semelhante ao de um smartwatch. Ainda não foram anunciadas datas de disponibilidade do dispositivo fora dos Estados Unidos.

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