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Evan Spiegel já tinha previsto: “uma forma totalmente nova de compartilhar o seu dia com os amigos — ou com todo mundo”

Adrian Kessler

O veredito já saiu, e faz tempo: a internet agora é vertical. Você grava na vertical, assiste na vertical, e o feed que decide o que você vê é uma pilha de clipes em tela cheia que você vai tocando. Quando Evan Spiegel, do Snap, descreveu pela primeira vez o recurso que deu início a tudo isso, ele disse algo que, em retrospecto, soa menos como um slogan de lançamento e mais como uma previsão — e o pulo do gato está nas três últimas palavras.

“um jeito totalmente novo de compartilhar seu dia com amigos — ou com todo mundo.”

Foi assim que Spiegel apresentou o Snapchat Stories, conforme registrado pelo The Verge em uma coluna recente que argumenta que a tomada de controle pelo vídeo vertical está completa. O Stories foi lançado no final de 2013: uma sequência de fotos e clipes que qualquer amigo podia tocar para assistir por vinte e quatro horas antes de desaparecer. Compartilhar, na época, significava o círculo de amigos — seu dia, para as pessoas que já te conheciam. Aí Spiegel acrescentou uma segunda cláusula, quase como um pensamento de última hora. Ou com todo mundo.

Esse pensamento de última hora é a história toda. A metade da frase sobre intimidade — os amigos — foi o que gerou as manchetes e os usuários. A metade sobre transmissão — ou com todo mundo — foi o que foi copiado, escalado e monetizado até engolir a parte dos amigos por completo. O Instagram clonou o Stories quase recurso por recurso em 2016, e Kevin Systrom creditou o Snap pelo nome pela ideia. O TikTok chegou aos EUA em 2018 e transformou “ou com todo mundo” no padrão, e não na opção: um feed de estranhos, ranqueados por uma máquina. O Reels veio em 2020, o Shorts em 2021. O que começou como uma forma de mostrar seu dia para seus amigos se tornou a maneira como as plataformas mostram qualquer um para todo mundo.

Leia o mecanismo, não a nostalgia. Spiegel identificou o instinto de transmissão escondido dentro de um produto de intimidade antes que o mercado acreditasse que ele existia. O Stories foi projetado como um diário privado e lançado com uma porta pública já embutida — e o tráfego seguiu pela porta pública. Essa é uma leitura genuinamente precoce de para onde a atenção estava indo, feita anos antes de os gigantes do setor se comprometerem com ela.

Também é, para o Snap, o formato de um problema recorrente. A empresa continua criando a gramática que outras companhias usam para ficar ricas. O Snap deu nome ao formato — o diário vertical, em tela cheia, de tocar para avançar — e o Meta e o ByteDance construíram as máquinas de anúncio em cima dele. Estima-se que o negócio do Reels do Meta gire em torno de cinquenta bilhões de dólares por ano; o Shorts acumula cerca de duzentos bilhões de visualizações por dia. O Snap inventou a porta e, na maior parte do tempo, assistiu a multidão passar pela porta de outra empresa.

Estar certo primeiro não é a mesma coisa que vencer, e a frase de Spiegel é a prova mais clara das duas coisas. Ele enxergou a mudança do gráfico social para o feed público e a descreveu em uma única linha antes que ela acontecesse. Só não conseguiu manter a internet que previu dentro do próprio aplicativo.

Os amigos eram o discurso. Ou com todo mundo era o plano. Uma década depois, é a única parte que sobrou.

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